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domingo, abril 19, 2009

ESTAS UMBANDAS DE TODOS NÓS

A Umbanda é diversa.

Isto todo mundo já está careca de saber.

Mas diversidade não quer dizer que tenhamos de aceitar tudo como "Umbanda", que devemos fazer matanças em nossos Terreiros ou "virar" no Catimbó somente porque aquele sacerdote, que é nosso amigo, visitará nossa Casa e assim faz em seus rituais. Se ele não se isenta de fazer seus sacrifícios quando o visito, porque deve ser o contrário?

Em minha Casa não se faz matanças, discordo da prática, não acredito ser espiritualmente saudável e, mais do que isto, do meu ponto de vista, julgo desnecessário. Esta é a forma como vejo a questão, não necessariamente é a mais certa ou errado. Só é diferente.

Não usamos cartolas, smokings, ternos, cocares, arco-e-flecha, capas vermelhas e pretas, tridentes e outros "acessórios" para caracterizar nenhuma Entidade. Assim como no caso da matança, julgamos isto completamente desnecessário.

A Criança não será mais alegre e pura se usar uma vestidinho cor-de-rosa ou calças curtas; o Caboclo não será mais forte caso não use imensos cocares que se arrastam, muitas vezes, aos pés do médium ou toca o teto devido ao tamanho das penas; o Exu não será mais "Legbara" se estiver usando um imenso tridente.

Apesar de adotarmos celebrações e até mesmo acreditarmos que não há mal que as Entidades manifestantes usem de certos elementos materiais, inclusive fumo, bebidas e, eventualmente, comida (frutas, farofa, etc), não acreditamos que isto deva ser uma constante, sendo que tais coisas são reservadas para ocasiões e trabalhos especiais.

Não acreditamos estar de posse de nenhuma verdade absoluta, longe disto. Mas primamos por seguir de forma coerente os ensinamentos deixados por Matta e Silva e que absorvemos durante a nossa trajetória iniciática. Não concordamos com algumas práticas, doutrinas e conceitos em outros ritos, mas isto não quer dizer que achamos aquela Umbanda pior do que a que praticamos.

Por outro lado, também não concordamos com a postura hipócrita, verdadeiro preconceito às avessas, que vem sendo propagada no meio umbandista. No que pese que a maioria dos adeptos da religião mantêm uma raiz africanista em seus ritos, nós que acreditamos e praticamos de forma diversa à esta não podemos condená-los, mas também não podemos ser condenados.

A tal "tolerância" deve ser via de mão dupla, caso contrário passa a ser apenas mais um discurso do tipo "faz o que eu mando e não olhe o que faço" e "minha Umbanda é melhor porque tenho o àsé africano puro".

A lógica é simples: quem quer respeito deve, antes de tudo, respeitar.

O que temos vistos hoje em dia é um discurso hipócrita de que tudo é "Umbanda", que todos devem ser respeitados, mas na prática os ataques continuam, não somente daqueles que, contraditoriamente, pregam respeito, tolerância, diversidade, convergência, mas não param de atacar o trabalho de seus desafetos. Se querem ser tolerante, devem ser plenos, não podendo deixar arestas ou exceções.

O respeito, diferente do que muitos querem fazer crer, não está atrelado à concordância ou a prática, mesmo que eventual, daquilo que não acreditamos ser o correto em termos de ritualismo ou mediunidade. Esta sim relacionado ao reconhecimento de que cada um é livre para adoras à Deus (ou à deuses) da forma que bem entender e achar correto, não havendo supremacia de um sobre o outro.

Mas o que temos visto no movimento umbandista atual não é muito diferente da forma que os evangélicos agem quando atacam a religião alheia e ao receberem o revide acusam seus agressores de intolerante e preconceituosos. Os umbandistas ligados à raizes africanistas clamam pelo seu direito à matança, roupas vistosas, etc, mas não perdem a chance de atacar quem assim não procede.

Somos umbandistas e acreditamos que todos os demais são nossos Irmãos em Oxalá.

Mas isto não quer dizer que temos de aceitar tudo e não podemos criticar ou debater de forma saudável, dentro do campo das idéias. Infelizmente, dentro do movimento umbandista o principal "argumento" que se usa é o ataque pessoal, sendo raros os debates que se mantêm no campo exclusivo das idéias. A regra geral no meio é "se não consigo refutar o argumento, então ataco o argumentador". Isto é patético e lamentável.


Que todos os Povos e Ritos de Umbanda se unam pelo bem da religião, possibilitando que a Senhora da Luz Velada passe a ser a Senhora da Luz Brilhante.

Mas que cada um mantenha sua própria identidade
.

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Ilustração:
Connie Larsen

domingo, abril 05, 2009

RESPEITO SEM EXCLUSIVIDADE

Não gosto da palavra "tolerância" e já deixei claro, várias vezes, o motivo.

A tolerância remete que a minha autorização é necessária para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa, portanto digo, com orgulho, que não sou uma pessoa tolerante com absolutamente nada neste mundo, já que cada pessoa pode (e deve) fazer o que entender por certo com a sua vida.

Não ser tolerante, em absoluto, faz com que eu seja intolerante.

A lógica é simples: se as pessoas não necessitam da minha autorização para fazer, não estarão sujeitas à nenhuma ação repressiva de minha parte. Sim, porque a tolerância e a intolerância, no fundo, são a mesma coisa: a primeira faz entender que possuimos o poder de permitir e a segunda de restringir.

Particularmente, prefiro o respeito à tolerância.

Quando respeito algo quer dizer que entendo os motivos de outrem em fazer ou não determinada coisa, pensar desta ou daquela forma. Diferente da tolerância, o respeito não me obriga a compactuar com nenhuma ação ou pratica que venha a ferir a minha própria consciência ou ofender meus valores.

Tendo uma atitude respeitosa em relação à qualquer coisa, posso também criticar, expor minha discordância com aquilo sem, necessariamete, ofender ninguém. A intolerância não permite isto, visto que, via de regra, demonstra posturas belicosas e preconceituosas sobre determinado tema.

Para respeitar, portanto, não preciso coadunar com nada, aplaudir posturas e gritar "Huzzé, Huzzé, Huzzé"¹ para nada que façam ao meu redor, seja dentro da Umbanda, no meu ambiente de trabalho, familiar, maçonico ou seja lá onde for.

Em outro giro, porém, já que falamos de contrafações, devemos tratar do desrespeito.

A verdadeira intolerância, na verdade, está exatamente em desrespeitar a convicção alheia, tendo ou não o poder de interferir em sua manifestação.

É o que acontece, diariamente, dentro da Umbanda.

Os hipócritas de plantão pregam uma tolerância irrestrita à diversidade presente dentro da Umbanda, mas restringe tal benesse àqueles que coadunam com suas idéias. Se você não faz uma sangueana em sua casa, não toca tambores ou tem práticas "tântricas" em seus ritos, então você é fundamentalista, intolerante, retrógado.

Ao serem questionados sobre a impossbilidade de criticar qualquer coisa dentro da Umbanda, este teólogos umbandistas de "fundo de quintal", apesar do discurso universalista, respondem que só devemos (e podemos) criticar aquilo que é errado dentro da Umbanda. E o que é errado? Eles, da "academia", que nos dizem o que é ou não aceitável dentro da religião.

O respeito às suas idéias, ao seu direito de pensar e decidir sozinho, para estas pessoas, acabou. Agora a Umbanda deve seguir o que é ditado pela "academia", sem questionamentos, caso contrário você será considerado fundamentalista, praticamente um terrorista.

O mais estranho nisto tudo é que neste "oba, oba" da "umbanda vale-tudo" que inventaram, ninguém consegue perceber sinais tão claros da bazófia que é este discurso de "diversidade", "tolerância", "respeito incondicional", pregado por uns e outros. As contradições e os objetivos estão bem evidentes, mas parece que ninguém enxerga e se o fazem não têm coragem suficiente para apontá-las.

Não há, na verdade, "tolerância", "convergência", "diversidade", pelo contrário. O que existe é uma imensa manipulação da sua consciência, da sua necessidade de estar inserido na "pós modernidade" umbandista e assim ser aceito no meio dos "acadêmicos", de levar alguns tapinhas nos ombros ou ter o seu nome e terreiro destacado por algum dos membros do "Estado Maior" da Vila Alexandrina.

Você quer ser membro da "turma", que "status", "poder", projeção no meio. Enfim, quer alimentar seu ego apoiando uma mentira. Uma mentira que de tanto que é escrita, falada, enfim, massificada diariamente, já se tornou uma verdade para você e mais um monte de gente da comunidade umbandista.

A sua capacidade de discernimento, de livre pensamento, seu senso crítico está sendo manipulado por conta de honrarias e destaques mundanos. E se isto está acontecendo com você, caro leitor, com todo respeito que merece, só tenho a dizer uma coisa: és um otário.

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¹ aclamação feita em Loja Maçonica em alguns momentos especiais; triplice aclamação feita após a abertura do LIVRO DA LEI e também no seu fechamento nos ritos maçonicos.

terça-feira, março 10, 2009

DA LIBERDADE RELIGIOSA

A constituição francesa pôs termo ou renunciou à tolerância e também à intolerância, e estabeleceu o direito universal de consciência.

A tolerância não é o oposto da intolerância; é a sua contrafação. São ambas despotismos. Uma se arroga o direito de impedir a liberdade de consciência, a outra se arroga o direito de concedê-la.

Uma é o papa armado de fogo e de vara, a outra é o papa a vender ou a conceder indulgências. A primeira é igreja e estado, a segunda é igreja e comércio.

A tolerância pode ser estudada sob luz mais intensa. O homem não adora a si, adora ao Criador; e a liberdade de consciência que ele exige não é para seu uso e sim para uso de Deus. Nesse caso, portanto, precisamos ter necessariamente a idéia associada de dois seres: o mortal que adora, e o imortal que é adorado.

Logo, a tolerância não se coloca entre homem e homem, nem entre igreja e igreja, nem tampouco entre uma religião e outra, senão entre Deus e o homem, entre o ser que adora e o ser que é adorado; e pelo mesmo ato de autoridade usurpada pelo qual tolera que o homem preste a sua adoração, usurpadora e blasfema, arroga-se o direito de tolerar que o Onipotente a receba.

Se ao Parlamento fosse apresentado um projeto intitulado “Lei para tolerar ou dar liberdade ao Todo-Poderoso de receber a adoração de um judeu ou de um turco”, ou “para proibir que o Todo-Poderoso a receba”, todos estremeceriam e diriam tratar-se de blasfêmia.

Haveria tumulto.

Apresentar-se-ia, então, sem máscara, a presunção da tolerância em questões religiosas; mas não é menor a presunção pelo fato de, em tais leis, aparecer o nome do homem, uma vez que não se podem separar a idéia do adorador e a idéia do adorado.

Quem és, pois, inútil pó e cinza! Quem és tu, chames-te como te chamarei, rei, bispo, estado, parlamento, ou outra coisa qualquer, que interpõe a tua insignificância entre a alma do homem e o seu Criador? Cuida do que é teu. Se alguém não acredita como tu acreditas, em compensação tu não acreditas como ele, e não há força terrena capaz de determinar entre vós.

Com respeito ao que se chama de classes de religião, se cada um se limita a julgar a sua própria religião, não existe religião errada; mas se um julga a religião do outro, não há religião que seja certa, e, portanto, todos estão certos, ou todos estão errados.

Todavia, com respeito à própria religião, sem consideração aos nomes e como coisa que vai da família universal da humanidade ao divino objeto de toda adoração, é o homem a levar ao Criador os frutos do seu coração; e se bem que tais frutos difiram um do outro como os frutos da terra, é aceito o tributo de gratidão de todos.

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Thomas Paine (1737-1809), filósofo político e republicano, foi um dos signatários da Declaração de Independência dos Estados Unidos.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

ORGULHO DE SER DIFERENTE

Se há uma coisa que nunca suportei na vida é ser igual, seguir tendências, modas, costumes. Nunca fiz parte de tribos e muito menos de rebanhos.

Meu lema é: "Si hay gobierno, soy contra".

Não suporto "setas", diretrizes ou qualquer outra coisa que possa inteferir na minha livre e sagrada maneira de pensar e agir. Contesto, reclamo, duvido... aliás, meu produto é a dúvida, quem vende a certeza são os outros, normalmente aqueles que são figurinhas fáceis neste blog.

O grande Raul Seixas já dizia ser uma "metamorfose ambulante", acredito que seja por isto que sempre me identifiquei com as músicas dele.

Com certeza, PENSAR foi o maior dom que o Todo-Poderoso deu ao ser humano, tanto que veio acompanhado do LIVRE-ARBÍTRIO.

Livre-arbítrio...

Podemos dizer que o "pensar" seja a ação e o "livre-arbitrio" a reação do seu pensamento, ou seja, a manifestação da sua vontade. Pensar e fazer, nada mais são do que o Karma... Lei da Ação e da Reação.

Por este motivo, faço questão de pensar... e você, caro leitor, devia fazer o mesmo.

O pensar leva a questionar, analisar, avaliar... nos tira as traves dos olhos e nos permite uma visão mais clara e desapaixonada das coisas... nos impede, com certeza, de sermos "programados" ou influenciados por qualquer tipo de discurso.

Particularmente, não me importo minimamente de ser rotulado de sectarista, intolerante e todo os outros adjetivos que o atual modismo dentro do movimento umbandista usa para se referir àqueles que não se alinham às idéias de dominação da nossa Religião.

Tampouco me preocupo com aqueles que incensam "alienígenas religiosos", dentre eles Norberto Peixoto e o embusteiro do Robson Pinheiro, como "kardecistas que escrevem para umbandistas", e que passam a me considerar como intransigente em minhas posturas em relação, especialmente, ao último.

Não aceito, mesmo correndo o risco de não obter o "carimbo" de "tolerante" e "universalista" na testa, a invasão de conceitos estranhos e doutrinas adventícias que por conta da ganância pelo vil metal, muitos espertalhões querem empurrar "guela abaixo" da comunidade umbandista.

Tenho comigo que Umbanda é pé no chão, é cheiro de arruda, guiné, alfazema, alecrim e benjoim, não de perfume francês.

Não quero saber da opinião que uns e outros têm de mim mas, pelo que percebo neste imenso "terreiro virtual" em que se transformou a internet, muitos se incomodam sobre o que penso sobre eles, ao ponto de sempre usarem seus espaços para me contestar. Sou da política de que "propaganda negativa não deixa de ser propaganda" e do "falem mal, mas falem de mim".

Não quero, caro leitor, que você me siga ou mesmo que concorde com meus posicionamentos. O que espero, sinceramente, é que, simplesmente, PENSE. Como já disse, meu produto é a dúvida, não a certeza.

Assim aprendi com um "Preto-Velho" que sempre ensinou que não existem certezas, apenas possibilidades. Portanto, antes de se entregar às "certezas" que muitos andam vendendo por ai, comece admitindo e trabalhando as suas dúvidas.

Dúvidas nos levam ao questionamento e este nos leva à novas dúvidas.

A dúvida representa movimento, enquanto a certeza é a inércia.

Pense nisto.

terça-feira, janeiro 20, 2009

EXERCITANDO A TOLERÂNCIA HIPÓCRITA E CONVENIENTE

A "moda" ultimamente é ser tolerante, aceitar as diferenças, a diversidade, as várias formas de "vivenciar" e "fazer" Umbanda.

Além de "tolerância", "convergência", "diversidade", e todo aquele papo-furado de que existem "várias umbandas", que cada um sente, vive, pratica a religiosidade de acordo com o seu entendimento, que o não podemos ser "singulares" em nossa visão, "blá, blá, blá", somos conclamados a aceitar qualquer coisa como sendo "Umbanda" e achar tudo muito certo, bonito mesmo.

O interessante é que a turma da OICD, em especial o bufão prolixo do João Carneiro, verdadeiro "relações públicas" do CONSUB/CONUB/FTU/OICD (que em termos práticos são a mesmíssima coisa, todos comandados por Rivas Neto através de seus discípulos e aliados) ficam com este discurso hipócrita, mas basta que apareça alguém com uma visão diferente ou que não concorde com as patacoadas deles, que o "tempo" fecha.

Esta "tal liberdade" pregada por esta gente, em verdade, nada mais é do que uma imposição da visão de Rivas Neto, da OICD e de todas as outras siglas que ele comanda à comunidade umbandista.

Prova disto é a forma com que o "ministério da propaganda" da OICD IMPÕE esta visão, bombardeia todos diariamente em centenas de listas de discussões e comunidades virtuais, agindo de forma intimidatória, repressiva mesmo, contra qualquer um que discorde da "luminada visão" do pseudo-hierofante que eles seguem de forma cega, sem questionamentos ou dúvidas.

Experimente, caro leitor, dar uma opinião contrária a qualquer uma das iniciativas de Rivas Neto ou mesmo falar algo contra a sua obra, que você será bloqueado na maioria das listas senão for sumariamente excluido.

A liberdade que este povo tanto prega, a tolerância, o respeito à diversidade acaba no momento que o "yamunishida" ou qualquer um do seus "altos sacerdotes" (leia "Obashanan, Araobatan, Aramaty, etc..) são enfretandos ou replicados nas listas, em especial aquelas moderadas pelos eternos puxa-sacos. 

Como podemos ver, o discurso é bem diferente da prática.

Os leitores assíduos deste blog já devem ter lido a série de textos que intitulei de "Histórias que o povo (não) conta". Todas as histórias ali contadas são, infelizmente, verdadeiras. Obviamente, por questões legais, não identifico os envolvidos, mas tenha certeza que cada palavra é real.

Seria interessante saber da parte dos "tolerantes convergencionistas", se situações como aquelas narradas também fazem parte da "diversidade" de ritos e práticas, coisa que merecem o nosso respeito.

Ontem, recebi um e-mail onde era informado que um determinado "babá" ensina em seu "terreiro" que o tipo de sangue mais importante dentro dos rituais "esotéricos" é o chamado "sangue branco", ou seja, o sêmem. Na verdade ele acha tão importante o uso desta secreção corporal em seus rituais, que colhe pessoalmente de seus "filhos", sem perder uma só gota.

Por outro lado, não faz muito tempo, tive notícias de uma determinada "mãe-de-santo" que "incorporada" com sua "pomba-gíra", com a desculpa de reavivar o "àsé", escolhia algum homem da assistência afim de manter relações sexuais com o mesmo, isto com a conivência de seu próprio marido e dos demais médiuns da corrente.  

Ah!, sim... com certeza logo se apressarão em dizer que "isto não é umbanda", que não faz parte dos "rituais" e da "tradição" de nosso religião, que isto é um "desvio moral", e todo o "blá, blá, blá" hipócrita de sempre.

Pois bem...

Sendo assim, este papo de "diversidade", "tolerância" e "toda a forma de vivenciar a Umbanda é certa", não passa de uma imensa balela religiosa, um discurso vazio, holy shit.

O mesmo princípio para se condenar umbandistas que são contra o sacrifício de animais, as fantasias de "exus", os cocares kilométricos, fetichismos e práticas estranhas à religião, devem ser aplicados nestas ocorrências escabrosas, sob pena deste discurso farisaico cair por terra.

Acontece que, obviamente, o sexo, assim como a prática da assim chamada "magia sexual" não é tolerado, pelo menos de forma aberta, pela comunidade umbandista e a sociedade como um todo. Logo dirão que tais práticas se prestam à "magia negra" e tudo mais...

Mas, da mesma forma que somos acusados de intolerantes por não aceitarmos a matança, as fantasias que mais parecem coisas para bailes carnavalescos, por não sermos os "donos da veradade", qual a base então, que este bando de fariseus terá em condenar estas práticas?  

Sim, porque se tudo é permitido, tudo é "diverso", tudo deve ser tolerado, seja o sacrifício, a apometria, as capas e tridentes, os mantras indianos, porque não tolerar o tantrismo negro dentro de nossos Templos?

Talvez fosse interessante também forncermos "ervas do poder" aos nossos Caboclos, haja vista que quando encarnados faziam uso, tradicionalmente, deste tipo de elemento.

Mas quando a tolerância e a diversidade trombam com a MORALIDADE e a LEGALIDADE, não é tão fácil assim manter o discurso, não é mesmo? Então, a partir destes dois conceitos, que nos servem de manto, podemos condenar e rotular istou ou aquilo como não sendo de Umbanda.

Então, a tolerância acaba, a diversidade fica restrita às nossas própria concepções e a convergência se transforma, rapidamente, em divergência.

A matança e as fantasias carnavalescas, são toleráveis porque aceitas por uma maioria. As práticas "rituais" envolvendo sexo não o são, porque DIVERGEM desta mesma maioria.

Sendo assim, o ponto fundamental deste papo de "diversidade" e "tolerância", longe de se alicerçar em critérios filosóficos, segue uma regra matemática, praticamente estatística, que poderiamos resumir em uma máxima:

"Toleramos a diversidade, desde que a maioria assim a considere aceitável".

Assim sendo, não é tolerância e sim conveniência.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

OS PERIGOS DA TOLERÂNCIA IRRESTRITA

Setenta e cinco milhões de anos atrás, o Universo estava superlotado.

Para resolver o problema, o imperador galático Xenu decidiu apelar para o genocídio. Fez trilhões de prisioneiros, trouxe-os até a Terra em naves espaciais e jogou bombas atômicas para acabar com todo mundo. Só que as almas desses seres, chamados thetans, ficaram vagando por aqui até encarnar nos primeiros Homo sapiens. E esse é o motivo de todos os conflitos e angústias da humanidade.

Parece um roteiro de filme B, mas é o fundamento de uma religião: a cientologia

Tal doutrina, criada em 1952 pelo autor de ficção científica L. Ron Hubbard, fez vários adeptos pelo mundo afora, em especial entre os artistas de Holywood, como Tom Cruise, Nicole Kidman, Will Smith, John Travolta e o falecido Christopher Reeve, que ficou famoso pelo papel de "Superman" e a sua luta, após o acidente de hipismo que o deixou tetraplégico, pela liberação das pesquisas e uso de células tronco.

É uma religião sem rituais, que propõe é levar o indivíduo a um estado de consciência chamado "clear" (limpo). Essa limpeza é a eliminação do que chamam de mente reativa -que por sua vez é, grosso modo, um lugar que todos nós temos no cérebro, onde estão registrados os traumas e as fobias, todas as "tristezas", todas as imagens e sensações de dor ou sofrimento.

Para eliminar a mente reativa [e de forma rápida, segundo a religião] há uma tríade de atitudes indispensáveis para o cientólogo:

1) fazer leituras e estudos profundos das obras sobre a dianética (de Ron Hubbard);
2) práticas diárias de técnicas e exercícios descritos nos livros;
3) participar de "misteriosas" sessões onde um aparelho criado por Hubbard, chamado e-meter, é seguro com as duas mãos pelo praticante, enquanto ele responde a um questionário.

O e-meter registra ondas cerebrais específicas. Para mexer com essas ondas, o mestre cientólogo faz uma sessão de perguntas muito delicadas ao discípulo da igreja. É como se o questionário do mestre mexesse exatamente nas "feridas psíquicas" de alguém que se submete a isso voluntariamente. Lembranças, sensações e imagens ruins e traumáticas estariam armazenadas em algum lugar na mente.

O aparelho abriria uma porta e começaria a "faxina mental". A provável dor de mexer nesses pontos da vida poderia ter a força de limpar a mente, segundo a cientologia. Com o tempo, essas 'porcarias' deixariam de existir e o cientólogo passa a ter, principalmente, mais energia e espaço mental para usar. Ou seja, mais poder.

A cientologia chegou ao Brasil em 1994, através de Lucia Winther, sua principal líder e porta-voz no país. A editora Ponte publica os livros do movimento no Brasil. De acordo com a revista "Época", Lucia coordena as atividades do grupo e organiza as palestras, como as do venezuelano Augustín Pinto, que esteve em dezembro de 2004 em São Paulo. Nesses encontros, o grupo se apresenta sob o nome de dianética, uma terapia que levaria os participantes à “iluminação espiritual”. Nesse encontro, realizado na cidade de São Paulo, e que durou duas horas, Pinto só mencionou a palavra cientologia nos últimos minutos da palestra. Muitos dos participantes não sabiam que se tratava de uma religião.

Hoje pela manhã recebi um e-mail vindo da parte de uma pessoa que se diz "eclética", "universalista", "aberta à novas experiências e saberes" (sic), que questionava veementemente minha postura contra influências de outros sistemas filo-religiosos na Umbanda.

Em seu longo e-mail afirma que faz parte de um grupo fechado em São Paulo (do qual não declinou o nome) em que "experiências" envolvendo as práticas mediúnicas da Umbanda, assim como apometria, meditação, mantras, mandalas, projeção astral, "xamanismo esquimó" (sic) e, pasmem, aspectos da cientologia, eram um sucesso, servindo muito bem para o auxílio dos necessitados que os procuram (uai, mas o tal grupo não é fechado?!?) e a prosperidade de seus membros.

Até onde consegui pesquisar, sabe-se que não há mais do que 200 adeptos desta religião (por falta de termo melhor) no Brasil, sendo que por aqui a única pessoa "famosa" a aderir é a escritora esotérica (?!?) Mônica Buonfiglio.

Então, questiono, como será que a tal cientologia chegou a um grupo que se diz umbandista?

Obviamente, quem teve esta brilhante idéia pode ser uma destes 200 fiéis, ou mero curioso que andou estudando alguns livros sobre a matéria e resolveu aplicá-la junto com os "fundamentos" da Umbanda que diz seguir.

Mas a grande questão não é a cientologia, e sim a facilidade com que qualquer tipo de doutrina, ideologia, filosofia e prática estranhas simplesmente surgem em nosso meio, começando a sua contaminação de forma discreta, convencendo um "aqui e ali". Então, quando nos assustamos, a erva daninha já está de tal forma arraigada em um grande número de Terreiros e adeptos, que fica impossível extirpá-la.

Foi assim como a famigerada "apometria", que tomou força no meio umbandista depois das obras de Norberto Peixoto, supostamente psicografadas pelo espírito Ramatis. Em alguns Terreiros temos sessões de "do in", "shiatsu", e até mesmo sessões ditas de "desobsessão" em que engarrafam os espíritos obsessores.

Então, em nome da "diversidade", da "tolerância", da "unidade", temos de achar tudo isto muito normal, aplaudir tais sandices e ainda ouvir o estúpido chavão "está é a minha verdade"?

Além de tudo que já polui nossos Terreiros, como práticas tântricas, pontos cantados em sânscrito, roupas que mais parecem fantasias de carnaval, cocares quilométricos, "confrarias" no astral, e um tanto de outras asneiras, vamos ter de tolerar, aplaudir e ratificar como "Umbanda" qualquer idiotice com ares de filosofia ou "terapia", como é o caso da cientologia, dentre outras?


Será que vamos um dia nos deparar com os emissários de Xenu incorporados em médiuns e achar isto normal? Sim, porque gente recebendo deuses nórdicos, mestres ascensionados, comandantes de naves estelares e até mesmo O Próprio Jesus Cristo já existe.

Como não creio que "diversidade" é sinônimo de condescedência à práticas estranhas, vou deixando para Tom Cruise se preocupar com o maligno Xenu, assim como para aqueles que acham que a Umbanda é uma imensa colcha de retalhos, onde cada um costura o pedaço que quiser, administrar esta confusão. De minha parte, continuo com Criança, Caboclo, Preto-Velho e Exu.

A Umbanda não precisa de nada que venha de fora. Disto, tenho certeza.

terça-feira, dezembro 16, 2008

100 ANOS E ALGUNS DIAS...

Alguns leitores questionaram a ausência de um texto sobre o centenário da Umbanda, querendo entender o motivo pelo qual não escrevi uma só linha no dia 15 de novembro passado.

Na verdade, não me senti motivado a escrever sobre o assunto, ainda mais que estava no interior cuidando de assuntos relacionados ao grupo de escoteiros do qual faço parte e também de nosso "santé".

O fato é que, sinceramente, não me vi estimulado a comemorar a data, e explico os motivos.

Apesar da "propaganda oficial" dizer ao contrário, a nossa religião encolhe a cada dia, perdendo adeptos para as igrejas neo-pentecostais e outros setores filo-religiosos. Não que a quantidade de fiéis seja um sinal de qualidade da religião (vide alguns "templos" por ai, lotados...), mas a debandada é algo preocupante, porque demonstra haver alguma coisa errada em nosso meio.

Outra questão é o atual panorama no meio umbandista. A "umbanda do vale-tudo" veio, pelo jeito, para ficar.

Em nome de uma pseudo unidade, os adeptos estão sendo praticamente coagidos a aceitar qualquer coisa como sendo "umbanda". Não importa o que seja: catimbó, toré, xambá, candomblé, kardecismo, apometria, mestres ascensionados e por ai vai. Não entendo o motivo de denominações diferentes, já que para alguns tudo é a mesma coisa.

Isto me lembra uma ocasião em que um participante da lista "Umbanda Powerline", afirmou que em seu "terreiro" havia uma sessão com os "cavaleiros da távola redonda" e uma outra para os deuses do panteão nórdico, com direito a longos bate-papos como o "exu" Loki , entre um "passe" e outro com Thor e o próprio Odin.

Pode parecer brincadeira, mas não é.

O cidadão, lembro-me bem, deixou a lista revoltado, reclamando de preconceito, dizendo que os velhos "deuses" e "heróis" ainda estava vivos, que não entendia porque pessoas que "adoravam" os deuses africanos achavam improvável a existência dos deuses nórdicos.

Realmente, o cara nos pegou... excelente argumento, que iremos comentar em um texto futuro.

O fato é que mesmo em época de faculdades, bacharéis de teologia umbandista com seus canudos, conselhos, federações e afins pululando por ai, a realidade nua e crua é: a Umbanda está em extinção.

A continuar este estado de coisas, onde qualquer conceito, preceito, ideologia, doutria, filosofia, etc, é aceitável, daqui a cem anos teremos qualquer coisa, menos a Umbanda conforme anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e coordenada pela Sagrada Confraria dos Espíritos Ancestrais.

A Umbanda, ou melhor, o AUMBHANDAN, conforme aconteceu no passado, está em um estado de retração, de adormecimento, sendo que a cada dia torna-se mais velada em seus aspectos mais puros, místicos e esotéricos. Nossa religião, aos poucos, perde a identidade e, pior, faz com que outros movimentos filo-religiosos a perca com esta absurda "teologia" de que tudo é, vem ou parte da Umbanda.

O que vemos hoje é um movimento que enxerga a Umbanda como um grande recipiente, que aceita qualquer coisa inclusive conceitos e doutrinas que se contradizem.

Esta não é a Umbanda que pratico, que ensino aos meus filhos e, com certeza, não será ensinada aos meus netos. Não importa quantas faculdades sejam abertas, quanto se grite por "tolerância" e "diversidade"...

A Luz Brilhante, continua Velada... quem sabe daqui a mais cem anos, outro Caboclo surja e com um forte brado acorde os adormecidos na fé.

sábado, novembro 01, 2008

DIVERSIDADE SEM ADVERSIDADE À NOSSA CONSICÊNCIA

Nada tenho contra a diversidade, seja ela étnica, religiosa, política, musical, literária, mas não pratico absolutamente NADA que vá de encontro à minha consciência, daquilo que acredito, para posar de "bom moço", de tolerante, para ninguém.

Sou plenamente à favor da união, desde que isto não signifique que deva renunciar às minhas origens, meu entendimento do que é "certo" e "errado", que tenha de travestir meu corpo, minha casa enfim, minha vida, apenas para agradar dezenas, centenas ou milhares de pessoas. Caso queira ser meu amigo, companheiro, parceiro de jornada, terá de aceitar minha crença, minhas práticas como elas são, assim como devo fazer o mesmo em relação à você.

Quero, sinceramente, caminhar ao seu lado, lutar por uma religião forte, estruturada, unida, mas quando visitar minha Casa não espere ver "dezenas de animais diversos" sendo sacrificados, Exus vestidos à rigor, com cartolas, capas, tridentes e ternos, assim como profusão de bebidas alcoólicas. Não acredito que para sermos amigos, irmãos, companheiros de jornada, devemos praticar as mesmas coisas, afinal de contas DIVERSIDADE significa exatamente isto: variedade, multiplicidade.

Não quero, meu Irmão-na-Fé, que "reze" pela mesma cartilha que eu, mas sempre esperarei de você coerência entre o que diz e pratica, assim como tenho certeza que me cobrará o mesmo.

Não importa, meu caro confrade, se em sua Casa há a matança de animais, desde que você também não se importe que eu não participe dela e não concorde com isto.

À mim é indiferente, caro Irmão, que em sua casa haja festas suntuosas, com muita comida e bebida, uma confraternização animada, onde as Entidades que ali se manifestam peçam roupas, adereços e ferramentas especias, desde que não se importe que eu use apenas a minha roupa branca.

Não quero mandar ou direcionar a sua consciência, assim como dizer o que é "certo" ou "errado" na sua forma de vivenciar a Umbanda. Não sou, em absoluto, seu adversário, mas seu companheiro de jornada enquanto houver coerência em seus atos, sinceridade em seus propósitos e fidelidade ao Astral.

Que não sejamos, meu Irmão em Oxalá, tolerantes com as nossas diferenças, já que a tolerância é a contrafação da intolerância, pois uma se arroga o direito de impedir a liberdade de consciência, a outra de concedê-la. Portanto, vamos nos respeitar, ao invés de tolerar.

Como temos um objetivo em comum, que é a levar a Umbanda a ser respeitada e reconhecida como uma movimento religioso que abarca milhões de consciências, vamos convergir à este ponto sem perder as nossas identidades, trairmos nossas origens, nossos Mestres, as bandeiras que carregamos por anos à fio, sem que as mesmas mudem de cores pelo nosso oportunismo e interesse pessoais.

Tem a liberdade de julgar equivocadas algumas práticas (ou ausência delas) em minha Casa, mas em contrapartida deve conceder-me a mesma liberdade de fazer o mesmo em relação à você. Talvez consigamos entender melhor os pontos-de-vista um do outro em uma conversa amena, fraterna, desarmada, onde as respostas fluam com a mesma intensidade das perguntas.

Enfim, sejamos partidários e incentivadores da DIVERSIDADE sem sermos ADVERSOS à nossa própria CONSCIÊNCIA.

segunda-feira, julho 07, 2008

UMBANDA E MAÇONARIA: UM PARALELO

A Maçonaria é uma sociedade discreta, filosófica, de caráter iniciático, areligiosa (porém, deísta), apolítica, com uma faceta filantrópica, que tem como objetivo a construção de Templos às virtudes e masmorras aos vícios, ou seja, o aprimoramento e o crescimento do homem enquanto ser material e espiritual.

A Umbanda é uma religião (re)nascida em terras brasileiras, com influência de várias filosofias e culturas, em especial o cristianismo, o espiritismo, algumas tradições orientais e indígenas e, dependendo da região, com fortes traços da cultura e religiosidade locais. Tem sua faceta filantrópica, com a prática da caridade não somente através do trabalho mediúnico, mas também pelos serviços de assistência material aos menos favorecidos.

A primeira vista, pouco temos em comum entre as duas doutrinas. Mas na verdade, queremos falar de PLURALIDADE DE RITOS e CONDUTA DOS ADEPTOS de uma e outra.

Dentro da imensa e complexa estrutura maçonica, temos vários RITOS, cada um com suas particularidades mas, em essência, traduzem o espírito e a filosofia maçônica. Apenas para ilustrar, citamos o Rito Escocês Antigo e Aceito (o mais praticado e difundido), o Rito Francês (ou Moderno), o Rito Brasileiro (só praticado no Brasil), Rito Adhoniramita, Rito Schröeder, Rito de York, etc. Na essência, todos estes Ritos traduzem a filosofia maçonica, com poucas alterações e nuances filosóficos e simbólicos, mas o Maçom praticante do R.'.E.'.A.'.A.'., reconhece um Irmão de qualquer outro Rito como um seu igual, não se importando com diferenças ritualísticas ou doutrinárias.

Percebam que os Maçons se RECONHECEM como Irmãos e como IGUAIS.

Na Umbanda, temos uma estrutura muito mais complexa do que a Maçonaria. São várias formas de se "fazer" Umbanda e, à exemplo da Sublime Ordem, temos vários Ritos, a saber: Umbanda Mista, Popular, Traçada, Esotérica, Iniciática, etc. É tanta diversidade que poderiamos criar um blog apenas para falar de cada um destes segmentos. O que difere os Umbandistas (ou pelo menos a sua maioria) dos Maçons é que os primeiros vivem se degladiando no afã de determinar qual é o melhor rito ou filosofia praticado e, definitivamente, não há RECONHECIMENTO mútuo e apesar de se tratarem hipocritamente como IRMÃOS, não se enxergam como IGUAIS.

Diferente dos Maçons, os Umbandistas necessitam que alguém lhes diga, através de conselhos, orgãos, etc, quem são seus Irmãos. Se você não é um Umbandista "alinhado" com este ou aquele "mestre", então, por consequência, é um "espúrio" intolerante, um "cego que não conseguiu enxergar a luz.

Nesta "umbanda de mentirinha" que uns e outros têm feito, com seus "conselhos", "escolas" e, principalmente, a postura de "santos", desde que suas posições e "realizações" não sejam alvo de críticas e questionamentos pois, caso contrário, dá-lhe intimidações e trabalhos de magia negra para "amansar" ou calar seus desafetos.

A "umbanda libertária" que muitos "hipócritas-do-santé" pregam por ai, não admite contestações. As palavras "democracia", "liberdade de expressão" e "irmandade", para estes pusilânimes que se arvoram em "mestres" e "pais" somente são aplicadas àqueles, que como carneirinhos cegos, seguem os pastores igualmente cegos em direção ao abismo.

Nesta "umbanda de faz-de-conta", você deve dizer "amém" para as piores contradições doutrinárias e comportamentais, em um verdadeiro "faça o que eu mando e não olhe o que eu faço", praticar ritos de outros sistemas filo-religiosos, que não têm em comum com aquele que por anos praticou, que outrora considerava fetichista, mas que hoje é uma manifestação da "diversidade umbandista", apesar de nada ter em comum com a Umbanda.

Diferente da Ordem Maçonica, esta "umbanda sintética", apesar de insistirem em apregoar que as pessoas devem viver "para" a Umbanda e não dela, reconhecem "sacerdotes", "pai isto" e "mãe aquilo", que não têm profissão, vivem de trabalhinhos, defumações, descarregos caseiros em seus "centrinhos esotéricos", assim como aplaudem outros tantos parvos dispostos a servirem de "boi de piranha" nas lutas contra seus desafetos.

Enfim, alguns vivem por ai, como mariposas, voando ao redor da Banda, fazendo pose de "bolofo-fofo-balofo", com seus cocares multi-coloridos, seus diplomas de "magos", seu reconhecimento e filiações convenientes, desde que os interessados nos "holofotes" batam cabeça e se alinhem aos seus propósitos.

Os Maçons simplesmente o são. Os Umbandistas, pelo menos em sua grande maioria, querem ser qualquer outra coisa menos isto. Por suas vaidades e interesses pessoais, querem ser mais um indíviduo de alguma manada, receberem diplomas, homenagens, notinhas em jornais e spams que à todo momento lotam nossas caixas de e-mail, com a auto-promoção deste ou daquele "líder" umbandista e seus orgãos da "carochinha".

Alguns umbandistas preferem ser mariposas monocromáticas a se chocarem contra uma luz artifical, que julgam ser o Sol. Outros, preferem ser borboletas dotadas de cores vivas, que voam de dia, fazendo o seu trabalho, sem se preocupar em queimar suas asas sob o calor do Verdadeiro Astro Rei.

Então, meu caro leitor, és uma mariposa ou uma borboleta?

sábado, fevereiro 25, 2006

UMBANDA: UMA RELIGIÃO DIVIDIDA


"Canticum graduum David ecce quambonum et quam iucundum
habitare fratres in unum
Scut unguentum in capite quod descendit in
barbam barbam Aaronquod descendit in ora vestimenti eius
Sicut ros Hermon qui
descendit inmontes Sion quoniam illic mandavitDominus benedictionem et
vitamusque in saeculum"

(Salmo 133:1-3*)


Já há alguns anos temos notado que o Movimento Umbandista vem passando por fases interessantes, muitas delas, lamentavelmente, extremamente destrutivas para o meio.

Há pouco mais de dois anos atrás, surgiu o termo "Escola", para designar as várias tendências doutrinárias e ritualísticas inerentes à Umbanda. Foi um "Deus nos acuda": criaram-se facções e, pelo menos nos meios virtuais, criou-se uma acirrada disputa entre as tais "Escolas" para determinar quem estava mais certo do que o outro.

O resultado?

A maioria dos que estão lendo estas linhas conhece: listas de discussões foram fechadas, processos judiciais movidos, ameaças, grupos estraçalhados... um verdadeiro caos tomou conta do já muito confuso e desunido Movimento Umbandista. A velha máxima romana de "dividir para conquistar" nunca foi (e talvez nunca mais será) tão atual como agora...

Agora o meio umbandista está envolto em outra disputa: a supremacia e "legalidade" das Federações. As armas usadas neste "combate", porém, não são novas: acusações sem provas, calúnias, difamações, "dossiês" e todo aquele arsenal típico dos que se aprazem mais em discutir pessoas ao invés de idéias.

Estamos muito próximos em comemorar o centenário do Advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas e a Religião por ele revelada dá sinais claros de cansaço sendo que, talvez, não resista por mais 100 anos. A busca pelo poder temporal, pela imposição de "verdades" e as verdadeiras guerras fatricídas que há muito vêem sendo travadas em nosso meio demonstram que o Reino da Umbanda está por demais dividido e, como disse o Supremo Mestre Jesus:

"Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá" (Mateus 12:25)

A busca pela unidade doutrinária é uma utopia. Ninguém conseguirá fazer com que todos os Umbandistas "rezem pela mesma cartilha". Nenhuma Tradição iniciática ou religiosa conseguiu, até hoje, criar um padrão para seus rituais e práticas litúrgicas. Dentro de Ordens tradicionais como a Maçonaria, o Rosacrucianismo, o Martinismo, dentre outras, vemos uma base ideológica acompanhada de uma multiplicidade litúrgica. Com uma religião tão nova como a Umbanda não seria diferente.

A pluralidade de ritos nada mais é do que a manifestação externa da pluralidade de consciências. Seria mais útil deixarmos a pretensa e utópica "Codificação da Lei de Umbanda" de lado, esquecermos nossas diferenças e nos atermos àquilo que nos uneA situação é por demais séria e nossa Religião, efetivamente, corre o perigo de ser apenas lembrança em um futuro não muito distante. Enquanto os interesses pessoais, a busca de poder, títulos e influência temporal for o objetivo perseguido por aqueles que se posicionam como "líderes" do Movimento Umbandista, continuaremos como o viajante incauto: perderemos o trem... o trem da história. Pior... seremos apenas história...

"Spes Mea in Deo Est"

* Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes; como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre.

(artigo publicado pela primeira vez no "Boletim Saravá Umbanda" , Ano 06 - Número 16 - 01 de Janeiro de 2004)

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

CARTA DE BELO VALE : "E PLURIBUS UNUM"

"E Pluribus, Unum”

Inspirados pelas forças do alto, reuniram-se na Fazenda Belo Vale, no interior da cidade mineira do mesmo nome, os representantes das várias correntes da Umbanda. Com aquele Encontro, foram quebradas todas as correntes nacionais contrárias ao movimento e os participantes puderam testemunhar uma verdade que estava sendo esquecida: A de que “ cada um manifesta sua ligação com o Astral Superior à sua maneira” e de que “somos todos apenas instrumentos grosseiros da manifestação de uma Luz maior” a qual, sendo infinita, ilumina, aquece, purifica, traz consolo, saúde e paz interior aos que a buscam.

É sabido que um lustre da mais rara beleza irradia a mesma luz que um simples conjunto de velas; também nós, dotados ou não de formação intelectual, possuidores ou não de bens materiais, estaremos irradiando a mesma energia ou às vezes menos, do que a de uma pessoa humilde que se predispõe à manifestação mediúnica mesmo sendo inculta ou analfabeta.
Reunindo pessoas das várias linhas da Umbanda com o objetivo primordial de compartilhar experiências, aquele Encontro inspirou os participantes a redigir e divulgar a “Carta de Belo Vale”, documento que passa a ser o ponto de convergência, o marco da união das várias correntes da Umbanda no Brasil.

Os princípios apresentados a seguir, passam então a se constituir num roteiro para a Grande União que espelhará o enunciado “E pluribus, unum” (a partir de muitos, nos tornamos um) ou melhor ainda, pela união de muitas correntes da Umbanda, passamos a formar um corpo místico único, mais forte, mais unido, mais dinâmico, mais confiante e mais respeitado, o qual passa a ocupar o seu espaço no seio da sociedade brasileira.

Enunciados

1 – É facultada e mesmo estimulada a partir de agora, a praxe de visitas aos centros de outras linhas da Umbanda.

2 – Nas visitas, os médiuns deverão se predispor à incorporação com atuação efetiva junto ao público presente.

4 – Como esperado, as próprias entidades cuidam para que não haja ambigüidade de nomes de identificação adotados durante as incorporações conjuntas naquelas visitas.
3 – A liderança e a organização dos trabalhos fica sempre a cargo do responsável pelo centro anfitrião.

5 – Independentemente dos rituais de cada linha, vigoram sempre os princípios básicos da fraternidade, da solidariedade, do respeito mútuo, da empatia, da harmonia e do altruísmo entre os irmãos de fé.

6 – É dever de todos os que exercem atividades ritualísticas, observar os princípios de respeito à mãe natureza, buscar o equilíbrio ecológico e promovendo a limpeza dos locais onde tiverem sido feitos despachos.

7 – É dever de todos os que seguem os princípios da Umbanda, evitar danos à mãe natureza, abstendo-se de acender fogueiras ou deixar velas acesas junto às matas e campos, deixar objetos poluentes dentro de águas de nascentes, rios, córregos lagoas ou cachoeiras.

8 – É importante lembrar que em qualquer contato com as entidades através de despachos, o que vale para a obtenção dos resultados pretendidos é o que vai dentro da alma do crente e, principalmente, dentro da intenção do médium que executa os rituais, ficando em
segundo plano, a parte exterior envolvendo objetos, alimentos, bebidas, e partes de vestuário que devem ser recolhidos pelo médium ou por seus assistentes no final do ciclo.

9 – O princípio básico de que a união faz a força e a utilização de esforços mútuos em busca de um objetivo comum “ E pluribus, unum” deve nortear cada pensamento, cada palavra e cada ação de todos os que professam a Umbanda.

10 – São estimulados, tanto a prática de rituais conjuntos, seja nos centros, seja na execução de trabalhos encomendados pelos fiéis, como durante a realização de Encontros periódicos em forma de seminários ou congressos, de abrangência nacional ou regional.

11 – Seguindo os preceitos da Umbanda, condena-se a prática de rituais que visem prejuízos materiais, morais, danosos ao patrimônio ou à saúde de outrem, ainda que sejam com o objetivo de retorno de um trabalho anteriormente encomendado por representantes de outras crenças religiosas.

12 - É dever de todos buscar a utilização de meios de comunicação para divulgar a Umbanda, seus princípios, seus objetivos e sua beleza, buscando obter maior respeito de toda a comunidade, estimular a vinda de mais adeptos, principalmente daqueles detentores do poder temporal, das lideranças comunitárias, dos meios de comunicação, da segurança pública, da educação e da saúde no âmbito da União, dos Estados e dos Municípios.

Cidade de Belo Vale, Estado de Minas Gerais, aos dezessete dias do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e um.

Signatários:
Participantes do Iº Encontro Nacional de Umbanda