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domingo, março 13, 2016

ESCLARECIMENTOS

Foram retirados do blog alguns textos devido a ordem judicial (liminar) expedida por juíza do Juizado Especial Cível de Itanhaém em processo que Rivas Neto move contra dois ex-seguidores que tiveram nomes e textos reproduzidos neste espaço.
No que pese a ordem judicial atingir apenas os espaços pessoais dos envolvidos, não figurando o autor deste blog como réu em nenhum procedimento judicial, resolvi deletar as postagens para evitar falsas interpretações e alegações de não cumprimento da liminar concedida, prejudicando eventualmente os envolvidos.

Reitero que os textos aqui divulgados tratam de FATOS, de informações que são confirmadas por outras fontes, muitas delas de cunho oficial como é o caso da postagem sobre a ausência de titulação de especialista de Rivas Neto como cardiologista e intensivista.

Não se tem notícias de que ele tenha apresentado, pelo menos até a última sexta-feira, 11/03, documentação comprobatória destas especialidades junto ao CREMESP ou que conste, ao menos, registro destas titulações junto às sociedades médicas responsáveis pelo reconhecimento das mesmas.

A questão da pseudo condição de Rivas Neto como sucessor do legado de Matta e Silva, evocado na inicial como algo desairoso à sua pessoa (a Verdade é ofensiva a este senhor) é fato público e notório, inclusive com a recente publicação de um vídeo onde pessoa da relação do Mestre Yapacani afirma, de forma categórica, que o mesmo não deixou sucessor e narra como o documento com firma reconhecida foi conseguido.

Quanto a suposta condição de sacerdote em Candomblé, Encantaria, Umbanda, de Rivas Neto, é direito deste articulista (e de qualquer outra pessoa) não reconhecê-lo como tal, contestar sua legitimidade, seja lá quanto tempo o mesmo tenha de religião.

Em relação aos textos sobre empréstimos inadimplidos por parte de Rivas Neto com os ex-seguidores que ora o mesmo processa, é fato público e notório, inclusive com notificação extrajudicial por parte dos credores ao mesmo.

Na petição inicial o mesmo não nega os empréstimos, assim como não fornece informações de que os mesmos foram adimplidos. Aliás, operações que muitos seguidores de Rivas Neto vieram a público dizer que se tratavam de "doações" após a divulgação do texto "Banco de Santo S/A".

Na inicial, Rivas Neto cita que o autor deste blog o teria acusado de "assédio sexual" em comentário em rede social.

A interpretação do que foi escrito fica à cargo de quem leu.

Em NENHUMA postagem neste blog, ou em qualquer outra mídia o autor acusa Rivas Neto ou qualquer outra pessoa de crime, no que pese ter ciência de, pelo menos, dois boletins de ocorrência lavrados na cidade de São Paulo em desfavor do mesmo.

No entanto, BO's são meras peças informativas, não tendo o condão de dizer que alguém é culpado de qualquer ilícito, cabendo à Justiça, através do devido processo legal, definir quem é culpado ou inocente das acusações.

Até que haja uma sentença transitada em julgado todos, incluindo Rivas Neto, assim como as pessoas contra quem o mesmo demanda judicialmente, são inocentes.

Ainda na inicial da ação que move contra seus ex-seguidores, o tal Rivas Neto fala que os fatos e opiniões publicadas fizeram que houvesse a debandada de pessoas de sua comunidade e que isto trouxe prejuízos.

Novamente ele confirma que depende financeiramente da religião, assim como já havia feito em vídeo onde disse "viver da Umbanda".

Não é crime (observados certos limites) viver da religião, no que pese ser considerado tradicionalmente imoral no meio das religiões afrobrasileiras. E novamente esta opinião entra no meu direito de assim entender. 

No entanto, se passar por cardiologista e intensivista sem a devida titulação pode ser considerado, em tese, crime de falsidade ideológica. E aqui não se trata de mera formalidade administrativa de não se registrar junto ao Conselho de Medicina os títulos e sim não ser detentor dos mesmos e possuir até mesmo receituário como "cardiologista".

Por fim, as opiniões emitidas neste blog, por anos diga-se de passagem, são opiniões do autor sobre a figura pública de Rivas Neto e sua condição de sacerdote seja lá do que se arvore ser.

Não o reconheço como sucessor de Matta e Silva, como sacerdote de Umbanda, Encantaria ou Candomblé e jamais afirmei, em nenhum texto ou comentário, que o mesmo cometeu qualquer tipo de crime, mesmo sendo do meu conhecimento que existem pedidos de providências no âmbito criminal em desfavor do mesmo o que, se reitera, não tem o condão de fazê-lo culpado das acusações que contra ele pesam até trânsito em julgado de sentença condenatória.

Por fim, estou à disposição para prestar esclarecimentos no âmbito  judicial e testemunhar a favor destas pessoas. Não me intimidei no passado e não serei intimidado no presente.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

BRUTUM FULMEN

Apesar de ter material, não vou falar do nosso amigo e irmão milenar Rivas Neto, o "Mestre Tântrico Curador" que diz ter curado o câncer de uma de suas discípulas, mas que sofre de uma doença bem menos agressiva chamada psoríase.  Assim como os pastores evangélicos que curam de tudo, mas quando ficam doentes correm para o hospital Albert Einstein, ao que parece os poderes curativos do "Babá" não conseguem curá-lo de uma dermatose. 

Mas isto é assunto para outra postagem.

A expressão que dá título a esta postagem era utilizada pelos romanos quando queriam se referir a uma ameaça inofensiva ou vazia. Literalmente, "brutum fulmen" quer dizer "raio sem sentido".

Ontem resolvi pesquisar os nomes de pessoas que eram bem ativas e conhecidas no Movimento Umbandista há uma década atrás. De algumas não se tem mais notícias no meio, já que largaram a "Banda" e seguiram outros caminhos. Um outro, figurinha fácil, cheio de livros virtuais, que alguns tomam como maluco e pisava nas pegadas do "Babá", inclusive na marmotagem "tântrica", agora é um "xamã" com dirito a cabelos longos, cocares, cachimbos e fotos com expressões de conhecidas gravuras de índios Sioux. 

No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o blog de uma certa "tenda de umbanda esotérica" aqui em Belo Horizonte, onde o seu "mestre", conhecido aqui neste espaço por criar espaços "fake" usando o meu nome e minhas fotos, onde ao mesmo tempo que fala de amor, de paz, disto e daquilo, ataca de forma virulenta seus desafetos. 

Ainda me causou grande estranheza que o mesmo tenha ido visitar o seu "Pai de Santé" que, aliás, pelas fotos, não demonstra nenhuma felicidade com a sua presença, não esboça um sorriso sequer em nenhuma delas, mesmo que tenha me confidenciado que fora achacado por seu iniciador, cobrado em 2 mil reais à época para ser iniciado (e isto já se vão anos) e mesmo tendo pagado tal "salva", com "comprovante de depósito" em mãos, era sistematicamente alvo de "cobranças indevidas" do casal que, supostamente, o teria coroado "mestre". 

Lembro-me desta conversa (e ainda a tenho registrada), onde o "mestre" dizia que queria distância daquele casal, que seguiria sua vida e sua "missão" sem nunca mais respirar o mesmo ar que "aqueles dois". 

Pelas fotos, vejo que o varão deste casal está muito magro, abatido, parecendo estar sofrendo (ou ter sofrido) de alguma enfermidade. Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a ausência da alegria em um senhor que, quando o conheci, era sempre muito alegre, expansivo, de sorriso fácil e de porte imponente, mesmo porque é militar da reserva remunerada. 

Ainda me causou perplexidade as incongruências nas diversas postagens: uma hora o sujeito era todo sorrisos para a turma do "Babá", saudoso dos tempos do "CONUB/MG", sendo convidado para congressos, mas não muito longe no "espaço-tempo" do blog, já se referia à este pessoal como "certa ordem iniciática de São Paulo", insinuando ter conhecimento de coisas escabrosas que ocorreriam ali dentro e vai por ai. 

O "mestre" que fala muito de ética, de ser avesso a maledicências, fofocas, guerras (mas que contraditoriamente ataca seus desafetos com expressões próprias de uma prostituta de quinta) é o mesmo sujeito que fica criando, como já dito, sites e blogs "fakes" para relacionar seus desafetos comigo. Em meio a busca de ontem, achei um perfil do "Google+", com uma foto do Mestre Marashitan identificada como "Mestre Ubajara", conforme vemos abaixo:


Este sujeitinho, que tem um discurso fácil, que fala muito de ética e cobertura do "verdadeiro astral", que vive a pontuar que tem mais de "30 anos" de Umbanda, é o responsável pelo "blog-fake" "Zumbanda" (aliás, expressão usada de forma recorrente em vários textos mal escritos do pilantra) e também do "tuosacuesaesmeraldas.blogspot.com", que foram tratados aqui e aqui. 

A insistência deste imbecil em ligar seus desafetos à mim segue uma lógica, já que, como está registrado neste espaço, por anos fui vítima da calúnia, da difamação e da perseguição de muitos setores insatisfeitos com o Vozes de Aruanda.

Nesta postagem provo que, ao contrário do silvo das cobras, jamais respondi qualquer processo criminal, seja lá onde for. Diferente do que a "turma do pimpão" e outros detratores afirmavam, ao dizer que haviam "centenas" de procedimento judiciais contra mim. 

Novamente faço um alerta a vocês que estão por ai como mariposas a procura da "luz" um "mestre": cuidado com as arapucas. Você será muito bem recebido por gente como este sujeito, que enriqueceu às custas da credulidade alheia, que nunca trabalhou na vida, exceto fazendo defumações e "preceitos", para os clientes de sua "casa de santo". 

O cara sempre fala muito de "homofobia", mesmo porque é homossexual assumido, o que, de minha parte, não tenho absolutamente nada contra. Tenho amizades com homoafetivos de ambos os sexos, que se diferem do "mestre" por levarem uma vida produtiva, trabalhadora, honesta, ética, sem tempo livre para ficar criando "fakes" para caluniar e difamar. 

Tenha certeza, sujeito, que "Zumbanda" e "TUO Esmeralda" não caíram no esquecimento. O DERCIFE já tem os dados que necessita e, em breve, você receberá uma intimação para se explicar. 

sábado, fevereiro 06, 2016

O ESPECIALISTA SEM ESPECIALIDADES

Quem conhece Rivas Neto e suas obras, deve saber que ele se apresenta como médico especializado em cardiologista e medicina intensiva. Uma breve consulta no sistema Google e temos alguns resultados comprovando isto:





Em um trabalho acadêmico apresentado no XII Simpósio da Associação Brasileira de História das Religiões (03/6/2011), de autoria de João Faria de A. Carneiro (discípulo e braço direito de Rivas Neto), intitulado Religiões Afro-brasileiras: pesquisando entre a anamnese e a maiêutica, temos:



Então, curiosos que somos, fomos dar uma olhada no site do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) e tivemos como resultado, consultado o nome de Francisco Rivas Neto, médico registrado naquele Conselho sob o número 38131, o seguinte:


Vamos destacar, novamente, o que está escrito no registro do "Doutor" Francisco Rivas Neto, mantendo até a mesma fonte e cor:

Não possui especialidade registrada no CREMESP

E verificamos no site do Conselho Federal de Medicina também:


Mas, como sempre damos o benefício da dúvida, resolvemos consultar o site da Sociedade Brasileira de Cardiologia e verificar se o nome do "poderoso Babá" estaria na lista completa de médicos detentores do TEC (Título de Especialista em Cardiologia) e o resultado foi este:


Então, seguindo a dica de João Carneiro em seu trabalho acadêmico, fomos até o site da Associação de Medicina Intensiva Brasileira para verificar a titulação de Francisco Rivas Neto como especialista em "Medicina Intensiva". E, novamente, nos frustramos:


E, incansáveis, fomos ao site da Associação Médica Brasileira:


O Código de Ética Médica, em sua atualização mais recente que vigora desde abril de 2010, no capítulo sobre publicidade médica, é bastante claro ao expressar que é vedado ao médico “anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina” (Art.115). Ou seja, o registro do título de especialista no CRM é obrigatório. E o não registro poderá ser caracterizado como infração ética.

Então, "ausência de prova não é prova de ausência", não podemos afirmar, categoricamente, que Francisco Rivas Neto não detêm os títulos que diz possuir, mas frente a legislação, caso realmente os possua, está cometendo uma infração ética ao não registrá-los junto ao CFM/CREMESP e é passível de responder legalmente por isto.

Por outro lado, vaidoso como é, não acreditamos que o "Babá" deixaria de proceder os registros de seus supostos títulos, ainda mais tendo consciência da encrenca que poderia arrumar se fazendo passar por "especialista em cardiologia e medicina intensiva" e ainda levando seus discípulos a publicar esta informações em sites e trabalhos acadêmicos. 

Outro detalhe que chama a atenção é que nunca são mencionadas as instituições onde Rivas Neto fez sua pós graduação em Cardiologia e Medicina Intensiva ou mesmo onde realizou a residência médica nestas especialidades.

Não há também um Curriculo Lattes do "Babá", ausência estranha para um diretor de faculdade que se diz especialista em dois ramos da medicina, assim como "pesquisador e estudioso das religiões afro-brasileiras",
com trabalhos publicados em "congressos e revistas acadêmicas nacionais e internacionais".

Ao fim de nossa incansável busca, ficamos imaginando o que Robin diria ao Batman depois de usarem o "bat-computador" para pesquisar as especialidades do "Babá":

- Santo botox, Batman!!! 


Referências:
1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº. 1785/2006. D.O.U. 22 de junho de 2006, Seção  I, p.127. Disponível em: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2006/1785_2006.htm Acesso em: 28 jun. 2007.
2. Associação Médica Brasileira. Normativa de Regulamentação para Obtenção de Título de Especialista ou Certificado de Área de Atuação. São Paulo: AMB; 2004.
3. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº. 1246/1988. D.O.U. 26 de janeiro de 1988.  Disponível em: http://www.portalmedico.org.br/index.asp?opcao=codigoetica&portal= Acesso em 28 jun. 2007.
4. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº. 1.772/2005. D.O.U. 12 de agosto de 2005, Seção I , p. 141-142. Disponível em: http://www.cna-cap.org.br/resolucao.php4 Acesso em: 28 jun. 2007.
Todas as consultas nos sites mencionados foram realizadas na data de 06/02/2016, entre às 09:30 - 10:00 horas. As mesmas são de caráter público podendo ser refeitas por qualquer interessado.

domingo, julho 13, 2014

FAQ UMBANDISTA


Aproveitando que estou inspirado, resolvi publicar este artigo que há muito tempo está adormecido entre meus rascunhos. É também uma forma de colocar, parcialmente, a correspondência em dia e responder aos muitos questionamentos que têm chegado diariamente.


Entendam que as respostas que darei são baseados em meus pontos de vista e vivências nestes 28 anos de Umbanda. No entanto, não tenho a pretensão de esgotar nenhum assunto ou mesmo ser o detentor de alguma verdade absoluta. 



Vamos as perguntas:


1) É possível que os médiuns dotados desta cobertura espiritual e bem entrosados com os guias e protetores que lhes assistem, possam ser guiados e direcionado (intuídos) por estes (protetores, guias..) a determinados estudos, livros e até mesmo impulsionando os médiuns a proceder com " amacy, banhos de ervas, aprendizado das grafias da lei de pemba, etc." ? Faço este questionamento pela dificuldade em saber o que é fanatismo, vontade própria e  intuição.

Resposta? Sim, é plenamente possível. Vamos lembrar que Matta e Silva foi iniciado por Pai Guiné Mestre Yoshanan) e tudo que recebeu foi por intermédio da espiritualidade. Nem todo médium terá um iniciador carnal ou mesmo alguém que o oriente. Sempre digo, inclusive com base nos escritos de Mestre Yapacani, que a figura do "Mestre" na vida do médium é dispensável, já que os maiores Mestres que ele terá são seus próprios Mentores Espirituais. 

Já falei sobre isto em outro artigo que os convido a ler.

2) Como podemos discernir sem a faculdade da clarividência, em uma corrente mediúnica, se o médium chefe mistifica ou não? Às vezes percebo que a "entidade" comunica-se colocando para fora a personalidade do médium, qual seja, áspero e rude. Ex: Médium áspero e rude, preto velho age com grosseria ferindo o brio dos médiuns. Qual orientação o senhor me daria ?


Como exponho na série de artigos sobre mistificação que iniciei na última semana, a entidade que demonstra muito da personalidade do médium, inclusive tendo atitudes que não condizem com sua condição espiritual superior, são suspeitas. Por óbvio que há certo grau de influência do médium na comunicação (e quem diz que não tem é mentiroso), mas em uma incorporação firme e verdadeira, teremos a "personalidade" da entidade sobrepujando a do médium. Quando acontece o inverso, ou seja, há mais do médium do que da entidade durante a incorporação teremos, no muito, uma radiação destas para aquele, o que pode comprometer os trabalhos.

3) Seguindo a esteira da segunda pergunta, vale a pena o médium se "arriscar " e participar do grupo ?

Se a pessoa já se sente desconfiada, com o "pé atrás" em relação à corrente e seu dirigente, o mais sensato é continuar mais um tempo frequentando a Casa e sondar o ambiente. Não se arrisque a estar sobre a influência espiritual de ninguém se não tem confiança plena. 

4) Tem como se auto iniciar com os livros de Matta? pedir ajuda ao meu astral? Já que onde moro não existe alguém que seja iniciado na Raiz de Guiné.

Não existe auto-iniciação. No entanto, você pode ser auxiliado e até mesmo iniciado pelo Astral que o assiste, desde que seja este o seu karma. No entanto defendo que o médium (de Fato e de Direito) não precisa ficar se preocupando com iniciações formais. Se há um Astral o assistindo, tudo que é necessário virá através dele. Conheço Casas abertas há anos em que o médium segue simplesmente as orientações de seus Guias e Protetores e nada há que se possa falar de negativo de seus trabalhos. Por outro lado, conheço tanta gente "feita" que... bem, melhor eu não falar, quem segue este blog já deve ter lido sobre estes tipos.


5) Sou médium há 20 anos e não tenho sentido mais minhas entidades (sic). Recentemente fui a um famosos terreiro aqui no Rio de Janeiro e me disseram que meus mentores foram aprisionados por um trabalho feito por um desafeto. Como posso reverter isto e libertar minhas entidades?

Vamos deixar claro de uma vez por todas que entidades espirituais não podem ser aprisionadas, amarradas ou sofrer qualquer outro tipo de privação por parte de trabalhos feitos. Isto é uma bobagem sem tamanho, uma crendice inventada por gente que deseja manter médiuns dependentes de sua influência. Se as "suas" entidades não se fazem mais presentes, pode ser que nunca existiram ou se afastaram de você por alguma falta. 

6) Sou casada há 9 anos e frequento um centro de umbanda aqui em São Paulo. Na última gíra a entidade chefe do Terreiro disse que meu casamento está no fim e que meu destino seria ficar com o "cavalo" dela. Realmente meu casamento não vai muito bem e confesso que sinto certa atração pelo médium que dirige a casa. O que acha?


Acho que este "médium" é um tremendo cafajeste e que não há entidade alguma se manifestando através dele. Não sei qual o problema com o seu casamento e não sou ninguém para condená-la por se sentir atraída pelo dirigente, no entanto vejo com muito maus olhos entidades este tipo de situação. Que o seu casamento não esteja muito bem, vá lá... mas ser o seu "destino" formar um casal com o tal médium já é canalhice da parte dele incutir isto em sua mente. 


7) Em outra encarnação fui um sacerdote egípcio e sinto que nesta encarnação prossigo com minha missão. Uma das entidades que recebo é Hórus... 


Esta não foi uma pergunta, mas o relato de um "médium" que diz receber todo o panteão egípcio. Resolvi colocar neste FAQ para demonstrar como as pessoas são suscetíveis à influências e como podem ser convencidas facilmente quando algum espertalhão resolve levar vantagem da sua credulidade. No restante do relato, este leitor diz que pagou a bagatela de 40 mil reais para ser "iniciado" nos "mistérios do antigo Egito".  Como diz meu velho pai, todos os dias saem dois bobos de casa: o mais esperto passa a perna no outro.

8) Tenho uma pomba-gira Maria Mulambo, que sempre me faz trair meu namorado. Muitas vezes vou para as baladas e quando assusto estou deitada ao lado de um completo estranho. Ela me faz beber muito e teve uma ocasião que acordei mantendo relações com três homens. Sofro muito com esta situação mas não consigo me libertar. Já procurei vários terreiros que não conseguiram afastar esta entidade maligna. O que faço?

O seu problema não é espiritual, por isto nenhum Terreiro poderá livrar você disto. O que vejo de pessoas dizendo que agiram desta ou daquela forma por conta de influências espirituais, não está no gibi. Se você, mesmo vivendo um relacionamento sério, resolve ir para uma boate sozinha, enche a cara de forma a perder os sentidos e mais de uma vez acordou ao lado de homens estranhos é sinal de que a situação toda não é de toda desconfortável. Talvez você seja ninfomaníaca, tenha tara com relações com estranhos e simplesmente queira viver plenamente sua sexualidade, no entanto assuma isto e não coloque a culpa em obsessões espirituais. Se isto realmente a tem incomodado, procure a ajuda de um psicólogo ou, talvez, até mesmo de um psiquiatra, que poderá auxiliá-la melhor do que um Terreiro de Umbanda.

9) O que acha da Lei de Salva? É legitima a sua cobrança?

Neste artigo trato do assunto.

10) Qual a sua opinião sobre o médium Robson Pinheiro?

Escrevi vários artigos sobre este "médium" escritor. Aconselho a leitura deste artigo e dos demais que podem ser acessados através do marcador de mesmo nome ao final da postagem.

11) Como faço para ser seu discípulo?

Não há a menor possibilidade de você ou qualquer outra pessoa ser aceita como discípulos. No máximo tenho orientado algumas médiuns dirigentes através de contatos via email, telefone e uma ou outra vez pessoalmente. Hoje estou envolvido em outros projetos pessoais, não tenho mais a mesma disposição que tinha para ficar viajando pelo país abrindo Terreiros para depois ser renegado por gente ingrata e sem caráter, que adoram cuspir no prato que comem. Claro que isto não se aplica à todas as pessoas, mas prefiro ser mero apontador do caminho, sem responsabilidade sacerdotais ou de Mestre. Aliás, já estive tantas vezes nas berlinda, colocado lá por gente que ajudei, que tirei do buraco, que estou cada dia mais seletivo para me dispor a auxiliar alguém.

A MISTIFICAÇÃO NOSSA DE CADA DIA E O ESTOURO DE UM TERREIRO - PARTE III

Imagine que está em uma Casa de Culto e começa a gíra de Exus. 

O dirigente incorpora aquela que deveria ser a entidade que comanda os trabalhos, que saúda o congá, corrente, a assistência e, logo depois, se dirige a uma senhora e se ajoelha aos pés dela em reverência.

Esta cena acontece cotidianamente em um Terreiro de uma cidade do interior do Rio de Janeiro. 


Vamos lembrar que é comum no meio dos Cultos Afro-brasileiros a demonstração de respeito aos Bàbálòrìsàs e às Yálorísás, com o pedido de benção, com o dobalé, etc, no entanto ENTIDADES não se prostam ou ajoelham diante de ninguém, ainda mais se tratando de Exus.
Como tratei em outros artigos, há uma verdadeira dominação e controle de ditos "pais e mães-de-santo" aos membros da corrente e até mesmo da assistência. 

Já me chegaram relatos de filhos-de-santo que são agredidos fisicamente pelos seus "pais" como castigo a alguma falta. Outros nos dão conta de servidão doméstica de yaós, obrigados a fazer às vezes de faxineiros não somente na Casa de Santo, mas também na residência do dirigente. E nem vamos comentar a servidão sexual que alguns se submetem, pois já demos uma pincelada no assunto.


Alguns médiuns, como é o caso de João de Abadiânia, chegam ao ponto de utilizarem cadeiras que mais parecem tronos, instalados em uma espécie de plataforma que o mantém em um nível superior dos demais. Outros que querem fazer crer que são antigos condutores da humanidade, se auto-intitulam de toda forma, desde "yamunishida", "hierofante", além de outros de origem africana, exigem cega obediência de seus seguidores e muitas vezes é mais cultuado do que os próprios Òrisás.

Vamos entender de uma vez por todas que fazer parte de uma comunidade religiosa, seja Terreiro, Caso de Culto, Templo ou a denominação que queira se dar, não é um contrato de escravidão e submissão ao dirigente. Se há alguma submissão é aos Òrisás, Guias e Protetores, sendo que o dirigente da Casa de Culto é mero  facilitador e orientador para tanto. 

Não mesmo comum é o favorecimento por parte não somente do dirigente do Terreiro, mas também das ditas entidades que o assistem, às pessoas que colaboram financeiramente com a Casa, que se relacionam afetivamente com pessoas ligadas ao seu alto escalão, dentre outras coisas. A igualdade tão pregada pelas Entidades, neste caso, não existe.

Em minhas andanças por este país afora, não vi de tudo (ou quase) nesta "Umbanda de Todos Nós" mas de algum tempo para cá tenho me deparado com relatos absurdos, coisas próprias de gente doente, como práticas ditas "umbandistas", havendo uma ênfase muito grande para a exploração sexual e financeira de frequentadores e membros da corrente. 

É claro que muito do que acontece é com a condescendência das próprias pessoas. Muita gente se submete a determinadas situações para ficar mais próxima ao que acreditam ser "Poder" e, claro, se beneficiarem com isto. 

Um caso que conheço é de um empresário de São Paulo que deixava, de bom grado, que o "sacerdote" do Terreiro que frequentava desfrutasse dos favores de sua esposa.

Outro que deu uma "salva" de 400 mil reais ao mesmo "sacerdote" para que resolvesse determinada demanda judicial, caso que qualquer acadêmico do 1º ano do curso de Direito saberia dizer que, com ou sem intervenção magística, seria de vitória fácil.

Não se enganem: por detrás da pele de ovelha, em geral, está o lobo.

Na sequência, vamos dissertar sobre como a má gerência de uma Casa de Culto pode trazer consequências espirituais graves a todos os envolvidos.


quinta-feira, julho 10, 2014

A MISTIFICAÇÃO NOSSA DE CADA DIA E O ESTOURO DE UM TERREIRO - PARTE II

Há alguns anos surgiu no meio umbandista uma tendência forte ao tantrismo¹ onde alguns se disseram "mestres tantras curadores" e outros encheram as páginas dos seus livros de "exus" sexualmente bem dotados e "pomba-gíras" devassas e que necessitavam do "poderoso negativo" de sua contraparte masculina para reacender seu "àsé". Aliás, nesta obra em particular, a cada duas páginas havia a descrição de relações sexuais entre "exus".

Bastou que eu fechasse a postagem de ontem informando que não sequência falaria de sexualidade e moralidade dentro dos Terreiros e minha caixa de mensagens ficou repleta de "causos" (em bom "mineirês") sobre as mais diversas patifarias envolvendo "entidades" e sexo.

Os relatos começam com orgias em rituais específicos, onde somente os "cabeças" do Terreiros são chamados e as mais belas médiuns escolhidas para beber do "néctar tântrico", assim como ver de perto a "vara tântrica", passando por "pomba-giras" que ao final da sessão, escolhe entre a assistência quem se deitará com ela. Um famoso "pai de santo" no sul do país, sempre se dispõe a colher o "àsé branco" de jovens e vigorosos "filhos".

Extremos à parte, não é incomum que dirigentes e médiuns mal intencionados utilizem da suposta mediunidade para conseguir favores sexuais. Já vi "entidades" que disseram à jovem assistente que ela e o seu médium tinham uma "dívida kármica" a ser paga e por isto deveriam manter relações sexuais.  
A grande questão não é o envolvimento afetivo-sexual entre os membros de um Casa de Culto. Onde há pessoas, haverão relacionamentos, sem nenhuma dúvida. A grande questão é como estas relações nascem e principalmente como elas se desenvolvem. 

As entidades espirituais tem muito o que fazer e se preocupar para servirem de cupidos alcoviteiros. Não cabe à elas ficarem alertando sobre ligações kármicas e interferindo no livre-arbítrio e na liberdade afetiva-sexual dos médiuns. Se realmente o médium "X" tiver algo a viver com a médium "Y" (claro, que sem descartar eventuais relações homoafetivas que possam surgir) isto acontecerá naturalmente, sem a interferência do mundo espiritual.

Em algumas Casas de Culto é proibido o envolvimento entre os médiuns e entre estes e os frequentadores. Em minha opinião, além de inócua, visto que as pessoas passam a maior parte do tempo fora do ambiente do Terreiro e o que fazem fora dali não diz respeito ao dirigente, é invasiva já que não cabe a nenhuma instituição interferir na vida pessoal de seus membros.

Mais do que as questões envolvendo a afetividade dentro do ambiente de Terreiro, havemos, dirigentes, médiuns e assistência, de nos atentarmos à outros fatores que podem interferir não somente na harmonia da Casa, mas também em seus trabalhos.

A moralidade não está, obviamente, ligada somente a questão sexual. Não raramente questões envolvendo dinheiro, fofocas, ciúmes e outros assuntos levam a conflitos e dissidências dentro da Casa. Em meus 28 anos de Umbanda, já vi Terreiros fecharem por conta de dívidas entre médiuns, má gestão dos recursos financeiros da instituição, favorecimentos, dentre outras coisas que são facilmente evitáveis.  

Por fim, quero lembrar que não cabe nenhum tipo de preconceito dentro da
Casa de Culto, em especial no que diz respeito a homoafetividade. É uma fato histórico que as Casas de Santo sempre acolheram homossexuais em seu seio, sem nenhum tipo de restrição. Hoje sinto-me envergonhado ao ver alguns que se dizem umbandistas e candomblecistas destilando preconceito contra homossexuais em redes sociais. 

Alguns, por certo, dirão que Matta e Silva condenava a homossexualidade, inclusive afirmando que homossexuais não podiam trabalhar mediunicamente ou mesmo ser iniciados. Algumas passagens em seus livros tinham clara conotação homofóbica, no entanto, no que pese meu profundo respeito ao Mestre Yapacani, nunca consegui encontrar outra referência ou tratado esotérico falando sobre a inferioridade mediúnica dos homossexuais ou sua incapacidade moral para exercer o sacerdócio.

Quero aproveitar para agradecer os muitos emails que tenho recebido e me desculpar pela demora nas respostas. Além dos meus compromissos profissionais, pessoais e religiosos, meu pai encontra-se enfermo e tenho me desdobrado para auxiliar nos cuidados a ele.

Em relação ao futuro do blog, devo terminar esta série de artigos e não sei quando voltarei a escrever. Certamente devo escrever um artigo respondendo as principais dúvidas que me chegam através de email. Como disse ao meu amigo Pablo Aberinyuado, sempre que surgir algo que me inspire a escrever, o farei.

Na terceira parte, falarei sobre favorecimentos pessoais, culto a personalidade e dissidências.

Manáh, Àsé e Bençãos.

Ricardo Machado
Ubajara

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1 - O tantrismo é uma doutrina criada na Índia no século VII, é um conjunto de práticas que prepara o corpo e a mente do homem para aumentar seu conhecimento sobre si mesmo e sobre a realidade que está a sua volta. Foi incorporado pelo hinduísmo e o budismo, pois acreditam que o corpo e o espírito não são duas entidades separadas fazendo parte de um mesmo todo sendo considerados divinos. As principais divindades do tantrismo são Shakti que é a energia feminina, ativa e símbolo da matéria e Shiva que é o princípio masculino, passivo que representa o espírito. O objetivo do tantrismo é unir Shakti e Shiva a fim de manipular a energia do corpo. Tal prática ficou conhecida como sexo tântrico. 

quarta-feira, julho 09, 2014

A MISTIFICAÇÃO NOSSA DE CADA DIA E O ESTOURO DE UM TERREIRO - PARTE I

Não faz muito tempo e uma leitora conseguiu me encontrar em uma rede social e enviou um email pedindo para estreitarmos o contato. É sempre um grande prazer quando isto acontece pois permite que eu conheça pessoas sérias e bem intencionadas dentro da Umbanda.

Nesta semana ela me procurou para falar sobre um dilema que tem passado, o que a levou a uma crise de fé. Não irei detalhar o caso, já que outras pessoas envolvidas podem estar lendo isto, mas a coisa toda se resume na mistificação perpetrada pelo dirigente do Terreiro e pela covardia dos demais integrantes do mesmo em dar um basta em algumas coisas.

Vamos começar falando do velho mito do médium "100% inconsciente" e da mistificação. 

É de crença geral no meio umbandista que médiuns para serem "firmes", devem estar inconscientes, já que de outra forma interferem no trabalho da entidade. Isto é uma tremenda bobagem.

A mediunidade é um meio de aprendizado para o médium e caso ele esteja "apagado" aprenderá o que com o trabalho? Qual seria o sentido das entidades tratarem o médium como mero veículo que ao deixarem de usar, guardam em uma "garagem" até a próxima vez que necessitem?

O médium que quer convencer de sua inconsciência é, de forma geral, aquele que quer fazer com que tudo que venha através de sua mediunidade seja algo incontestável, tendo em vista que é a palavra de um ser espiritual. Não é muito diferente do pastor que afirma que Deus falou com ele e por isto aquilo que está dizendo deve ser observado e cumprido.

Antes que venham as lamúrias, percebam que eu disse que "de forma geral" aqueles que se dizem inconscientes assim fazem, o que não descarta que existam médiuns legítimos e honestos nestas condições. No entanto, em meus 28 anos de Umbanda, conheci um ou dois médiuns nestas condições que com o tempo evoluíram para uma mediunidade semi-consciente.

Mas - pergunta o arguto leitor - em quê esta questão pode influenciar o dirigente, a assistência e o Terreiro de forma geral?

Ora, por óbvio TODA MANIFESTAÇÃO ESPIRITUAL tem influência do médium e muitas vezes este se aproveita para se comportar de forma, digamos, inusitada, para depois dizer que é da "personalidade" da entidade comunicante.

Então você, leitor, acredita mesmo que um "exu" que grita com os médiuns, que esmurra paredes, que ameça médiuns de agressão física, realmente merecem alguma credibilidade? Que raios de entidade é esta que age igual ou pior do que aqueles aos quais tem a pretensão de ajudar?

Ao meu sentir, uma cena como a narrada acima não é caso de interferência do médium e sim de mistificação pura e simples. E quanto mais arrogantes, quanto mais acreditar que é um "avatar", um "semi-deus", mais atitudes como esta o suposto médium apresentará. 

Aliás, o tema vem ao encontro de outra pergunta que recebi por email, que acredito ser pertinente tratarmos aqui: como discernir se o médium está ou não mistificando, sem o dom da vidência?

Vamos esclarecer que a vidência é um dos tipos de mediunidade mais raros que podemos encontrar, no que pese a quantidade de pessoas que se dizem videntes e que não se constrangem ao dizer que vêem e conversam com entidades como se fossem pessoas encarnadas. 


Já ouvi médium dizendo que fica em receoso em sentar-se em coletivos e até mesmo em aviões pois sua vidência é tão apurada que já não consegue diferenciar entre encarnados e desencarnados. Aliás, já li coisa semelhante atribuída a Chico Xavier, o que me leva a crer que a vaidade só faz com que estas pessoas repitam este quadro que, sinceramente, duvido até mesmo que tenha acontecido com o famoso psicografo.  

Portanto, sendo rara tal faculdade, basta usar de bom senso e observação para descobrir se está diante de uma entidade legítima ou de um mistificador. 

Vamos partir do princípio que Entidades de Fato e de Direito são esclarecidas, moralmente superiores à nós, com uma visão macro de ambos os mundos. Se assim são, não podem tomar posturas ou ter rompantes que não condizem com esta condição superior. 

Portanto, desconfie do médium cuja "entidade" usa ostensivamente de palavreado chulo, que tem predileção em atender pessoas do sexo oposto, que sempre está envolvido em casos amoroso com membros da assistência e da corrente mediúnica, que sempre está demonstrando seus "poderes" com truques de circo, que diz ter passados encarnações como grandes figuras históricas, poderosos magos ou coisa que valha. Lembram de um certo "mestre" que afirma que há milênios é um "condutor" da humanidade? 

O melhor filtro, portanto, é saber reconhecer naquela entidade valores e atitudes elevadas, pois caso contrário a chance de estar diante de uma mistificação "brava" ou de um belo kiumba é enorme.

Vou dividir este assunto em 3 ou 4 postagens para que não fique um texto longo e maçante. Na próxima tratarei exatamente sobre a questão da sexualidade e da moralidade dentro dos Terreiros.

Manáh, Àsé e Bençãos.

Ricardo Machado
Ubajara

quinta-feira, setembro 19, 2013

LUTANDO PELO BOM, PELO JUSTO E PELO MELHOR DO MUNDO

Na data de ontem, 18/09/2013, escrevi uma nota em meu mural de uma rede social onde critiquei veementemente a postura do deputado federal e pastor Marco Feliciano em ter dado voz de prisão à duas jovens lésbicas que se beijaram durante um culto em LOCAL PÚBLICO. Fui procurado pelo responsável pela página "Cartazes e Tirinhas LGBT", que pediu autorização para replicar meu texto naquele espaço, o que autorizei sem maiores problemas.

Como era de esperar, muitos dos meus contatos aqui no Facebook vieram me perguntar se sou homossexual, visto  que não é a primeira (e nem será a última) vez que publico algum texto defendendo os direitos dos casais homoafetivos.

Não sou homossexual.

Assim como não sou usuário de drogas, mas defendo a legalização das mesmas.

Assim como não sou negro, mas defendo o fim do racismo e do preconceito por conta de etnia.

Assim como não sou muçulmano, mas defendo que nem todo muçulmano é terrorista.

Assim como não sou indígena, mas defendo que estes povos tenham suas terras e suas tradições respeitadas e preservadas. 

Assim como não tenho um filho ou parente excepcional, mas sou contra o fechamento das APAE's.

Eu não preciso estar inserido dentro de uma determinada situação para defender o que é justo, o que é certo.

As pessoas estão sempre muito preocupadas com o seu próprio umbigo, em advogar em causa própria, e esquecem que podemos ser, simplesmente, solidários e cerrarmos fileiras contra aquilo que consideramos injusto.

Lamento, novamente, que tanta gente instruída, com valores morais sólidos, educadores e formadores de opinião, aplaudam e tentem justificar esta verdadeira "guerra santa" que alguns políticos e religiosos declararam contra a comunidade homossexual brasileira.

Entristece-me ver como o preconceito está ali, travestido, em palavras como "sociedade tradicional", "tecido social", "respeito à família", dentre tantos outros eufemismos que se traduzem em simples e completa intolerância e aversão ao diferente.

Os argumentos usados, em especial os que evocam conceitos religiosos, purista ("isto não é natural") e a tal "moral social" para justificar a proibição da união de pessoas de etnias diferentes. Não era "natural", a sociedade não "aceitava" e Deus era "contra" um branco casar-se com uma negra.

Na verdade, velhos argumentos para um novo preconceito.

O que vai romper o tecido social neste país não é a equidade de direitos aos casais homossexuais, nem a demonstração pública de afeto ou mesmo a adoção de criança por parte deles. O que romperá a ordem social neste país é a corrupção, os privilégios à políticos, a falta de solidariedade, a insistência do brasileiro em olhar para o seu próprio umbigo, a intolerância religiosa, a injusta distribuição das riquezas, a falta de educação e saúde de qualidade.

Hoje um setor radical e fundamentalista evangélico, escudado por sua bancada no Congresso Nacional, persegue homossexuais justificando isto como "defesa da família", "tradição social", "ordem de Deus".

Amanhã passarão a perseguir religiões afrobrasileiras dizendo (como já dizem) que são demoníacas, que sacrificam animais (como se o Velho Testamento não estivesse cheio de sacrifícios), que somos um "país cristão" e que a "sociedade tradicional" não aceita estes "rituais atrasados".

Logrando êxito, passarão a perseguir os católicos, porque eles "adoram" imagens, porque o padre usa batina, porque os padres fazem voto de celibato e que nada disto está previsto na bíblia, exceto que a adoração de imagens é uma abominação.

Então, revogando Leis e criando outras visando satisfazer seus interesses, estes fundamentalistas cristãos, em um futuro muito próximo, imporão todo o seu sistema de crença e de moral a todos os brasileiros, sempre justificando com os mesmos argumentos que servem tanto para impedir o casamento entre pessoas de etnias diferentes, como para o de pessoas do mesmo sexo.

Quando acordamos, estaremos vivendo em uma teocracia fundamentalista cristã, onde não somente o casamento, o sexo, e a demonstração pública de afeto entre pessoas do sexo será crime, mas também onde o Estado nos dirá a qual divindade rezar, quais as práticas sexuais poderemos ter, o que ler, o que assistir, em quem voltar.

A exemplo das teocracias islâmicas fundamentalistas, vamos começar a prender e, por que não, executar homossexuais, ateus, oposicionistas políticos, que faz sexo não sendo casado, quem come carne de porco ou não frequenta uma igreja.

Se você está lendo este texto e acha que é um exagero, que estas coisas não podem acontecer, pesquise um pouco sobre como funciona em países islâmicos.

Veja, por exemplo, o Irã pós-revolução islâmica o que virou.

Os aiatolás foram aos poucos impondo a "Sharia" e hoje vivem em uma sociedade dominada por conceitos e preceitos arcaicos, ao ponto de se declarar que relações sexuais entre pessoas não casadas são a causa de terremotos e outros desastres naturais, para justificar mais uma Lei que regula as relações interpessoais.

Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão até o inimigo, pois se fugir a esse dever estará a estabelecer um precedente que até a ele próprio há-de atingir, já nos ensinava Thomas Paine no século XVI.

Então, quando levantar a sua voz para ovacionar arbitrariedade contra homossexuais, lembre-se que um dia, por conta dos meus argumentos, os seus direitos também poderão ser feridos.


Garanta, portanto, a LIBERDADE DE TODOS, para que um dia, caso seja você o oprimido, garantam a sua.

quarta-feira, setembro 18, 2013

A RELIGIÃO E O HUMOR

O Brasil vive o que chamo de "Idade Média tardia", em especial no que diz respeito ao fanatismo religioso e, consequentemente, a ascensão política de alguns líderes evangélicos como é o caso do pastor e deputado federal Marco Feliciano que é, na minha opinião, um dos maiores cânceres políticos que este país já viu.

O que vemos hoje, politicamente falando, é uma enorme influência de setores religiosos nas decisões de Estado, enterrando de vez a ilusão de que o nosso país é um Estado laico.

A figura pitoresca de Marco Feliciano, secundada pelo pastor Silas Malafaia, tem rendido muitas polêmicas e discussões, dentre elas a liberdade de expressão, direito fundamental em qualquer país que queira se denominar democrático.
No entanto, não vamos tratar aqui das asneiras teológicas sobre negros amaldiçoados ou a "abominação" do comportamento homossexual. Não vamos falar também do recente abuso de autoridade do deputado-pastor em dar voz de prisão à duas jovens que se beijavam em local público e a indelicadeza e falta de ética deste desqualificado em tratá-las como "cachorrinhas".

Como nossos políticos não trabalham, fica fácil para Marco Feliciano ficar em redes sociais patrulhando ideologicamente seus conteúdos. Não faz muito tempo o "nobre deputado" conclamou ao "povo de Deus" para que que denunciassem este vídeo do grupo de humor "Porta dos Fundos". A imprensa chegou a noticiar que o parlamentar acionou até mesmo a Polícia Federal para retirar do ar o material que ele considerou "ofensivo" a fé cristã.

Toda esta movimentação abriu um debate sobre o humor com temas religiosos, se os humoristas tem ou não o direito de brincar com a fé dos outros.

A minha resposta a isto é um sonoro SIM.

Devemos entender que nada e ninguém está imune a críticas, inclusive a religião. O que é "sagrado" para um, pode não ser para outro e se começarmos a censurar a livre manifestação de pensamento simplesmente porque aquilo atinge nossos valores, então estaremos instituindo bilhões mordaças e, por fim, a tal liberdade de expressão deixará de existir.

Por outro lado, sentir-se ofendido com uma sátira, charge ou piada envolvendo suas crenças não faz nenhum sentido. Havemos de deixar de lado esta mania de agirmos como verdadeiro "advogados dos deuses", em vermos preconceito em qualquer coisa que brinque com nossas crenças.

A sátira atinge aspectos negativos não da religião, mas sim da religiosidade. São os fanáticos que veem a figura de Cristo em torradas e janelas, é aquele umbandista que enxerga e fala de entidades 24 horas por dias, que as únicas músicas que escuta são religiosas, o sujeito que oferece trazer a pessoa amada em três dias, dentre tantas outras esquisitices e extremismos.

Os religiosos de todos os credos vivem a clamar que são alvo de intolerância. Portanto, vamos dar o exemplo e sermos tolerantes e bem humorados. Nossos Orixás, Guias e Protetores, tenho certeza, o são.