Sábado, Outubro 29, 2011

A VERDADE NOSSA DE CADA DIA



Não faz muito tempo, estava conversando com um grupo de pessoas interessadas em espiritualismo/misticismo/ocultismo e "ciências" afins. A bem da verdade, estava mais como um ouvinte atento do que propriamente um interlocutor atuante. 

O que pude perceber naquele grupo (extremamente heterogêneo, diga-se de passagem) é que cada um acreditava, realmente, que estava de posse não de "uma verdade" mas sim de "A Verdade" sobre todo e qualquer assunto que ali fosse tratado. As argumentações começavam em Sófocles, passando por Blavatsky, Clymer, Besant, Freud, Yung, Capra e, por quê não, Paulo Coelho e Zíbia Gasparetto.

Em uma lista de discussão que participo, onde os assuntos são extremamente diversos, mas focam em sociedades secretas, ritos de iniciação, teorias conspiratórias, espiritualidade, enfim, uma tremenda salada, temos um "vidente universal" que, do alto de toda a sua sapiência, afirma que árabes não são semitas, que teologicamente não existiria um "anti-cristo" e sim um  "ante-cristo" (pelo visto, mera questão de semântica), dentre outras idiotices,  enquanto outro afirmar (e reafirma) que a Bíblia foi adulterada, e "comprova" com uma lista imensa de livros apócrifos que deveriam estar lá e não estão, além de toda sorte de magos, bruxos, tarólogos, visionários.

É comum que este tipo de pessoa conteste toda a sorte de crenças, conceitos (científicos inclusive) e tentem substituir tudo isto por sua própria realidade. Uma coisa bem ao estilo do apresentador Adam Savage do programa "Caçadores de Mitos": "Eu renego a sua realidade e a substituo pela minha".


Como não me considero tão sábio ou preparado como estas pessoas, fico apenas analisando tudo que é escrito, todas aquelas "verdades universais" que dezenas, centenas de pessoas diariamente postam em listas, comunidades virtuais, rodas de amigos e, o mais espantoso, como acreditam realmente que tantas asneiras são reais.


É claro que alguém pode dizer que a Umbanda e tudo o mais no que acredito é uma imensa asneira também, um conto da carochinha, que os Orixás não são mais reais do que os deuses do Olimpo ou de Valhala. Que nossos Mentores e Guias espirituais são tão irreais como o saci-pererê, a "Cuca", a mula-sem-cabeça.


Obviamente a resposta que muitos Umbandistas dariam à esta confrontação seria bem diferente daquela que eu darei agora: concordo plenamente.


Talvez daqui há 100, 200 anos, nosso descendente rirão de nossos Orixás, Guias e Protetores, como alguns riem dos deuses gregos, romanos, hindus. Certamente, o conceito de Deus, a figura de Jesus, Maomé, Buda, serão jogados naquele abismo profundo chamado "mitologia" e, caso não surjam novos deuses, teremos uma população, se não completamente atéia, no mínimo agnóstica, com pouca ou nenhuma religião. 

Sexta-feira, Outubro 28, 2011

RICARDO BARREIRA E A FEUCRO

Quando eu achava que nada de novo haveria no "Reino de Aruanda", chega ao meu conhecimento que o Babalorixá Ricardo Bandeira foi afastado da presidência da FEUCRO -  Federação Espírita de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo Reino de Oxalá - pela 1.ª Vara Cível de Bauru/SP.

Os leitores deste blog estão acostumados a ler críticas pesadas de minha parte contra o pessoal do "santo rebolado", portanto não se espantem sobre o que lerão nas próximas linhas.

Acompanho há muito tempo o trabalho do Babalorixá Ricardo Bandeira e o tenho como exemplo a ser seguido dentro da comunidade umbandista. 

Não.

Infelizmente não o conheço pessoalmente, mas desde a primeira edição do "Umbanda Fest" acompanho o trabalho de Barreira e, sinceramente, nunca ouvi (ou li) absolutamente nada que o desabonasse, diferente do que leio e escuto sobre a conduta de tantos "famosos" por ai.


Aliás, Ricardo Bandeira é um dos responsáveis por eu ainda manter este espaço, mesmo que esporadicamente atualizado. Quando ainda usava o twitter, trocamos algumas mensagens e algumas coisas que ele colocou deram uma sobrevida ao "Vozes de Aruanda".


Não conheço o processo, não sei qual foram os fundamentos para o afastamento de Ricardo Barreira da presidência da FEUCRO. Muito menos sei quem é o tal Luiz de Souza que foi conduzido à presidência daquela instituição interinamente.


De acordo com o que li na imprensa, "Luiz é o autor da ação e foi nomeado vice-presidente da Feucro pelo próprio Ricardo há cerca de dois anos. Ele alega descumprimento, por parte de Barreira, das regras estabelecidas no estatuto da federação, incluindo utilização da linha telefônica da instituição para divulgação de cerimônia de filiação a partido político; instalação de sua associação, a Aldeia Tupiniquim, na sede da Feucro, sem qualquer pagamento; e ausência de prestação de contas."


Ao seu turno, Barreira afirma que tem todos os documentos para provar que não existe irregularidade em sua gestão e que tais provas estão à disposição da Justiça e da imprensa.


Por outro lado, a militância política ativa de Ricardo Barreira na cidade de Bauru, em especial no que diz respeito à defesa das religiões afro-descendentes, já geraram outras notícias, dentre as quais destaco o enfrentamento que teve dentro da Câmara Municipal de Bauru e na própria prefeitura por conta de discriminação religiosa.


Pelo histórico de serviços prestados à comunidade umbandista, Ricardo Barreira deveria ser apoiado por todos os umbandistas de São Paulo e, porque não, do Brasil. 


Improvável, em minha opinião, que algo que o desabone surja. Esta situação está cheirando mais a disputa política do que qualquer outra coisa.


Em tempos de tantos religiosos de mentira, que estão mais preocupados em orgias tântricas, "salvas" e outros fins menos honrosos para a religião, um homem como Barreira é, com certeza, uma exceção muito bem vinda. 

60.000 PESSOAS DESDE 2006 - DA SÉRIE "UM IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS"