Mostrando postagens com marcador gíra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gíra. Mostrar todas as postagens

domingo, abril 19, 2009

ESTAS UMBANDAS DE TODOS NÓS

A Umbanda é diversa.

Isto todo mundo já está careca de saber.

Mas diversidade não quer dizer que tenhamos de aceitar tudo como "Umbanda", que devemos fazer matanças em nossos Terreiros ou "virar" no Catimbó somente porque aquele sacerdote, que é nosso amigo, visitará nossa Casa e assim faz em seus rituais. Se ele não se isenta de fazer seus sacrifícios quando o visito, porque deve ser o contrário?

Em minha Casa não se faz matanças, discordo da prática, não acredito ser espiritualmente saudável e, mais do que isto, do meu ponto de vista, julgo desnecessário. Esta é a forma como vejo a questão, não necessariamente é a mais certa ou errado. Só é diferente.

Não usamos cartolas, smokings, ternos, cocares, arco-e-flecha, capas vermelhas e pretas, tridentes e outros "acessórios" para caracterizar nenhuma Entidade. Assim como no caso da matança, julgamos isto completamente desnecessário.

A Criança não será mais alegre e pura se usar uma vestidinho cor-de-rosa ou calças curtas; o Caboclo não será mais forte caso não use imensos cocares que se arrastam, muitas vezes, aos pés do médium ou toca o teto devido ao tamanho das penas; o Exu não será mais "Legbara" se estiver usando um imenso tridente.

Apesar de adotarmos celebrações e até mesmo acreditarmos que não há mal que as Entidades manifestantes usem de certos elementos materiais, inclusive fumo, bebidas e, eventualmente, comida (frutas, farofa, etc), não acreditamos que isto deva ser uma constante, sendo que tais coisas são reservadas para ocasiões e trabalhos especiais.

Não acreditamos estar de posse de nenhuma verdade absoluta, longe disto. Mas primamos por seguir de forma coerente os ensinamentos deixados por Matta e Silva e que absorvemos durante a nossa trajetória iniciática. Não concordamos com algumas práticas, doutrinas e conceitos em outros ritos, mas isto não quer dizer que achamos aquela Umbanda pior do que a que praticamos.

Por outro lado, também não concordamos com a postura hipócrita, verdadeiro preconceito às avessas, que vem sendo propagada no meio umbandista. No que pese que a maioria dos adeptos da religião mantêm uma raiz africanista em seus ritos, nós que acreditamos e praticamos de forma diversa à esta não podemos condená-los, mas também não podemos ser condenados.

A tal "tolerância" deve ser via de mão dupla, caso contrário passa a ser apenas mais um discurso do tipo "faz o que eu mando e não olhe o que faço" e "minha Umbanda é melhor porque tenho o àsé africano puro".

A lógica é simples: quem quer respeito deve, antes de tudo, respeitar.

O que temos vistos hoje em dia é um discurso hipócrita de que tudo é "Umbanda", que todos devem ser respeitados, mas na prática os ataques continuam, não somente daqueles que, contraditoriamente, pregam respeito, tolerância, diversidade, convergência, mas não param de atacar o trabalho de seus desafetos. Se querem ser tolerante, devem ser plenos, não podendo deixar arestas ou exceções.

O respeito, diferente do que muitos querem fazer crer, não está atrelado à concordância ou a prática, mesmo que eventual, daquilo que não acreditamos ser o correto em termos de ritualismo ou mediunidade. Esta sim relacionado ao reconhecimento de que cada um é livre para adoras à Deus (ou à deuses) da forma que bem entender e achar correto, não havendo supremacia de um sobre o outro.

Mas o que temos visto no movimento umbandista atual não é muito diferente da forma que os evangélicos agem quando atacam a religião alheia e ao receberem o revide acusam seus agressores de intolerante e preconceituosos. Os umbandistas ligados à raizes africanistas clamam pelo seu direito à matança, roupas vistosas, etc, mas não perdem a chance de atacar quem assim não procede.

Somos umbandistas e acreditamos que todos os demais são nossos Irmãos em Oxalá.

Mas isto não quer dizer que temos de aceitar tudo e não podemos criticar ou debater de forma saudável, dentro do campo das idéias. Infelizmente, dentro do movimento umbandista o principal "argumento" que se usa é o ataque pessoal, sendo raros os debates que se mantêm no campo exclusivo das idéias. A regra geral no meio é "se não consigo refutar o argumento, então ataco o argumentador". Isto é patético e lamentável.


Que todos os Povos e Ritos de Umbanda se unam pelo bem da religião, possibilitando que a Senhora da Luz Velada passe a ser a Senhora da Luz Brilhante.

Mas que cada um mantenha sua própria identidade
.

::::::::::::::::::::

Ilustração:
Connie Larsen

sábado, dezembro 13, 2008

PISANDO AS AREIAS SAGRADAS

A Umbanda, como qualquer outra religião, possui alguns fundamentos que deveriam ser observados por todos os seus adeptos e simpatizantes mas, infelizmente, por falta de conhecimento, conveniência, modernidade, etc, vem aos poucos caindo em desuso em nossos Terreiros.

Um destes fundamentos é o chamado descalçamento, ou seja, o ato de retirar os calçados afim de adentrar ao local sagrado onde encontra-se o Pegi, afim de passar pela consulta com as Entidades ali manifestadas em seus médiuns.

O "Rito do Descalçamento", ou o descalçar os pés ao aproximar-se de um lugar santo tem o prestígio da antiguidade e universalidade ao seu favor.

É conhecidíssima a passagem bíblica onde o Altíssimo fala à Moisés através da sarça ardente, mandando tirar as sandálias dos pés visto que o lugar em que estava pisando era terra santa. Alguns autores acreditam que é dessa ordem que as nações orientais derivaram o costume de executar todos os seus atos de culto religioso com os pés descalços, porém é muito provável que esta cerimônia estivese em uso muito tempo anes da circunstância da sarça ardente, e que o legislador judaico a reconhecesse como sinal de reverência.

Somos, particularmente, da opinião que tal costume foi derviado dos antigos patriarcas e transmitido por tradição oral às gerações seguintes.

A direção de Pitágoras aos seus discípulos, por exemplo, era expressa nas seguintes palavras: "Oferece sacrifícios e adora com os teus pés descalços".

Os muçulmanos, ao irem executar suas devoções, sempre deixam suas sandálias à prta da mesquita. Os Druidas tinham o mesmo costume ao celebrarem seus ritos sagrados; assim como os antigos peruanos deixavam sempre seus sapatos à porta ao entrarem no magnífico Templo consagrada à adoração ao sol.

Tal hábito, portanto, é um símbolo de reverência. Significa, na linguagem do simbolismo, que o lugar a que se vai aproximar desse modo humilde e reverente é consagrado à algum objetivo santo.

A área reservada ao Pegi - este Sanctum Sanctorum do Templo Umbandista, onde são inculcadas as solentes verdades da vida, da morte e da imortalidade - o adepto, assim como o consulente, ao entrar deve purificar seu coração de toda contaminação e lembrar-se, como o devido sentimento de sua aplicação prática, dessas palavra que outrora cairam sobre os ouvidos do antigo patriarcar judeu: "Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa".

Isto quer dizer que não devemos levar para dentro do lugar sagrado as imundícies do mundo exterior, especialmente aquelas que podem ser carregadas por nossos calçados, maculando assim a sacralidade do lugar. Devemos ter em mente que tal ato, além de uma questão de respeito ao Terreiro, deve ser considerado como medida de higiene.

Outro aspecto que devemos considerar é a questão energética, visto que o corpo em contato direto com o solo cria um ponto onde as energias negativas são são descarregadas, funcionando como uma espécie de "fio-terra".

Portanto, da próxima vez que participar de uma gíra, não se esqueça de colocar em prática este costume tão antigo, respeitoso e benéfico à todos os participantes.

Saravá.

domingo, junho 29, 2008

TENDA ESPÍRITA VOVÓ JOAQUINA DE ARUANDA

Foi com imensa satisfação que estive na cidade de Jaboticatubas neste último sábado (28/06), aceitando o cordial convite de minha amiga e Irmã-na-Fé Jane Silva, para visitar o "Recanto de Vovó Joaquina", sub-sede da Tenda Espírita "Vovó Joaquina de Aruanda", cuja o Templo principal está localizado no bairro Esplanada, em Belo Horizonte.

Na ocasião fui muito bem recebido pelo Sr. Estadeu e sua irmã, Dona Vera, assim como por todo o corpo mediúnico daquela Casa de caridade, onde participamos da gíra mensal com os Senhores Exus Guardiões, seguida de "passes" com os Srs. Caboclos.

Com uma assistência significativa, aproximadamente 70 consulentes, houve o atendimento normal com as Entidades, assim como sessões, em local anexo ao Terreiro, de Reiki e Shiatsu em um trabalho complementar de atendimento às pessoas que ali procuram auxílio.

A Casa tem uma forte influência doutrinária kardecista e católica o que, nem de longe, desmerece o excelente trabalho social, espiritual e mediúnico ali realizado. A harmonia e organização dos trabalhos, assim como a disciplina dos médiuns, e, claro, o número significativo de pessoas que ali se dirigem em busca de alento, são a prova disto.

Ao final dos trabalhos, já por volta das 19:00 horas (inicia-se às 15:00 horas), foi servido um delicioso caldo misto, que não somente ajudou a quebrar o longo período de jejum dos presentes, mas também nos auxiliou a "espantar" o frio, já que a temperatura estava próxima dos 20° C.

Enfim, um verdadeira Casa de Umbanda, com trabalhos sérios, positivos, como fazia muito tempo eu não tinha o prazer de conhecer.

Ao Sr. Estadeu e Dona Vera, assim como ao simpático e acolhedor corpo mediúnico da Casa, sem esquecer dos consulentes que ali se encontravam (em especial um grupo familiar, onde viamos 3 gerações de Umbandistas : avó, mãe e netas), meus agradecimentos pela recepção e por um dia de sábado extremamente agradável na companhia de todos vocês.

Em especial, minha sincera gratidão ao Adir, que com toda a sua simpatia e boa vontade nos propiciou uma "carona" até Jaboticatubas (já que o ônibus estava lotado), assim como nos recebeu com toda fidalguia em sua residência após os trabalhos.

Aos amigos Ângela, Raquel, Alessandra, Thadeu, Antônio, Kate, Maurício, Junior Rajão e esposa, agradeço pela amizade e acolhida.

Recebam, meus novos amigos, meu fraterno e sincero Saravá.

Ricardo Machado
(Ubajara)

-------------------------::::----------------------------

Serviço:

A Tenda Espírita Vovó Joaquina de Aruanda, tem gíras semanais aos sábados, começando às 14:00 horas, em seu Templo situado à Rua Antônio Olinto, 955, bairro Esplanada, Belo Horizonte/MG. As gíras com os Senhores Exus Guardiões são mensais em sua sub-sede na cidade de Jaboticatubas/MG. Maiores informações junto a Coordenação.

A Tenda também faz a "campanha do kilo", todo segundo domingo de cada mês.

Download dos pacotes de fotos (ZIP - aprox. 12 mb): Arq 1 / Arq 2 / Arq 3

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

CARTA DE BELO VALE : "E PLURIBUS UNUM"

"E Pluribus, Unum”

Inspirados pelas forças do alto, reuniram-se na Fazenda Belo Vale, no interior da cidade mineira do mesmo nome, os representantes das várias correntes da Umbanda. Com aquele Encontro, foram quebradas todas as correntes nacionais contrárias ao movimento e os participantes puderam testemunhar uma verdade que estava sendo esquecida: A de que “ cada um manifesta sua ligação com o Astral Superior à sua maneira” e de que “somos todos apenas instrumentos grosseiros da manifestação de uma Luz maior” a qual, sendo infinita, ilumina, aquece, purifica, traz consolo, saúde e paz interior aos que a buscam.

É sabido que um lustre da mais rara beleza irradia a mesma luz que um simples conjunto de velas; também nós, dotados ou não de formação intelectual, possuidores ou não de bens materiais, estaremos irradiando a mesma energia ou às vezes menos, do que a de uma pessoa humilde que se predispõe à manifestação mediúnica mesmo sendo inculta ou analfabeta.
Reunindo pessoas das várias linhas da Umbanda com o objetivo primordial de compartilhar experiências, aquele Encontro inspirou os participantes a redigir e divulgar a “Carta de Belo Vale”, documento que passa a ser o ponto de convergência, o marco da união das várias correntes da Umbanda no Brasil.

Os princípios apresentados a seguir, passam então a se constituir num roteiro para a Grande União que espelhará o enunciado “E pluribus, unum” (a partir de muitos, nos tornamos um) ou melhor ainda, pela união de muitas correntes da Umbanda, passamos a formar um corpo místico único, mais forte, mais unido, mais dinâmico, mais confiante e mais respeitado, o qual passa a ocupar o seu espaço no seio da sociedade brasileira.

Enunciados

1 – É facultada e mesmo estimulada a partir de agora, a praxe de visitas aos centros de outras linhas da Umbanda.

2 – Nas visitas, os médiuns deverão se predispor à incorporação com atuação efetiva junto ao público presente.

4 – Como esperado, as próprias entidades cuidam para que não haja ambigüidade de nomes de identificação adotados durante as incorporações conjuntas naquelas visitas.
3 – A liderança e a organização dos trabalhos fica sempre a cargo do responsável pelo centro anfitrião.

5 – Independentemente dos rituais de cada linha, vigoram sempre os princípios básicos da fraternidade, da solidariedade, do respeito mútuo, da empatia, da harmonia e do altruísmo entre os irmãos de fé.

6 – É dever de todos os que exercem atividades ritualísticas, observar os princípios de respeito à mãe natureza, buscar o equilíbrio ecológico e promovendo a limpeza dos locais onde tiverem sido feitos despachos.

7 – É dever de todos os que seguem os princípios da Umbanda, evitar danos à mãe natureza, abstendo-se de acender fogueiras ou deixar velas acesas junto às matas e campos, deixar objetos poluentes dentro de águas de nascentes, rios, córregos lagoas ou cachoeiras.

8 – É importante lembrar que em qualquer contato com as entidades através de despachos, o que vale para a obtenção dos resultados pretendidos é o que vai dentro da alma do crente e, principalmente, dentro da intenção do médium que executa os rituais, ficando em
segundo plano, a parte exterior envolvendo objetos, alimentos, bebidas, e partes de vestuário que devem ser recolhidos pelo médium ou por seus assistentes no final do ciclo.

9 – O princípio básico de que a união faz a força e a utilização de esforços mútuos em busca de um objetivo comum “ E pluribus, unum” deve nortear cada pensamento, cada palavra e cada ação de todos os que professam a Umbanda.

10 – São estimulados, tanto a prática de rituais conjuntos, seja nos centros, seja na execução de trabalhos encomendados pelos fiéis, como durante a realização de Encontros periódicos em forma de seminários ou congressos, de abrangência nacional ou regional.

11 – Seguindo os preceitos da Umbanda, condena-se a prática de rituais que visem prejuízos materiais, morais, danosos ao patrimônio ou à saúde de outrem, ainda que sejam com o objetivo de retorno de um trabalho anteriormente encomendado por representantes de outras crenças religiosas.

12 - É dever de todos buscar a utilização de meios de comunicação para divulgar a Umbanda, seus princípios, seus objetivos e sua beleza, buscando obter maior respeito de toda a comunidade, estimular a vinda de mais adeptos, principalmente daqueles detentores do poder temporal, das lideranças comunitárias, dos meios de comunicação, da segurança pública, da educação e da saúde no âmbito da União, dos Estados e dos Municípios.

Cidade de Belo Vale, Estado de Minas Gerais, aos dezessete dias do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e um.

Signatários:
Participantes do Iº Encontro Nacional de Umbanda