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terça-feira, abril 28, 2009

MÃOS VAZIAS

Imagine uma Casa de Umbanda que não tem uma doutrina única e leva à cabo diversos rituais diferentes durante toda a semana. Um dia temos Omolokô, no outro Umbanda Esotérica, em outro Catimbó, e por ai vai.

Levando-se em conta que, definitivamente, Catimbó (ou como gostam os neo-catimbozeiros, "Encantaria"), Candomblé, Torê, Xambá, etc, são religiões que nada têm com a Umbanda, como funcionariam as iniciações em um lugar como este?

Será que na hora que o médium adentra a corrente deve decidir se deseja ser iniciado em uma tradição específica ou é algo do tipo "pacotão" onde o sujeito pode escolher várias, quiça todas, as opções do "cardápio"? Deve ser mais ou menos como funciona a contratação de televisão por assinatura: você escolheo pacote básico e depois vai incrementando até chegar no "premium".

Existem "mestres" de "mão cheias", que resolveram inovar a religião e hoje se dizem "iniciados" e conhecedores profundos de todas as tradições religiosas de matriz afro-ameríndia. As mãos destes "mestres", na verdade, estão cheias é de contradições que, diga-se de passagem, jamais foram explicadas por eles à comunidade umbandista.

Os tais "mãos cheias", inclusive alguns "alabês" metidos à linguistas, ainda não tiveram a DIGNIDADE de vir a público explicar porque suas obras literárias, que dizem ter sido escritas por entidades no grau de "orixás menores, estão em um descompasso tão grande em relação ao que praticam efetivamente.

Será que tais "orixás menores" estão com as mãos tão cheias com os ebós e sangueanas que os dito cujos "mestres de mãos cheias" oferecem à eles, que não sabiam o que estavam escrevendo? As Verdades milenares que antes defendiam, para seus "cavalos", perderam o prazo de validade já que agora a regra é o "tudo pode"?

Antigamente, tambores, cartolas, capas, tridentes eram coisas de "kiumbas". A entidade "Zé Pilintra" era o "pilantra mesmo" e os Mestres de mesa do Catimbó/Encantaria eram, na concepção dos "mestres de mãos cheias" de hoje, o que de mais nefasto habitava o Astral.

Nos dias atuais, nenhuma destas coisas são de "kiumbas", o "mão cheia-mor" recebe Zé Pilintra e um outro "mestre-de-linha" desde que era criancinha, os "alabês pseudo-linguistas" escrevem textos defendendo a matança ritual (inclusive citando uma passagem da epístola de Paulo aos Coríntios, completamente fora do contexto), dezenas de animais diversos são sacrificados em ritos para "exus", as entidades que se apresentam como baianos, marinheiros e boiadeiros, outrora considerados kiumbas, hoje são seres da mais alta estirpe na concepção dos "mãos cheias".

O que impressiona é que centenas de juremeiros, candomblecistas, assim como adeptos do Omolokô e outras denominações, simplesmente esqueceram tudo o que o "mão cheia-mor" escreveu no passado sobre as suas práticas. Igualmente impressionante são supostos seguidores da Sagrada Raiz de Pai Guiné d'Angola, simplesmente jogarem no lixo tudo o que praticaram por anos em troca de "aranauans", títulos e honrarias diversas.

É... realmente as mãos destes "umbandistas" estão cheias, mas de contradições, desfarçatez, prepotência e falsa humildade. Graças à Oxalá por ainda existirem Mestres de mãos vazias.

sábado, abril 04, 2009

A UMBANDA QUE ERA DE TODOS NÓS

Quando W.W. da Matta e Silva escreveu, em 1956, a obra "Umbanda de Todos Nós", realmente poderiamos nos referir à Umbanda desta forma. Era uma religião livre, libertária, com poucos livros sobre o assunto (a maioria de conteúdo, no mínimo, contestável), com poucos "orgãos de cúpula", onde ninguém tentava ser o dono da 'Banda'.

É claro que mesmo naquela época já haviam os vendilhões, enganadores, os que enriqueceram não somente dentro da Umbanda, mas também no Candomblé, com seus "trabalhos, demandas, adivinhações", venda de ilusões, e tudo mais. Estes, inclusive, eram os alvos preferidos de Matta e Silva em seus livros e artigos para jornais e revistas.

A Umbanda, assim como o Candomblé e outras religiões de origem afro-ameríndia, eram marginalizadas, seus adeptos perseguidos, presos, surrados, mas continuavam praticando seus ritos por fé e amor aos Orixás, não com a intenção de vender livros, promover workshops, oferecer cursos de magia disto ou daquilo, assim como de toques, formação de ogãs e tudo mais.

Apesar de todas as dificuldade, a maioria praticava a religião pela religião, e não com interesses escusos, onde a glória, a fama, onde aparecer em jornais, revistas, televisão e, mais recentemente, pela internet, era o objetivo principal.

Hoje, apesar de muitos discordarem de mim, a Umbanda vive um momento extremamente perigoso e obscuro.

Com o surgimento da Faculdade de Teologia Umbandista, criada e dominada por F. Rivas Neto, conhecido como 'Mestre Arapiaga', 'Pai Rivas', "Yamunishidda Arhapiagha", e seja lá mais quantos títulos e nomes que o cidadão tem, a Umbanda passa a ser dominada por conceitos e imposições que tomam a forma de "ensinamentos acadêmicos".

A FTU, na verdade, é o "pulo do gato" de Rivas Neto para solidificar sua liderança e controle no meio umbandista. O apoio que recebe das grandes lideranças religiosas, tenho de confessar, é impressionante, inclusive de pessoas que, não faz muitos anos, eram inimigas juradas do pessoal da Vila Alexandrina.

O plano é simples: escudados por uma instituição de nível superior reconhecida pelo MEC, o pessoal da OICD está muito à vontade para impor seus conceitos e idéias sobre o que é realmente a Umbanda. O que a FTU faz é simplesmente trocar uma ditadura por outra.

Explico.

Antigamente havia uma verdadeira guerra para se apontar a "verdadeira" Umbanda. Debates apaixonados eram seguidos, não raramente, por trocas de ofensas, ameaças e tudo mais. Todos, salvo honrosas exceções, queriam estar com "A" verdade, praticando a "Verdadeira" Umbanda. O mais irônico que entre os extremistas estavam exatamente os discípulos de Rivas Neto, que viviam nas listas de discussões emitindo conceitos nem um pouco "convergentes" ou com o mínimo de respeito à "diversidade".

Umbanda, para Aramaty, Obashanan, Araobatan, Babajinan e outros "ys" e "ans" era aquilo que Rivas Neto dizia e ponto final. O resto, em especial quem seguia as idéias de Rubens Saraceni, estavam no engano, eram fantoches de kiumbas.

Nos dias atuais, a coisa não mudou muito, já que para todos os "ys" e "ans", Umbanda continua sendo aquilo que "Pai Rivas" diz que é. Só que deixaram de lado as críticas às várias doutrinas e ritos dentro e fora da religião umbandista para, ao contrário, se renderem e processarem todos eles.

Então, como por um passe de mágica, Rivas Neto, além de iniciado na doutrina de Umbanda Esotérica e no Omolokô, passa a ser também sacerdote de Catimbó, conhecedor profundo do Xambá, Torê e do Candomblé, etc, doutrinas estas, diga-se de passagem, que sempre combateu em seus livros anteriores a fase "convergência e diversidade.

Outrora "coisas de kiumbas", os sacrifícios de animais são comuns na OICD e nos ritos promovidos pela FTU. Antes instrumentos que poderiam causar "cardiopatias graves", atabaques são tocados por "alabês", com direito a curso e tudo mais dentro das dependências da faculdade. Houve um fenômeno interessante neste processo todo: quem outrora queria converter toda a comunidade umbandista aos seus conceitos, foi convertido.

Obviamente, esta "conversão" de Rivas Neto às práticas condenadas pela doutrina da Umbanda Esotérica na qual, infelizmente, ele foi iniciado por Mestre Yapacani, têm um objetivo que vemos muito claro e delineado com a fundação da Faculdade de Teologia Umbandista: controle e poder.

Uma proposta como a FTU não se sustentaria em cima de uma só doutrina, visto que a Umbanda Esotérica, como já dito, condena a maioria das práticas da chamada Umbanda tradicional. Ele, Rivas Neto, jamais conseguiria o destaque e o trânsito que tem dentro da comunidade umbandista se continuasse a defender aquilo que seu Mestre ensinou e que ele também acreditava, tanto que colocou em seus livros.

Então, Rivas Neto e seu "Estado Maior", delinearam ações bem pensadas para chegar ao lugar que estão hoje. Em primeiro lugar, instituiram dentro da OICD os "Sete Ritos", onde em cada dia da semana, procedia-se reuniões com base em determinado rito umbandista. Isto já quebrou um pouco a resistência da comunidade em relação à OICD.

Em seguida, intensificaram nas listas e comunidades do Orkut, ataques ao trabalho de Rubens Saraceni, situações estas, obviamente, nenhum dos "grandes" da OICD aparecem diretamente envolvidos, usando para isto discípulos menores e simpatizantes para perpertuar os ataques.

Isto se deve porque a turma da Vila Alexandrina sabe e reconhece que a única liderança que pode fazer frente aos seus planos é o pessoal da Umbanda Sagrada de Rubens Saraceni. Tanto que continuam atacando o trabalho dele nas listas, em especial na "Apometria e Umbanda", de responsabilidade do Sr. João Carneiro.

Assim, escudado, como já disse, por uma instituição de ensino superior reconhecida oficialmente. Rivas Neto passa a fazer massiva propaganda ideológica, pregando "diversidade e convergência", e rotulando qualquer um que não coadune com suas idéias de "retrógado" e "fundamentalista".

Ao que parece, Rivas Neto e os seus só aceitam a "diversidade" de pensamento se este não entrar em choque com a suas idéias. A "convergência" só é aceitável quando tudo, assim como os rios correm para o mar, as posturas e idéias estejam alinhadas com a OICD/FTU.

Como eu disse, trocou-se uma ditadura por outra, mas com o mesmo ideal: que todos os umbandistas sigam as idéias de Rivas Neto e das intituições por ele criadas, sejam elas com características absolutistas e intolerantes como no passado ou, como no momento atual, posturas igualmente draconianas e absolutas, só que com um verniz mais simpático disfarçado de "tolerância".

quinta-feira, setembro 25, 2008

A VOZ DA INCOERÊNCIA

Que o ser humano é falível, cheio de defeitos, mazelas e imperfeições não é novidade para ninguém.

O grande diferencial fica por conta de assumirmos os erros, modificarmos rumos e aprendermos com eles. No mínimo tais posturas não nos permitirão cometer o mesmo erro reiteradas vezes.

Algumas situações dentro do Movimento Umbandista, porém, são muito intrigantes. Por mais que o erro, a má fé, a contradição estejam evidentes, parece que ninguém enxerga, ou se o faz prefere ficar calado, já que os interesses pessoais superam o compromisso com a verdade e a coerência.

Vamos imaginar duas situações hipotéticas e absurdas.

Na primeira, imaginemos que o chefe máximo da Igreja Católica Romana, o Papa Bento XVI, em um de seus pronunciamentos dominicais, resolvesse anunciar a canonização de Martinho Lutero, sob a alegação de que, apesar de séculos combatendo suas idéias, com a trabalheira que deu a Contra-Reforma, que o monge que combateu a venda de indulgência, contestou a infalibilidade papal e mais centenas de dogmas da Igreja Romana, não seria mais persona non grata no meio católico, pelo contrário, poderia até mesmo ser adorado em seus altares.

Prosseguindo com o nosso exercício, vamos imaginar que um pastor protestante, de uma denominação qualquer, que no último domingo, ao tomar o púlpito, pregou que Maria não é santa coisa nenhuma, que após o nascimento de Jesus Cristo ela viveu maritalmente com José, teve relações sexuais com o mesmo, e que a prova disto era que O Redentor tivera irmãos.

Então, um belo dia, o tal pastor simplesmente chega à Igreja carregando uma imensa imagem de "Nossa Senhora da Conceição", a coloca em destaque no altar da Igreja, ajoelha-se diante dela e passa a adorá-la, exortando as suas "ovelhas" a fazer o mesmo.

A congregação, estupefata, pede uma explicação para tal atitude e tem como resposta que as Leis de Deus são temporais, que o mandamento que proibe a adoração de imagens era válido para aquele momento, que os conceitos sobre Maria também eram temporários, que agora havia sido revelado à ele novos conceitos, mais profundos, que apesar de contradizer tudo o que antes era considerado correto, era o que todos deveriam seguir daquele momento em diante.

Diante destas duas hipotéticas, e improváveis, situações, qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico, que saiba o significado da palavra COERÊNCIA, questionaria estas mudanças bruscas de visão e postura.

Na Umbanda, porém, este tipo de questionamento, simplesmente, não existe.

Os dois maiores formadores de opinião dentro da Umbanda, atualmente, Rivas Neto e Rubens Saraceni, se contradizem à vontade, escrevem besteiras livremente, e seu seguidores, cegos, continuam aplaudindo tudo.

A bem da verdade, Rubens Saraceni é mais coerente com as suas posturas do que Rivas Neto. Pelo menos a sua "teologia" não se modifica com o passar dos anos. Os Orixás continuam sendo os mesmos, os exus "bem dotados", assim como as pomba-giras com características ninfomaníacas de seus romances continuam da mesma forma, e seus cursos de magia "disto ou daquilo" continuam cheios, assim como as suas dezenas de obras continuam em uma só linha de pensamento.

Na outra ponta, vemos Rivas Neto, discípulo de Matta e Silva, que durante anos arvorou-se legítimo sucessor de seu Mestre, tomando para si a responsabilidade de conduzir a Sagrada Raiz de Pai Guiné d'Angola. O mesmo Mestre Arapiaga, que se auto-intitulou "YAMUNISIDDHA", que diz, em uma de suas obras, que é uma espécie de iluminado, condutor da raça humana, que se gaba em ter contato direto com os Mestres d'Aruanda, vive modificando seus conceitos, contrariando o que escreveu e vivenciou por anos como Verdade.

Aliás, através de uma e-mail que recebi, postado na lista "Apometria e Umbanda", moderada pelo Sr. João Luiz Carneiro, uma espécie de "relações públicas" da OICD, FTU, CONUB, CONSUB, etc, da parte do Silvio Garcez, conhecido como Mestre Aramaty, prova que posturas contraditórias do grande "yamunisiddha" não são de agora.

No longo e-mail, que para variar é um ataque velado à Rubens Saraceni, o nosso "irmão planetário" (a mais nova forma de tratamento inventada por Rivas Neto) Aramaty, ao final, escreve o seguinte:

"PS : É preciso deixar registrado que Pai Rivas abandonou o termo Umbanda Esotérica desde 1991, por fazer a Umbanda de Síntese. Para quem não sabe, Pai Rivas antes de conhecer Matta e Silva, era filho de Ernesto de Xango, da Nação Keto que fazia também a encantaria e nesta época Pai Rivas teve contato com os Baianos, Boiadeiros e Marinheiros e incorporava Zé Pilintra, Mestre Canidé entre outros. Hoje através do Centro de Cultura esta vivencia de Pai Rivas esta sendo revista e ampliada."

Perceberam?

Primeiro Rivas Neto abandona o Culto de Nação, para se embrenhar na Umbanda Esotérica. Em suas obras passa a atacar todos os fundamentos da Nação, assim como da chamada "Encantaria" (eles nunca usam o termo Catimbó. Imagine como ficaria ruim começarem a dizer por ai que o "yamunisiddha" é catimbozeiro...).

Ato contínuo, Rivas Neto chama de "kiumbas" (com todas as letras), em suas obras, as Entidades que se apresentam como Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e, pasmem, até mesmo o seu "velho amigo", Zé Pilintra, que na obra "Lições Básicas de Umbanda" ele afirma ser "pilantra mesmo". Ou seja, estas Entidades que outrora trabalhavam na mediunidade do Arapiaga, passaram a ser "kiumbas", quando as renegou diante da doutrina de Umbanda Esotérica e agora, frente a "Umbanda de Síntese", passam novamente a ter destaque e acolhida junto à ele.

Se este tipo de postura não for contraditória, não sei mais o que pode ser considerado assim.

Seria como ter amigos, que em um determinado momento passo a não mais considerá-los assim, os difamo, calunio, os chamo de "pilantras", "seres trevosos" e depois de um certo tempo, sem quê e nem por quê, volto a recebê-los em minha casa, como se nada tivesse acontecido e, pior, eles aceitam esta minha indecisão quanto as suas índoles sem o menor questionamento.

O mais estranho disto tudo é que, em sua maioria, as pessoas ligadas à OICD, em todos os seus agrupamentos, têm formação superior. São médicos, dentistas, advogados, engenheiros, filósofos, físicos, matemáticos, e por ai vai. Pessoas que, pelo menos se supõe, que tenham aprendido nos bancos das respectivas Faculdades, a raciocinar, analisar, pensar de forma lógica, coerente e científica.

Porém, ninguém questiona tais acintes à inteligência de qualquer pessoa mediana.

E sabem qual o motivo para isto não ocorrer?

Simples: não há democracia dentro da OICD, as posturas e pensamentos de Rivas Neto são inquestionáveis e aquele que ousa colocar em "xeque" qualquer orientação teologica do poderoso "avatar" é sumariamente "convidado" a se retirar da Ordem.

Enfim, as situações que coloquei no início deste artigo são absurda dentro do catolicismo e do protestantismo, mas infelizmente, tais incoerências são comuns e corriqueiras dentro da Umbanda e, p
elo "andar da carruagem", podemos esperar que piorem.

domingo, agosto 10, 2008

Culto a Maria Lionza

O Culto a Maria Lionza, muito difundido na Venezuela, tem muitos aspectos parecidos com a Umbanda.

Na verdade, creio, que as imagens poderiam confundir muitas pessoas e levarem a acreditar que se trata de alguma linha de Umbanda, tal a semelhança de ritos e influências, já que estão presentes aspectos afro-ameríndios-espíritas-católicos em suas crenças e liturgias.

O texto* a seguir resume os aspectos deste Culto:

Durante a semana Santa e o Dia da Raça (12/10), numerosas peregrinações se dirigem a Montanha da Sorte, no Estado de Yaracuy. A este lugar chegam devotos com todos os tipos de pedidos pessoais (desde cura de enfermidades a pedidos de paz, amor, etc).

O altar erguido na natureza, é presidido por Maria Lionza, que é, no mundo desta crença venezuelana, a Monarca das quarenta legiões, formada por 10 mil espíritos cada uma. Ao seu lado, colocaram Guaicaipuro, o cacique que lutou com muita valentia contra os conquistadores espanhóis no vale de Caracas e que preside a corte indígena e, do outro lado, colocaram o Negro Primero, o único negro oficial do exército de Bolívar, que preside a corte negra.**

O culto a Maria Lionza é anterior à chegada dos espanhóis ao território venezuelano.

Os índios que habitavam o Estado de Yaracuy, veneravam YARA, Deusa da natureza e do amor. De acordo com a descrição dos indígenas, ela tinha grandes olhos verdes, pestanas largas e amplas cadeiras. Seus cabelos iam até a cintura e eram enfeitados com flores.

Segundo a lenda, Yara era uma princesa indígena que foi raptada por uma enorme serpente, deusa dos rios e lagos (Anaconda/Sucuri), que dela se apaixonou. Os deuses da natureza resolveram castigar essa união, fazendo que os rios e lagos inundassem toda a terra. Assim, Yara ficou conhecida como a Deusa das lagoas, rios e cascadas, mãe protetora da natureza, Senhora do reino do amor.

O mito de Yara sobreviveu à conquista espanhola, onde sofreu algumas modificações. Yara foi coberta com o manto da Virgem cristã e tomou o nome de Nossa Senhora Maria de la Onza Del Prado de Talavera de Nivar. Assim, ficou conhecida como Maria de la Onza, ou Maria Lionza.***

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* Fonte: Grupo Nataraja

** A tradição de divinizar figuras históricas, heróicas ou de alguma outra forma importantes para determinado grupo, são muito comuns no Caatimbó, nas Tradições ameríndias e até mesmo nos Cultos de Nação. Deixo como exemplo no primeiro caso os "Mestres e Mestras de Linha"; no segundo a lenda de Aruanã e, por último, o Orixá Xangô que foi o terceiro Àlàáfìn Òyó - Rei de Oyó -, filho de Oranian e Torosi.

*** Percebam o fenômeno do sincretismo. Na verdade, assim como nos Cultos de matriz africana no Brasil, a influência católica persiste. Na verdade, Maria Lionza tem a mesma importância para os crentes venezuelanos, como Yemanjá para os adeptos da Umbanda e do Candomblé aqui no Brasil.

terça-feira, julho 08, 2008

UMBANTIMBÓ: MAIS BOBAGENS DO REINO DE CANINDÉ

O texto abaixo foi recebido através da lista "Apometria Umbanda", em resposta a um questionamento sobre o uso do título "Mestre" dentro da Umbanda preconizada por W.W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani).

Como fui moderado e excluido de tal lista pelo seu proprietário (todo censor tem MEDO do que o censurado tem a dizer...), que assina a asneira abaixo, uso deste espaço para rebater as sandices ali escritas.

Transcrevo ipsis literis:

Aranauam, Saravá Miriam e lista,

Essa questão foi discutida por Pai Rivas e um irmão de santé seu mais velho no final da década de 70, quando Mestre Yapacany ainda estava encarnado e em plena atividade na Tenda de Umbanda Oriental (TUO).

Mestre Yapacany trabalhava espiritualmente com o Caboclo Juremá que possui correspondência com o Mestre Juremal da Encantaria.

O sacerdote principal do culto da Jurema é chamado de Mestre, assim como o sacerdote da escola esotérica de Umbanda é chamado de Mestre. Os Iniciados encarnados também são chamados de mestres tal qual na mesa do Catimbó. Observe que essa denominação foi introduzida na Umbanda pelo Pai Matta.

Os Espíritos atuantes no Catimbó eram considerados Mestres dos Reinos Sagrados. Na ritualística da TUO Eles eram chamados de Mestres Astralizados.

Outro ponto importante trazido por Pai Rivas é que Mestre Yapacany nasceu em Garanhuns-PE e foi muito influenciado pelo Xangô do Nordeste, um reduto da Tradição da Jurema. Aliás, é sabido que ele passou por ritos de iniciação da Encantaria.

Pai Rivas lembra que muitos umbandistas "esotéricos" ficarão arrepiados, mas contra fatos existem argumentos? Pior do que discordar desses conceitos é tentar imitá-los esquecendo da essência. Assim somos levados a crer que a palavra "sagrada" dentro da doutrina umbandista segue a mesma linha de raciocínio. Mestre Yapacany utilizou esse termo pelo menos desde 1956.

O mais importante nessa discussão é demonstrar que esse passado retratado em fotos, livros, vídeos e, principalmente, ritos explica a própria existência do Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras e permite compreender porque Pai Rivas consegue dirigir com conhecimento de causa todas essas formas ritualísticas de conexão com o Sagrado. Tudo, além de ser teorizado, é verdadeiramente vivenciado conforme comentamos no último email sobre a relação desde seus 19 anos de idade com Mestre Canindé.

Espero ter ajudado.

Saravá Fraternal,
João Luiz de A. Carneiro
Filho espiritual de Pai Rivas (Mestre Arhapiagha)

É tanta bobagem, que não sei por onde começar.

Percebam que Rivas Neto, para justificar o injustificável, agora passa a fazer uma ligação entre Matta e Silva e o Catimbó. Assim como os conceitos que pregam mudam de acordo com a sua conveniência, a filosofia e o modo de ser de Mestre Yapacani também.

O Caboclo Juremá, não tem correspondência coisa nenhuma com o tal "Mestre Juremal" do Catimbó. Aliás, percebam que eles preferem usar o "apelido" (Encantaria) ao invés do nome de tal culto.

Pai da Matta tinha verdadeiro HORROR ao Catimbó, ao Candomblé e demais manifestações religiosas que ele denominava de "cultos fetichistas" e "deturpados". Com certeza, ele não se daria ao "desfrute" (usando uma expressão bem nordestina...) de inserir na Doutrina que pregou nenhum elemento destes sistemas filo-religiosos.

Vejamos o que Pai da Matta diz sobre o assunto em algumas de suas obras:

"(...) Nessas conversas, tentarei deixar bem definida, pelo menos, uma questão que foi e é o marco que separa a Umbanda propriamente dita das consideradas como suas ramificações históricas, religiosas e místicas.

Ora, meu filho, você bem sabe que uma as principais confusões se prende ao fato de os “filhos-da-terra” quererem ligá-la, indefinidamente, aos cultos africanos, trazidos pelos primitivos escravos aportados ao Brasil. É necessário que entenda bem essa questão. Há que situá-la em suas linhas simples, porque 14 esse movimento de Umbanda surgiu, exatamente, para sanar, corrigir as danosas conseqüências, provenientes da mistura desses cultos, com certas práticas religiosas, ou melhor, mágicas, dos índios, ditas como “adjunto de Jurema”, que foram, posteriormente, denominadas pelos brancos como “pajelança”, porque, essas práticas (que eles não entenderam) envolviam ervas, rezas, exorcismos ou invocações, com oferendas, cânticos, etc.

Tendo muito de semelhante, na prática vistosa da apresentação exterior, ou seja, no ritual, houve a natural atração entre os citados cultos, principalmente do dito Banto, com esse “adjunto de Jurema”, cerimonial dos índios. Dessa fusão surgiu depois o que veio ser conhecido como “candomblé de caboclo”, ou seja ainda, o que se diz como “catimbó”, espécie de degeneração desses dois citados sistemas de cultos, rituais ou cerimônias – o africano e o indígena."
(in, "Lições de Umbanda (e quimbanda) nas Palavras de um Preto-Velho", pág. 13/14, 7ª edição, 2006, Editora Ícone.)

(...) Assim, viu-se surgir mais uma “retaguarda negra”, nefanda e que ficou denominada de “CATIMBÓ”.

Por quê “catimbó”? Porque nas primitivas práticas do “Candomblé de Caboclo”, dado a influência ameríndia, se usavam muito os timbós ou catimbós, cujos termos significam defumação, a par com o uso exagerado de muita fumaça de cachimbo...

Então, a essa degeneração negra, por uma questão de associação de idéias, de correlação, passaram a chamar de “Catimbó”...

Nesse “Catimbó”, que ainda hoje em dia existe (infelizmente) e em muitos Estados e que, por aqui, pela Guanabara, já incrementaram como uma espécie de apêndice de muitos “terreiros”, o qual fazem funcionar depois da meia-noite. Isso é que há de mais escuro, trevoso e prejudicial.

Nele, o que manda é o dinheiro e o mal. Os despachos, “as arriadas” para os tais mestres de linhas com seus encantados é coisa corriqueira e tudo é feito na base do pagamento...

Os seus praticantes – os chamados de “catimbozeiros” são de baixíssima moral espiritual etc. Esses infelizes estão irremediavelmente presos nas garras do astral inferior – no que há de mais inferior mesmo, do baixo astral...

Já é tão grande a infiltração desses elementos humanos e astrais no meio umbandista, que os interessados já lançaram à venda “estátuas” dos tais de “Zé Pilintra”, “Caboclo Boiadeiro”, enfim, dos tais “mestres do Catimbó”, para se confundirem com as verdadeiras entidades da Lei de Umbanda, pela massa cega, confiante, ingênua...

Já verificamos em certos “terreiros” a existência delas, de mistura com “santos e santas, caboclos e pretos-velhos, sereias-do-mar” etc. Santo Deus! Quanta ignorância! Mas não podemos desanimar...
(in, "Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda", pág. 27/28, Editora Ícone)

Irmãos – pelo que vocês dizem (nas cartas) deduzo claramente que caíram nas redes infernais do “catimbó”, com suas “linhas de mestres e mestras”. Isso, sim!... Mas, por que aconteceu isso? Ora, algumas coisas erradas, vocês andaram fazendo ou fizeram em vocês; em algum ambiente sujo vocês se meteram...

(...)

Assim é que, de anos para cá, em quase todos os terreiros (sim, porque isso de “Maria Padilha, Zé Pilintra, caboclo-boiadeiro” e outros, é importação recente, de uma corja de pretensos “pais-de-santo” que vieram lá das bandas do Norte explorar a praça daqui, da atual Guanabara, visto terem encontrado nesse nosso bom povinho a mais santa das ingenuidades...) ditos de Umbanda, certas “médiuns” deram para “receber”, ou melhor, para “trabalhar” com “exu Maria-Padilha”...
(in "Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda", pág. 132/133, 4ª Edição, 2006, Editora Ícone)

Não sei quanto ao leitor, mas estas palavras não me parecem vindas de alguém que tinha qualquer tipo de ligação com "Encantaria", apelido "politicamente correto" para o Catimbó.

É uma leviandade, para não dizer, MÁ-FÉ DA GROSSA, afirmar que Matta e Silva passou por qualquer tipo de iniciação nos ritos da Jurema, Encantaria ou Catimbó. Falar que por ele ser nordestino e ter nascido em um "reduto" de tais Cultos e, por isto, foi obrigatoriamente iniciado por lá, é uma falácia, um sofisma, algo como dizer que todo mundo que nasce, por exemplo, em Juazeiro do Norte, é devoto de Padre Cícero.

Salvo engano, na obra "Umbanda e o Poder da Mediunidade", Mestre Yapani relata um ritual de "juremação" (iniciação na encantaria/catimbó/jurema) ao qual foi autorizado assistir com o compromisso de não revelar detalhes reservados da cerimônia. Então, vem a pergunta: se realmente fosse verdade esta ILAÇÃO da OICD em relação ao saudoso Mestre, qual seria a necessidade do mesmo participar de um ritual de iniciação pelo qual já havia passado, afim de relatá-lo?

O título de "Mestre" foi introduzido por Mestre Yapacani dentro da assim chamada "Umbanda Esotérica", como uma forma de diferenciar esta das outras, tão cheias de terminologias africanistas como "babalorixá", "yalorixá", etc. Tanto que as mulheres iniciadas nos graus superiores tinham (têm) o título de "Senhora de Templo" e não "Mestra", que seria o correto caso esta bazófia da OICD fosse verdade em relação às influências do Catimbó na vida e obra de Matta e Silva.

Quanto aos chamados "Mestres Astralizados", também nada em comum (graças à Oxalá) com os chamados "Mestres de Linha" do Catimbó. Pai da Matta designava desta forma os Espíritos Superiores, Mestres Astrais seus e de cada médium, em sua forma, digamos assim, "real" de apresentação, longe das roupagens fluídicas de Crianças, Caboclos e Pretos-Velhos. Tanto isto é verdade, que Pai Guiné d' Angola era conhecido como Mestre Yoshanan.

Há de se dizer também que Matta e Silva era Maçom e Rosacruz (para quem souber "ler", vide as dedicatórias em "Umbanda - Sua Eterna Doutrina" e constatará estes fatos...), assim como teve seu pensamento influenciado pela Teosofia, onde os seres espirituais que conduzem aquelas egrégoras, assim como seus Altos Iniciados, também são denominados "Mestres".

Os mais desavisados ao lerem esta asneira sem tamanho que o João Luiz escreveu e, ao que parece, já que usa o nome do seu "pai" espiritual, Arapiaga, é doutrina oficial da OICD, a Umbanda preconizada por Mestre Yapacani é uma versão "vip" do Catimbó.

Não é.

Até o momento que não era conveniente à Rivas Neto defender suas origens na Nação e em "outras coisas", jamais, em nenhuma de sua obras, ele mencionou esta mentirosa iniciação de Matta e Silva no Catimbó. Nenhum outro Mestre da TUO - Itacuruça, mencionou tal barbaridade.

Além de um tremendo desrespeito à memória de W.W. da Matta e Silva e à obra de sua vida, estas afirmações MENTIROSAS servem para nos mostrar como a história é modificada ao bel prazer (e pela conveniência) de quem a conta.

Esta explicação da OICD para a degeneração ritualística e doutrinária que acontece por lá, deveria ter sido encerrada com um jargão televisivo famoso: "ACREDITE, SE QUISER", ou "olhe para aquela câmera: você acabou de participar das PEGADINHAS DO FAUSTÃO".

Realmente, contra fatos não existem argumentos.

DO REINO DO CANINDÉ: UMBANTIMBÓ

Existem algumas coisas impressionantes no atual Movimento Umbandista, mas nada que se compare as posturas convenientes de uns e outros por ai. É tanta mistificação para que fiquem bem diante da comunidade, que a situação já passou, no meu entender, faz tempo, dos limites do aceitável.

Recebi ontem um e-mail falando de um ritual denominado "Oro Ashe Eshu", que foi levado à cabo no Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras, entidade esta, para variar, ligada à OICD. A mensagem trazia um link que nos permite visualizar as
fotos de tal evento. Como sou uma pessoa ávida por informações, entrei no endereço fornecido.

Sinceramente, não sei traduzir em palavras o sentimento que me tomou no momento que abri as fotos. Foi uma mistura de riso seguido de uma profunda convicção de que Rivas Neto e os seus criaram um nova religião, que nada tem de semelhante à Umbanda que o mesmo aprendeu com o saudoso Mestre Yapacani (Matta e Silva). Indo mais além, nada tem de Umbanda, seja de qual ramo doutrinário for.

O ritual que vemos nestas fotos pode levar os mais desavisados a acreditar que se trata de Candomblé e jamais de Umbanda. O simbolismo, a terminologia empregada, tudo oriundo dos Cultos de Nação.

Mas, até ai... vá lá... temos algumas pessoas que acreditam que a Umbanda é uma espécie de "filha caçula" dos Cultos de Nação, é por isto empregam elementos destes naquela. Criou-se até um termo para designar isto: Umbandomblé. O que, há muito tempo, em minha opinião, é o que se pratica dentro da OICD.

O melhor (ou pior, não sei ao certo...) vem sempre no final, não é mesmo?

Nas últimas fotos, somos informados de que os participantes, após o tal ritual com "Eshu", adentram o "Santuário da Jurema (Encantaria)" e ali, "acostado" (termo usado no nordeste para designar a incorporação dos Mestres de Linha do Catimbó...) em Rivas Neto, teriamos o "Mestre Canindé", que conversava com os mesmos.

Ou seja, de Candomblé (com direito ao uso do adjá e tudo mais...), a coisa "virou" para o Caá-timbó.

Impressionante !!!

Para ser fiel à verdade, devo confessar que, pelo incrível que possa parecer, fui um fã de Rivas Neto e suas obras. A primeira vez que pisei na OICD, isto pelos idos de 1995 / 96, senti uma emoção que levou-me às lágrimas. A vibração daquele lugar era fantástica, uma sensação de paz, harmonia, uma experiência, até aquele momento, que havia sido única para mim.

À época, era médium da Tenda de Umbanda Oriental - II, dirigida por Mestre Kariumá e recordo-me de uma certa inveja por parte dele e de meus "irmãos" de Terreiro por eu estar indo à São Paulo e visitando a OICD. Fui instruído, pelo então meu Mestre, para identificar-me como INICIADO da Raiz e levar um fraterno abraço de nosso Grupo ao Mestre Arapiaga. Fui muito bem recebido na OICD e, pasmem, Arapiaga até trocou dez minutos de "prosa" comigo.

Infelizmente, tudo isto mudou.

Da última vez que estive na OICD, acredito que por volta de 2001, as mudanças já haviam começado e se percebia a "metamorfose". Não havia mais aquela vibração, aquele ambiente, que anos antes me fez chegar às lágrimas.

Como eu sempre digo, assim como um dia Mestre Yapacani e o próprio Arapiaga disseram, Umbanda não é Candomblé, não é Catimbó, não é Toré... Umbanda é UMBANDA.

A inserção de elementos de outros sistemas filo-religiosos à mesma, este "ecumenismo" ritualístico que Rivas Neto e os seus propõem é um ABSURDO em termos esotéricos, energéticos e, principalmente, espirituais. Longe de dar uma identidade à Umbanda, pelo contrário, atrela noss religião à uma verdadeira "colcha de retalhos", fazendo que percamos ainda mais a identidade, isto sem falar na TREMENDA contradição entre o que Rivas Neto escreveu e pratica.

Senão, vejamos.

Em sua obra "Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica", pág. 262/263, 3º edição, 2002, Rivas Neto fala o seguinte sobre o Catimbó:

"(...) Vejamos agora algumas formas degeneradas de cultos. Se há o aspecto essencialmente positivo, há também os aspectos negativos que vêm influenciando milhares de pessoas. Assim, existem o Catimbó, o Toré, o Xambá e a dita Macumba. São eles apêndices negativos que sobraram da vivência atávica fetichista da mais baixa estirpe, atuando neles, é claro, consciências deveras endividadas, quando não completamente inexperientes, isto é, com pouquíssimas noções do certo ou do errado, do bem e do mal." (negritos nossos)

Exceto que o que está escrito, seja mais uma das "verdades relativas" do Astral (lembro que esta obra, supostamente, foi escrita por uma Entidade do Astral Superior, o Caboclo Sete Espadas), devemos entender que na OICD, quando se abre uma "mesa juremeira", está ali se praticando uma "forma degenerada de culto", onde "consciências endividadas", "completamente inexperientes", estão atuando? Ou, como tudo que vem da OICD, mesmo que dentro de aberrantes contradições, o "nosso Catimbó é melhor do que o Catimbó" dos outros?

Segue Rivas Neto - Sete Espadas, falando sobre tal Culto:

(...) Dentre esses cultos, um dos mais atrasados vibratoriamente falando e pesadíssimo em seus rituais é o dito Catimbó. O Catimbó é originado de uma mistura de cultos degenerados. As degenerações da pajelança, associadas aos rituais Congo-Angola, aliadas às práticas de bruxaria e feitiçaria de todos os tempos, compõem o dito Catimbó. Sofreu também fortes influências do catolicismo e kardecismo. Embora suas finalidades sejam a cura dos males físicos e os de ordem astral, há também os trabalhos para o bem e para o mal, todos debaixo de uma grosseira e violenta corrente vibratória. Seus sacerdotes, quase sempre homens, são chamados de Mestres e as Entidades evocadas são os Mestres de Linhas. Sinceramente, com todo respeito, são o que há de mais trevoso no submundo astral.

(...)

As Entidades que baixam aproveitam a ignorância e a inexperiência dos crentes para torná-los verdadeiros escravos de suas torpezas." (negritos nossos)

Ou seja, de repente o Catimbó não é nada disto mais? Foi saneado, talvez pelas "portentosas" (como ele gosta desta palavra...) Entidades que atuam na mediunidade de Rivas Neto e na OICD? O tal "Mestre Canindé", que "acosta" em Rivas Neto hoje, diferente dos demais Mestres de Linha, não é mais o "que há de mais trevoso no submundo astral"?

Com certeza, se perguntarmos à Rivas Neto e/ou aos seus discípulos o motivo de tão abjeta contradição entre "teoria" e "prática", receberemos a mesma resposta que temos para o uso de atabaques, outrora proibidos, agora liberados: tem de saber tocar (fazer).

Enfim, um resposta que leva aos incautos, aos 'boizinhos de presépio", que usam suas cabeças simplesmente para manter o cabelo no lugar ou usar chapéu, a acreditar que realmente Rivas Neto e a OICD, são um pedacinho de Aruanda na Terra e que eles têm o poder de mudar não somente a Umbanda, mas qualquer outra religião, ao seu bel prazer, já que recebem "revelações" do "Astral" e que devem ser seguidas por mais contraditórias que sejam.

Depois destas e outras, Roger Soares (Araobatan) ainda tem a pachorra de questionar o Rogério Queiroz sobre contradições entre o que Rubens Saraceni escreve e efetivamente defende.

Ser condizente com aquilo que prega é o que difere os Mestres de verdade daqueles que pretendem sê-lo.

sábado, maio 31, 2008

CONVENIÊNCIA DO SANTÉ

Estava eu "garimpando" algumas imagens por ai, quando me deparei com uma entrevista de F. Rivas Neto (Mestre Arapiaga / Pai Rivas) para o Jornal Esotera, no site do Templo "Caminho da Paz" e não podia deixar de fazer alguns comentários sobre a mesma.

Não irei colar aqui todo o texto, portanto quem desejar ler a íntegra acesse o link ao final deste artigo.

Pois bem...

Logo depois que Matta e Silva passou para as Terras d'Aruanda, Rivas Neto apressou-se em publicar em seus livros e em seu site que era o SUCESSOR, GUARDIÃO e CONTINUADOR da obra de Mestre Yapacani. Chegou ao ponto de publicar fotos de um suposto "ritual de transmissão do comando da Raiz de Guiné", assim como documentos datilografados e com a assinatura de Matta e Silva reconhecida em cartório para dar credibilidade às suas pretensões de sucessor do legado do Mestre.

Para quem não sabe, Rivas Neto chegou a convocar os outros Mestres da Raiz, dentre eles Yassuamy (Mário Tomar), Itaoman (Ivan H. Costa), Arabayara (falecido Sr. Olvídio), para uma reunião em São Paulo onde pretendia ser reconhecidos por eles como sucesso do Velho Matta. Desnecessário dizer que nenhum deles se deu ao trabalho, visto que nunca reconheceram Rivas Neto como Mestre da Raiz de Guiné, quem dirá como líder da Raiz.

Antigamente, para quem se lembra e participou de verdadeiros "arranca-rabos" nas velhas listas "Umbanda Powerline" e "Saravá Umbanda", os discípulos e simpatizantes de Rivas Neto chegavam a extremos para defender a legitimidade sucessória do mesmo, assim como os conceitos e preceitos da assim chamada "Umbanda Esotérica" e os vários ataques que o Arapiaga fazia as outras doutrinas e ritos em seus livros.

Enfm, por um bom tempo, Rivas Neto pegou carona na fama de W.W. da Matta e Silva, se arvorou sucessor, discípulo preferido, condutor da Raíz de Guine, chegando ao ponto de afirmar que o advento de Pai Guiné de Angola, era apenas a preparação para o [advento] de Caboclo Urubatão da Guia. Nesta concepção, portanto, Mestre Yapacani viria como uma espécie de "abre alas" para que o "yamunisiddha" surgisse.

Mas, ao que parece, Rivas Neto enterrou em definitivo suas pretensões, e procurando caminhos mais lucrativos, hoje abandonou de vez a Umbanda Esotérica, não faz mais questão de ter nenhum tipo de ligação com a memória e idéias de Mestre Yapacani e, pasmem, confessa não mais concordar com muito do que Pai Matta escreveu e fez, assim como do que ele [Rivas Neto] escreveu em suas próprias obras.

Vejamos este trecho de sua entrevista:

Jornal Esotera: a oicd tem conhecimento de alguma Instituição no Rio de Janeiro que pratique a Umbanda dita esotérica? Saberia dizer se existem semelhanças ou diferenças em relação aos vários tipos desta Umbanda?

Pai Rivas: Até mesmo na oicd não praticamos a Umbanda esotérica. A palavra esotérica significa “interna”. Então, todo templo de Umbanda tem sua parte interna e externa. Este nome de Umbanda esotérica na Ordem Iniciática deveu-se ao fato de, numa determinada época da minha vida, eu ter me ligado, aliás com muita honra, a Wilson da Mata e Silva. Dizem que ele fazia Umbanda esotérica, e fazia mesmo. É que ele gostava de fazer uma Umbanda separada da forma. Quando o conheci, eu já tinha uma formação oriunda da nação (candomblé) e tinha passado também por vários setores da Umbanda. Quando vi pela primeira vez a Umbanda de Mata e Silva, achei-a muito coerente. Mas não acho que possa ser a única. Inclusive, muitas coisas que ele fazia, mudei meus conceitos e hoje não faria mais. Confesso que a achava única e mudei minha forma de pensar. Se você achar que a sua é a única, então você não tem nenhuma. A Umbanda é boa porque todas as formas de praticá-la têm o seu valor. Entendo que a tradição da Umbanda é a constante mutação. Nós estamos em construção, somos uma unidade aberta. Se é uma unidade aberta, eu não posso ter dogmas absolutos. “...olha, isto é assim e acabou...” Não aceito isto. Não tenho receio em dizer pra ninguém que muita coisa que escrevi, em muitas obras, eu até mudaria. Isto eu já falei várias vezes em público e até na televisão. Mudaria porque não tenho a última resposta, e isto acontece porque não tenho a última pergunta. O que o mundo espiritual escreveu, encaremos assim: “estas verdades são relativas. Aguarde, pois novas verdades virão...” Não descarto a Umbanda esotérica, ela tem a sua importância, mas não como única. (negrito e itálico nossos)

Percebam que outrora Rivas Neto fazia pequena ou nenhuma menção ao fato de ser oriudo dos Cultos de Nação, mais precisamente do Omolokô, e agora faz questão de mencionar suas origens dentro dos mesmos. Nada contra os Cultos de Nação, em absoluto. Mas acredito que coerência é a palavra-chave para qualquer pessoa, em especial alguém que pretende ser líder de alguma coisa, como é o caso do Arapiaga.

Na verdade, esta "escola da síntese" nada mais é do que uma imensa SALADA ritualística, onde querem agradar à "gregos e troianos", fazendo uma "umbanda" diferente a cada dia da semana. Um dia temos o Omolokô, no outro os ritos conforme preconizados por Matta e Silva, no seguinte a chamda "umbanda traçada"... só falta arrumar um dia para "bater" um Candomblé básico. Aliás, recentemente, tomei conhecimento de que até sessão de Catimbó tem espaço na OICD.

Isto me lembra de um dito popular: fazer muitas coisas ao mesmo tempo é sinal de que não faz nenhuma bem.

O mais engraçado nesta história, porém, é ele afirmar que mudaria muita coisa que escreveu, pra depois dizer sobre uma suposta relatividade dos conceitos dados pelo Astral.

Ora, faça o favor de não confundir impressões e opiniões pessoais como conceitos do Astral.

Gostaria muito de perguntar ao Arapiaga o que mudou no Catimbó, por exemplo, ou na Umbanda traçada, ou nos "famigerados sacudimentos", no tal "Zé Pilintra, que é Pilantra mesmo", conforme o mesmo expõe em sua obra "Lições Básicas de Umbanda" e outras mais, incluso "Exu - O Grande Arcano". Terá sido relativa também a visão (viagem astral ?!?) que o mesmo narra em "Lições Básicas", onde vai a um local e vê as entidades que se denominam "Maria Padilha" e "Zé Pilintra" trabalhando com magia negra e atacando uma consulente?

Na verdade, não são os conceitos do Astral que são relativos e sim a conveniência de Rivas Neto. Apesar de toda a propaganda que ele fez na tentativa de herdar a fama e a obra de Matta e Silva, a Umbanda Esotérica, por ser uma doutrina que requer estudo, dedicação, paciência e tempo para ser assimilada, assim como não admitir verdadeiras manifestações carnavalescas, como o uso de cocares, roupas vistosas e penduricalhos vários, não fez o sucesso financeiro que o Arapiaga esperava.

Ou seja, a Umbanda Esotérica, tida como elitista, que condena sacrifícios de animais, roupas que mais parecem fantasias, incluso cocares, espadas, lanças e tudo mais, não tinha repecursão junto àqueles que continuam querendo "girar' com "oguns" vestidos com armaduras romanas ou "exus" que usam capas vermelhas e pretas, cartola e tridentes. Esta Umbanda de "roupa branca", sem holocaustos, atabaques e carnaval, não dá retorno financeiro, porque a maioria quer é fetichismo exacerbado.

Para terminar, quero dizer, afirmar mesmo, que a VERDADE é uma só. Ela não se encontra, em sua forma absoluta, em nenhuma doutrina, na cabeça de nenhum Mestre, Pai-de-santo, Pastor, Padre, Bispo, Papa, ou seja lá os títulos humanos inventados para afagar os egos de uns e outros.

A Verdade é atemporal, assim como Aquele de quem Ela emana: D-us. Ele que é O mesmo hoje, ontem e será amanhã, não relativa conceitos e muito menos temporaliza verdades. Exceto, é claro, para aqueles que, apesar de um diploma de curso superior na parede, insiste em adaptar "verdades" e sua própria consciência (se é que tem uma) para engordar sua conta bancária.

Integra: http://www.caminhodapaz.com.br/entrevista/pairivasneto.htm