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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A LUTA CONTINUA COMPANHEIROS...

O tal Movimento Umbandista é como novela da Globo: sempre as mesmas coisas previsíveis, sem nenhuma novidade.

Hoje chegou ao meu conhecimento uma ação judicial que a ASSOCIAÇÃO UMBANDISTA E ESPIRITUALISTA DO ESTADO DE SÃO PAULO – AUEESP, capitaneada por Rubens Saraceni propôs contra F.Rivas Neto junto à Justiça de São Paulo, por conta do livro "Lições Básicas de Umbanda" onde o mesmo chama a entidade "Zé Pelintra" de "pilantra". Dentre outras coisas, a AUEESP requeria a proibição da veiculação de novos exemplares da citada obra e a substituição dos termos ofensivos que nela constam.

Em sua defesa, Rivas Neto afirmou que a umbanda permite vários tipos de interpretação e várias vertentes distintas, e que cada uma pode formar as próprias opiniões sobre as entidades espirituais. Alegou, ainda, que sua obra possui preceitos de uma das mais influentes correntes do pensamento umbandista e que é professor da religião, além de ser sacerdote há quarenta anos (isto não poderia faltar, aliás fiquei pasmo dele não juntar a sua "árvore genealógica do santé ao processo).

O que mais impressionou, porém, foi a afirmação do "Portentoso Mago da Vila Alexandrina" de que Zé Pelintra seria uma entidade negativa (o que ele, aliás, deixa muito claro no livro).

Mas o tal "pilantra" não "acosta" em Rivas Neto?

Mais de uma vez li o puxa-saco-mor João Carneiro afirmando que nas "mesas de encantaria" que tem lugar na OICD, Arapiaga trabalhava mediunicamente com tal entidade desde criancinha, frise-se.

É estranho um mago tão poderoso, um médium que se diz "hierofante", "demiurgo", "teurgo" e todos os outros "antes" e "urgos" possíveis no meio esotérico trabalhar como uma entidade que ele mesmo afirma ser "negativa".

A minha estranheza vem do fato que Rivas Neto (assim como seus diletos discípulos) sempre falam da tal "Lei de Afinidade" onde semelhante atrai semelhante, onde cada um tem o "mestre que merece" e tudo mais.

Então, por analogia, devo acreditar que aquele que recebe uma entidade negativa, "pilantra mesmo", como o famigerado "Zé Pelintra" é afim à esta negatividade e muito em comum tem com ele?

Bem, cada um tire suas conclusões. Eu já tenho as minhas e acho bem apropriada a parceria "Rivas Neto e Zé Pelintra".

No entanto, a cerne deste texto não é sobre tais questões e sim apenas para pontuar (e reiterar) como os conceitos deste pessoal mudam conforme as suas necessidades e interesses.

Publicamente, para agradar aos seus aliados, Rivas Neto e os seus cantam loas ao tal "Zé Pelintra", inclusive dizendo que o mesmo acosta no "Pai Rivas" desde que ele era criancinha. No entanto, quando houve necessidade de se defender junto ao Poder Judiciário, Arapiaga confirma que a tal é negativa.

Comentários? Melhor não.

Para encerrar, quero reiterar uma conselho que dei anteriormente à Rubens Saraceni: faça como eu, só processe alguém quando tiver certeza de que vai vencer. Já está ficando feio perder todas para o povo da OICD.

terça-feira, abril 28, 2009

MÃOS VAZIAS

Imagine uma Casa de Umbanda que não tem uma doutrina única e leva à cabo diversos rituais diferentes durante toda a semana. Um dia temos Omolokô, no outro Umbanda Esotérica, em outro Catimbó, e por ai vai.

Levando-se em conta que, definitivamente, Catimbó (ou como gostam os neo-catimbozeiros, "Encantaria"), Candomblé, Torê, Xambá, etc, são religiões que nada têm com a Umbanda, como funcionariam as iniciações em um lugar como este?

Será que na hora que o médium adentra a corrente deve decidir se deseja ser iniciado em uma tradição específica ou é algo do tipo "pacotão" onde o sujeito pode escolher várias, quiça todas, as opções do "cardápio"? Deve ser mais ou menos como funciona a contratação de televisão por assinatura: você escolheo pacote básico e depois vai incrementando até chegar no "premium".

Existem "mestres" de "mão cheias", que resolveram inovar a religião e hoje se dizem "iniciados" e conhecedores profundos de todas as tradições religiosas de matriz afro-ameríndia. As mãos destes "mestres", na verdade, estão cheias é de contradições que, diga-se de passagem, jamais foram explicadas por eles à comunidade umbandista.

Os tais "mãos cheias", inclusive alguns "alabês" metidos à linguistas, ainda não tiveram a DIGNIDADE de vir a público explicar porque suas obras literárias, que dizem ter sido escritas por entidades no grau de "orixás menores, estão em um descompasso tão grande em relação ao que praticam efetivamente.

Será que tais "orixás menores" estão com as mãos tão cheias com os ebós e sangueanas que os dito cujos "mestres de mãos cheias" oferecem à eles, que não sabiam o que estavam escrevendo? As Verdades milenares que antes defendiam, para seus "cavalos", perderam o prazo de validade já que agora a regra é o "tudo pode"?

Antigamente, tambores, cartolas, capas, tridentes eram coisas de "kiumbas". A entidade "Zé Pilintra" era o "pilantra mesmo" e os Mestres de mesa do Catimbó/Encantaria eram, na concepção dos "mestres de mãos cheias" de hoje, o que de mais nefasto habitava o Astral.

Nos dias atuais, nenhuma destas coisas são de "kiumbas", o "mão cheia-mor" recebe Zé Pilintra e um outro "mestre-de-linha" desde que era criancinha, os "alabês pseudo-linguistas" escrevem textos defendendo a matança ritual (inclusive citando uma passagem da epístola de Paulo aos Coríntios, completamente fora do contexto), dezenas de animais diversos são sacrificados em ritos para "exus", as entidades que se apresentam como baianos, marinheiros e boiadeiros, outrora considerados kiumbas, hoje são seres da mais alta estirpe na concepção dos "mãos cheias".

O que impressiona é que centenas de juremeiros, candomblecistas, assim como adeptos do Omolokô e outras denominações, simplesmente esqueceram tudo o que o "mão cheia-mor" escreveu no passado sobre as suas práticas. Igualmente impressionante são supostos seguidores da Sagrada Raiz de Pai Guiné d'Angola, simplesmente jogarem no lixo tudo o que praticaram por anos em troca de "aranauans", títulos e honrarias diversas.

É... realmente as mãos destes "umbandistas" estão cheias, mas de contradições, desfarçatez, prepotência e falsa humildade. Graças à Oxalá por ainda existirem Mestres de mãos vazias.