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quinta-feira, abril 30, 2009

MAGOS, CURSOS E TÍTULOS

Existe uma tentativa insistente por parte de pessoas ligadas à Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, em desmerecer os cursos ministrados por Rubens Saraceni. Neste rastro, insistem também na tal "origem" deste ou daquele umbandista, assim como a legitimidade de uma pessoa usar alguns títulos.

Pois bem.

Devo começar afirmando que a Umbanda não é o mundo mágico de "O Senhor dos Anéis" ou de de "Harry Potter", assim como a OICD não é a "Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts" e Rivas Neto não é "Gandalf, o Branco".

Em seguida devo salientar que MAGIA, conforme vemos em filmes e obras de ficção, também não existe, exceto que que o prezado leitor já tenho presenciado bolas de energia sendo arremessadas, vôos em vassouras mágicas, levitações espontâneas, transmutações ou alguém que desaparece no ponto "A", em meio a uma nuvem de fumaça, e reaparece no ponto "B".

A magia verdadeira não é um recurso ordinário, abundantemente disponível, como alguns charlatães, que dizem em suas obras coisas absurdas sobre como seu "exu" fincou um punhal de aço em uma superfície de concreto, por exemplo, querem fazer crer. Aquela cachaça que supostamente se transformou em vinho, igualmente, foi mera troca da garrafa de aguardente por outra semelhante previamente cheia com a outra bebida. Portanto, não se engane com tais "prodígios", que tudo é uma IMENSA FARSA.

Nenhuma movimentação magística irá funcionar contra ou a favor de alguém, exceto que esta pessoa tenha méritos para conquistar o que deseja ou deméritos para ser impactada por aquilo. Podemos resumir isto em "QUEM DEVE PAGA, QUEM MERECE RECEBE".

Posso dizer, por experiência própria, que se magia fosse algo tão ordinário como querem fazer acreditar alguns "poderosos", eu já estaria morto faz tempo, já que sempre me chegam notícias, de fontes fidedignas, que meu nome é "figurinha" fácil nos "ebós" de uns e outros por ai.

Mas estou desviando do assunto.

A cerne principal deste artigo pode se resumir no seguinte: TÍTULOS E CURSOS NÃO DIZEM ABSOLUTAMENTE NADA PARA A CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA.

Se frequenta os cursos do Saraceni, ou a faculdade do Rivas Neto, e acredita que o caminho que escolheu o fará chegar onde deseja, então está tudo certo. O "mago" dos cursos livres do primeiro não perde em nada para o "bacharel" em teologia do segundo.

E sabe por quê?

Porque o título e o diploma que você tem não valem nem como papel higiênico no astral. Você não será mais ou menos médium/sacerdote porque fez um curso no Colégio de Umbanda Sagrada ou se bacharelou na FTU. Nenhuma das duas instituições estão preparando ninguém para o "mercado de trabalho", exceto que haja uma demanda monstruosa para o cargo de "teólogo umbandista" que não seja do meu conhecimento.

Então, caro leitor, se você usa o título de "mestre", "mago", "feiticeiro", "hierofante", "yamunisiddha", "alabê", "babalorixá", "babalawô", "papa", "dalai lama", "pastor", "bispo" ou "cristo" (como é o caso do tal Inri Cristo) isto não muda, em nada, a sua condição de criatura falível, em eterno aprendizado, seja religioso, social ou espiritual.

Outra fanfarrice é ficar por ai dizendo que "pais e mães espirituais" de "fato e de direito" são aqueles que têm casa aberta ao público.

Se realmente é assim, Ivan Horácio Costa (Mestre Itaoman), Agenor Miranda (uma dos mais respeitados aluwôs que viveu neste país), para ficar apenas em dois exemplos mais conhecidos, não são ninguém já que nunca tiveram terreiro aberto.

O que vem acontecendo, sutilmente, é que a OICD/FTU tem criado padrões inclusivos e exclusivos para reconhecer (ou não) alguém como umbandista de "fato e de direito", contrariando os conceitos de "diversidade", "convergência" e "tolerância irrestrita" que, hipocritamente, prega. Aliás, o "sobrenome" destas instituições e de seu criador deveria ser "contradição".

Em verdade, a OICD/FTU quer ditar o que é certo ou errado dentro do movimento umbandista, alicerçada na falácia do "apelo à autoridade" por controlar uma instituição de ensino superior. Como já afirmei várias vezes neste espaço, não há distinção alguma entre a OICD, FTU, CONUB, CONSUB, já que todas estas instituições são ligadas de forma DIRETA à Rivas Neto.

É muito simples convergirmos à quem nos é simpático e nos apoia.

Mais simples ainda é defender uma diversidade dentro daquilo que achamos correto. Tolerarmos "irrestritamente" aos nossos amigos, colaboradores e familiares é muito fácil, mas onde estão todos estes conceitos em relação à Rubens Saraceni por parte da OICD/FTU? Que raios de "tolerância irrestrita" é esta?

A hipocrisa campeia e, ao que parece, a maioria não enxerga isto ou finge que não. Mas continuo escrevendo, na esperança que alguém um dia leia e entenda.

sábado, abril 04, 2009

A UMBANDA QUE ERA DE TODOS NÓS

Quando W.W. da Matta e Silva escreveu, em 1956, a obra "Umbanda de Todos Nós", realmente poderiamos nos referir à Umbanda desta forma. Era uma religião livre, libertária, com poucos livros sobre o assunto (a maioria de conteúdo, no mínimo, contestável), com poucos "orgãos de cúpula", onde ninguém tentava ser o dono da 'Banda'.

É claro que mesmo naquela época já haviam os vendilhões, enganadores, os que enriqueceram não somente dentro da Umbanda, mas também no Candomblé, com seus "trabalhos, demandas, adivinhações", venda de ilusões, e tudo mais. Estes, inclusive, eram os alvos preferidos de Matta e Silva em seus livros e artigos para jornais e revistas.

A Umbanda, assim como o Candomblé e outras religiões de origem afro-ameríndia, eram marginalizadas, seus adeptos perseguidos, presos, surrados, mas continuavam praticando seus ritos por fé e amor aos Orixás, não com a intenção de vender livros, promover workshops, oferecer cursos de magia disto ou daquilo, assim como de toques, formação de ogãs e tudo mais.

Apesar de todas as dificuldade, a maioria praticava a religião pela religião, e não com interesses escusos, onde a glória, a fama, onde aparecer em jornais, revistas, televisão e, mais recentemente, pela internet, era o objetivo principal.

Hoje, apesar de muitos discordarem de mim, a Umbanda vive um momento extremamente perigoso e obscuro.

Com o surgimento da Faculdade de Teologia Umbandista, criada e dominada por F. Rivas Neto, conhecido como 'Mestre Arapiaga', 'Pai Rivas', "Yamunishidda Arhapiagha", e seja lá mais quantos títulos e nomes que o cidadão tem, a Umbanda passa a ser dominada por conceitos e imposições que tomam a forma de "ensinamentos acadêmicos".

A FTU, na verdade, é o "pulo do gato" de Rivas Neto para solidificar sua liderança e controle no meio umbandista. O apoio que recebe das grandes lideranças religiosas, tenho de confessar, é impressionante, inclusive de pessoas que, não faz muitos anos, eram inimigas juradas do pessoal da Vila Alexandrina.

O plano é simples: escudados por uma instituição de nível superior reconhecida pelo MEC, o pessoal da OICD está muito à vontade para impor seus conceitos e idéias sobre o que é realmente a Umbanda. O que a FTU faz é simplesmente trocar uma ditadura por outra.

Explico.

Antigamente havia uma verdadeira guerra para se apontar a "verdadeira" Umbanda. Debates apaixonados eram seguidos, não raramente, por trocas de ofensas, ameaças e tudo mais. Todos, salvo honrosas exceções, queriam estar com "A" verdade, praticando a "Verdadeira" Umbanda. O mais irônico que entre os extremistas estavam exatamente os discípulos de Rivas Neto, que viviam nas listas de discussões emitindo conceitos nem um pouco "convergentes" ou com o mínimo de respeito à "diversidade".

Umbanda, para Aramaty, Obashanan, Araobatan, Babajinan e outros "ys" e "ans" era aquilo que Rivas Neto dizia e ponto final. O resto, em especial quem seguia as idéias de Rubens Saraceni, estavam no engano, eram fantoches de kiumbas.

Nos dias atuais, a coisa não mudou muito, já que para todos os "ys" e "ans", Umbanda continua sendo aquilo que "Pai Rivas" diz que é. Só que deixaram de lado as críticas às várias doutrinas e ritos dentro e fora da religião umbandista para, ao contrário, se renderem e processarem todos eles.

Então, como por um passe de mágica, Rivas Neto, além de iniciado na doutrina de Umbanda Esotérica e no Omolokô, passa a ser também sacerdote de Catimbó, conhecedor profundo do Xambá, Torê e do Candomblé, etc, doutrinas estas, diga-se de passagem, que sempre combateu em seus livros anteriores a fase "convergência e diversidade.

Outrora "coisas de kiumbas", os sacrifícios de animais são comuns na OICD e nos ritos promovidos pela FTU. Antes instrumentos que poderiam causar "cardiopatias graves", atabaques são tocados por "alabês", com direito a curso e tudo mais dentro das dependências da faculdade. Houve um fenômeno interessante neste processo todo: quem outrora queria converter toda a comunidade umbandista aos seus conceitos, foi convertido.

Obviamente, esta "conversão" de Rivas Neto às práticas condenadas pela doutrina da Umbanda Esotérica na qual, infelizmente, ele foi iniciado por Mestre Yapacani, têm um objetivo que vemos muito claro e delineado com a fundação da Faculdade de Teologia Umbandista: controle e poder.

Uma proposta como a FTU não se sustentaria em cima de uma só doutrina, visto que a Umbanda Esotérica, como já dito, condena a maioria das práticas da chamada Umbanda tradicional. Ele, Rivas Neto, jamais conseguiria o destaque e o trânsito que tem dentro da comunidade umbandista se continuasse a defender aquilo que seu Mestre ensinou e que ele também acreditava, tanto que colocou em seus livros.

Então, Rivas Neto e seu "Estado Maior", delinearam ações bem pensadas para chegar ao lugar que estão hoje. Em primeiro lugar, instituiram dentro da OICD os "Sete Ritos", onde em cada dia da semana, procedia-se reuniões com base em determinado rito umbandista. Isto já quebrou um pouco a resistência da comunidade em relação à OICD.

Em seguida, intensificaram nas listas e comunidades do Orkut, ataques ao trabalho de Rubens Saraceni, situações estas, obviamente, nenhum dos "grandes" da OICD aparecem diretamente envolvidos, usando para isto discípulos menores e simpatizantes para perpertuar os ataques.

Isto se deve porque a turma da Vila Alexandrina sabe e reconhece que a única liderança que pode fazer frente aos seus planos é o pessoal da Umbanda Sagrada de Rubens Saraceni. Tanto que continuam atacando o trabalho dele nas listas, em especial na "Apometria e Umbanda", de responsabilidade do Sr. João Carneiro.

Assim, escudado, como já disse, por uma instituição de ensino superior reconhecida oficialmente. Rivas Neto passa a fazer massiva propaganda ideológica, pregando "diversidade e convergência", e rotulando qualquer um que não coadune com suas idéias de "retrógado" e "fundamentalista".

Ao que parece, Rivas Neto e os seus só aceitam a "diversidade" de pensamento se este não entrar em choque com a suas idéias. A "convergência" só é aceitável quando tudo, assim como os rios correm para o mar, as posturas e idéias estejam alinhadas com a OICD/FTU.

Como eu disse, trocou-se uma ditadura por outra, mas com o mesmo ideal: que todos os umbandistas sigam as idéias de Rivas Neto e das intituições por ele criadas, sejam elas com características absolutistas e intolerantes como no passado ou, como no momento atual, posturas igualmente draconianas e absolutas, só que com um verniz mais simpático disfarçado de "tolerância".

terça-feira, março 17, 2009

"ORIXÁS" CHORÕES E OUTRAS SANDICES

Outro dia dizia a um dos meus discípulos, durante um tranquilo e agradável "happy hour" em restaurante de comida árabe, o quanto o movimento umbandista está se esfarelando, como a coisa descambou para um vale-tudo de mentiras, hipocrisias e contaminações doutrinárias.

Na verdade, o movimento umbandista (e não a Umbanda) está se transformando em um imenso CIRCO, onde os "mestres de cerimônia" e seus pupilos não mais querem do que se locupletarem em nome da religião, sem falar que para isto pregam aos quatro ventos que "tudo é Umbanda", que está todo mundo certo nas suas práticas, por mais exdrúxulas que sejam.

Se a coisa parasse somente no uso de cocares quilométricos, fantasias de demônios, cartolas, fraques e outros fetichismos estava até muito bom. Mesmo com a tal apometria do Norbeto Peixoto, com o Zé Pilintra "santo" do Rubens Saraceni, com a pretensão de Rivas Neto em ser um demiurgo, com certeza poderiamos nos sentir aliviados.

Mas agora, mesmo diante de tanta besteira, alguns resolveram imitar os "milagres" de estátuas que choram em nossos congás, à exemplo do que vem ocorrendo em todo mundo em Igrejas Católicas e, sem exceções, o próprio Vaticano comprovou serem fraudes ou fenômenos naturais.

Em uma lista de discussão, recebemos o seguinte e-mail (ipsis literis):

Enviadas: Sexta-feira, 13 de Março de 2009 19:21:05
Assunto: E as imagenes viveram!

E Ogum Onira em terra disse olhando fixamente às imagenes de Ogum e Oia, Se para valer têm vida devem-no demonstrar, esta noite têm que chorar, afirmo Ogum na gira.Increible meus irmãos, já terminada a gira, um irmão estava limpando o terreiro e comenzo a gritar e chorar.E vimos essas imagenes que me acompanhassem o resto de minha vida. Saravá Umbanda! Saravá Quimbanda! Salve nossa Banda!

O que me espanta é que tais "fenômenos" nunca acontecem diante de várias centenas de testemunhas oculares, somente alguns poucos privilegiados, em geral com interesse pessoal no "milagre", presenciam estas coisas.

Obviamente isto é uma fraude, uma mentira descarada ou fruto de uma histeria coletiva que atingiu os presentes, impressionados que ficaram com a "profecia" do tal Caboclo. As imagens não choram, não andam, não falam... enfim, nenhum fenômeno físico desta natureza, mesmo com um poderoso médium doador de ectoplasma presente, poderia acontecer.

Não que as imagens - como bem colocou um discípulo - não tenham motivos para chorar diante de tanta patacoada e sandices que vemos no meio umbandista, mas tal lamento não seria possível e nem teria sentido pratico algum.

Com certeza, não deve demorar para que tenhamos notícias de imagens de "exus" exalando fumaça com cheiro de enxofre e de pretos-velhos sendo servidas com café em colheres, como fazem na Índia ao servirem leite ao deus ganesh.

Acorda, Povo de Umbanda... os Clarins de Ogum já soaram faz tempo...