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quinta-feira, setembro 19, 2013

LUTANDO PELO BOM, PELO JUSTO E PELO MELHOR DO MUNDO

Na data de ontem, 18/09/2013, escrevi uma nota em meu mural de uma rede social onde critiquei veementemente a postura do deputado federal e pastor Marco Feliciano em ter dado voz de prisão à duas jovens lésbicas que se beijaram durante um culto em LOCAL PÚBLICO. Fui procurado pelo responsável pela página "Cartazes e Tirinhas LGBT", que pediu autorização para replicar meu texto naquele espaço, o que autorizei sem maiores problemas.

Como era de esperar, muitos dos meus contatos aqui no Facebook vieram me perguntar se sou homossexual, visto  que não é a primeira (e nem será a última) vez que publico algum texto defendendo os direitos dos casais homoafetivos.

Não sou homossexual.

Assim como não sou usuário de drogas, mas defendo a legalização das mesmas.

Assim como não sou negro, mas defendo o fim do racismo e do preconceito por conta de etnia.

Assim como não sou muçulmano, mas defendo que nem todo muçulmano é terrorista.

Assim como não sou indígena, mas defendo que estes povos tenham suas terras e suas tradições respeitadas e preservadas. 

Assim como não tenho um filho ou parente excepcional, mas sou contra o fechamento das APAE's.

Eu não preciso estar inserido dentro de uma determinada situação para defender o que é justo, o que é certo.

As pessoas estão sempre muito preocupadas com o seu próprio umbigo, em advogar em causa própria, e esquecem que podemos ser, simplesmente, solidários e cerrarmos fileiras contra aquilo que consideramos injusto.

Lamento, novamente, que tanta gente instruída, com valores morais sólidos, educadores e formadores de opinião, aplaudam e tentem justificar esta verdadeira "guerra santa" que alguns políticos e religiosos declararam contra a comunidade homossexual brasileira.

Entristece-me ver como o preconceito está ali, travestido, em palavras como "sociedade tradicional", "tecido social", "respeito à família", dentre tantos outros eufemismos que se traduzem em simples e completa intolerância e aversão ao diferente.

Os argumentos usados, em especial os que evocam conceitos religiosos, purista ("isto não é natural") e a tal "moral social" para justificar a proibição da união de pessoas de etnias diferentes. Não era "natural", a sociedade não "aceitava" e Deus era "contra" um branco casar-se com uma negra.

Na verdade, velhos argumentos para um novo preconceito.

O que vai romper o tecido social neste país não é a equidade de direitos aos casais homossexuais, nem a demonstração pública de afeto ou mesmo a adoção de criança por parte deles. O que romperá a ordem social neste país é a corrupção, os privilégios à políticos, a falta de solidariedade, a insistência do brasileiro em olhar para o seu próprio umbigo, a intolerância religiosa, a injusta distribuição das riquezas, a falta de educação e saúde de qualidade.

Hoje um setor radical e fundamentalista evangélico, escudado por sua bancada no Congresso Nacional, persegue homossexuais justificando isto como "defesa da família", "tradição social", "ordem de Deus".

Amanhã passarão a perseguir religiões afrobrasileiras dizendo (como já dizem) que são demoníacas, que sacrificam animais (como se o Velho Testamento não estivesse cheio de sacrifícios), que somos um "país cristão" e que a "sociedade tradicional" não aceita estes "rituais atrasados".

Logrando êxito, passarão a perseguir os católicos, porque eles "adoram" imagens, porque o padre usa batina, porque os padres fazem voto de celibato e que nada disto está previsto na bíblia, exceto que a adoração de imagens é uma abominação.

Então, revogando Leis e criando outras visando satisfazer seus interesses, estes fundamentalistas cristãos, em um futuro muito próximo, imporão todo o seu sistema de crença e de moral a todos os brasileiros, sempre justificando com os mesmos argumentos que servem tanto para impedir o casamento entre pessoas de etnias diferentes, como para o de pessoas do mesmo sexo.

Quando acordamos, estaremos vivendo em uma teocracia fundamentalista cristã, onde não somente o casamento, o sexo, e a demonstração pública de afeto entre pessoas do sexo será crime, mas também onde o Estado nos dirá a qual divindade rezar, quais as práticas sexuais poderemos ter, o que ler, o que assistir, em quem voltar.

A exemplo das teocracias islâmicas fundamentalistas, vamos começar a prender e, por que não, executar homossexuais, ateus, oposicionistas políticos, que faz sexo não sendo casado, quem come carne de porco ou não frequenta uma igreja.

Se você está lendo este texto e acha que é um exagero, que estas coisas não podem acontecer, pesquise um pouco sobre como funciona em países islâmicos.

Veja, por exemplo, o Irã pós-revolução islâmica o que virou.

Os aiatolás foram aos poucos impondo a "Sharia" e hoje vivem em uma sociedade dominada por conceitos e preceitos arcaicos, ao ponto de se declarar que relações sexuais entre pessoas não casadas são a causa de terremotos e outros desastres naturais, para justificar mais uma Lei que regula as relações interpessoais.

Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão até o inimigo, pois se fugir a esse dever estará a estabelecer um precedente que até a ele próprio há-de atingir, já nos ensinava Thomas Paine no século XVI.

Então, quando levantar a sua voz para ovacionar arbitrariedade contra homossexuais, lembre-se que um dia, por conta dos meus argumentos, os seus direitos também poderão ser feridos.


Garanta, portanto, a LIBERDADE DE TODOS, para que um dia, caso seja você o oprimido, garantam a sua.

quinta-feira, julho 01, 2010

TERREIRO INVADIDO PELA PM

Não havia de minha parte intenção de voltar a escrever neste blog, já que, como dito na última postagem, estou envolvido com outros projetos, o que não quer dizer que deixei de ser umbandista.

De toda forma, a notícia que recebi através do twitter do Ricardo Barreira (@ricardobarreira), sobre a invasão de um Terreiro de Umbanda pela PM de Santa Catarina, me impulsionou a escrever novamente algumas linhas sobre o mal fadado "Movimento Umbandista".

Antes disto, porém, vamos falar um pouco sobre a ação desastrosa da PM no episódio.

A conduta dos militares, além de ILEGAL em todos os aspectos, foi uma demonstração clara de preconceito religioso, truculência e despreparo da Polícia Militar de Santa Catarina. A justifictiva apresentada pela PM de que invadiu porque não foi atendida e que isto foi necessário para "confirmar o flagrante", além de ABSURDA, é RISÍVEL.

ABSURDA porque, no que pese a alegação de perturbação do sossego, que é uma contravenção e não crime, a polícia não pode invadir nenhum local sem ordem judicial, exceção feita no caso em que os milicianos estejam CERTOS da ocorrência de CRIME em andamento ou para salvaguardar a vida humana.

Desncessário dizer que o caso em questão não se enquadram nas exceções.

Outro aspecto legal que deve ser questionado é: existe uma "Lei do Silêncio" em Jaraguá do Sul? Se não houver, convenhamos que um culto que se estende até às 22:30 horas está dentro do razoável. Quem já não teve de aturar festas de vizinhos que viram madrugada com música e conversa alta? Será que a PMSC invadiria uma festa, com um contigente tático, da mesma forma que fez com o Terreiro de Umbanda? Os incomodados vizinhos do Terreiro, seriam tão diligentes em chamar a polícia para acabar com aquela festa de aniversário de um de seus vizinhos?

Perguntas que, certamente, não terão respostas, já que o que ocasionou todo este lamentável episódio foi o preconceito dos vizinhos do Terreiro e dos policiais militares. Simples assim.

Aliás, um preconceito burro, estúpido, criminoso, de todas as partes envolvidas, desde os vizinhos até o comando da Polícia Militar de Santa Catarina que permitiu uma nota de esclarecimento absurda, sem noção mesmo, como a que divulgou.

Estranheza maior ainda, causa a inércia dos "orgão de cúpula" do Movimento Umbandista frente a estes atos preconceituosos e discriminatórios. Alguma federação, associação, conselho, ous eja lá o nome que dão para estas instituições que se dizem representativas (mas sabem bem qual é o verdadeiro interesse por detrás delas...) irão acompanhar o desfecho deste caso? Qual destes "orgãos" meterá a mão no bolso para contratar um advogado e acompanhar a sindicância, o inquérito, o processo.. seja lá o que for?

Eu mesmo respondo: NENHUM.

Estes orgãos, em sua maioria (e vista a carapuça quem quiser...), objetivam nada mais do que projetar seus líderes dentro da comunidade umbandista, afim de arrecadar dinheiro, conquistar poder e influência, mas sem nenhuma atitude prática e concreta. A maioria das federações, associações e, principalmente, alguns "conselhos" que surgiram de um tempo para cá, nada mais são do que poderosas máquinas de propaganda em favor do egos de uns e outros.

É nesta hora que os "tans", "shans", "piagas" (ou serão "piadas") deveriam sair dos seus feudos, de suas roupas de linho, parar de se esconder atrás de listas de discussão e fazer algo de concreto em relação a este tipo de ocorrência.

Os "paladinos da umbanda" do orkut, aqueles que se acham no direito de caluniar e difamar, que se dizerm "defensores da religião", deveriam, igualmente, largar da covardia que lhe é peculiar e ir à luta para fazer algo pela religião de veradade, ao invés de ficarem como lavadeiras fofoqueiras em sites de relacionamentos.

Enfim, larguem desta postura virtual, falsa, corrupta, fingida de "defensores da umbanda" e façam, realmente, alguma coisa em pró da religião, corja.

domingo, abril 12, 2009

MICK JAGGER, DEMÔNIOS, TEMAS DE NOVELAS E DELÍRIOS PRECONCEITUOSOS

Já ouviram aquela expressão que diz "quanto mais eu rezo, mais o diabo aparece"?

Pois é exatamente esta a sensação que tenho em relação a este mundo virtual. Mas pode ficar tranquilo, caro leitor, que este artigo não trata das bobagens divulgadas por nenhuma ordem, faculdade e seus relações públicas, e sim do preconceito que ainda viceja por este mundo afora.

Antes de mais nada quero dizer que não assisto novelas, já que tenho coisas mais importantes e prazerosas para fazer. Não consigo acompanhar estes folhetins qu são uma verdadeira aula de ignorância para seus telespectadores, assim como não suporto o velho tom maniqueísta que os escritores insistem em dar às suas obras.

Não acompanho novelas, mas o faço em relação à listas de discussões. Sou assinante de dezenas delas, dos mais variados temas, mas principalmente aquelas que falam sobre Umbanda, Candomblé, Maçonaria, Escotismo, Rosacrucianismo, que são temas diretamente relacionados às minhas atividades atuais.

Em uma lista relacionada ao Iluminismo, recebi o seguinte email, assinado pelo Sr. Reinaldo Giannoti, que diz o seguinte:

Maior é Aquele que nos une do que aquilo que nos separa

A Rede Globo tem colocado como tema principal em sua novela das 8h a música "Simpatia Pelo Diabo" (Sympathy for the Devil). Colocamos disponível aqui a tradução desta música para que sirva como um alerta para toda a comunidade. Para quem não sabe, aí vai um dado histórico sobre essa música: Mick Jagger, o vocalista do Rolling Stones, vêio muitas vezes ao Brasil nos anos 60 e 70, especialmente à Bahia, para participar de sessões de macumba em terreiros de Salvador. Numa dessas sessões, ele incorporou um demônio, que, dentre uma frase desconexa e outra, deu as linhas ou a idéia para essa música, que ele acabou compondo no hotel, mais tarde. Assisti à diversos vídeos antigos dos Rolling Stones conversando, ensaiando, etc, e uma das palavras que o Mick Jagger gosta de falar é "saravá", que ele pronúncia com sotaque britânico "saráva"...São mensagens como esta, escondidas atrás de uma melodia bonita, que os nossos filhos poderão ser atraídos e amaldiçoados. Cuidado! O mundo espiritual é mais REAL do que podemos imaginar.

Sou uma pessoa que sigo aquela velha e surrada máxima de "que posso não concordar com nada que você diga, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". Mas, por outro lado, acredito também que todo mundo que fala o que quer, está sujeito a ouvir o que não quer.

Por si só, este email já é motivo suficiente para que o seu autor seja enquadrado no art. 20 da Lei 7716/89, que veda a prática do preconceito religioso. Por opiniões semelhantes, a Rede Record está sofrendo processos civis e criminais.

De toda forma, não há o mínimo de sentido no que está escrito e explico o motivo.

Vamos falar, primeiramente, sobre as supostas visitas de Mick Jagger ao Brasil afim de participar de rituais em terreiros da Bahia.

Antes de escrever este artigo pesquisei exaustivamente tal notícia e a única coisa que encontrei foi uma referência de que ele teria conhecido o Candomblé nos anos 60. Nenhuma nota sobre uma suposta manifestação mediúnica o que, se tivesse mesmo ocorrido, não passaria incólume pela imprensa
.

Outra coisa que é para se questionar, seria o motivo que levaria o líder dos Rolling Stones sair da Europa para vir incorporar "demônios" no Brasil, mais precisamente dentro de terreiros de Candomblé, visto que por aquelas bandas não é difícil encontrar grupos satanistas e luciferianistas. Até mesmo a "igreja de satã" está presente na Europa.

Procurei alguns videos sobre os Rolling Stones e, miseravelmente, não encontrei um só onde Mick Jagger pronunciasse "Saravá", palavra esta, diga-se de passagem, que não é usual dentro dos Cultos de Nação.

Pois bem, agora vamos falar sobre a letra da música "Simpatia Pelo Diabo" (Sympathy for the Devil). Uma das estrofes fala o seguinte:

Just as every cop is a criminal And all the sinners Saints As heads is tails Just call me Lucifer'Cause I'm in need of some restraint

Traduzindo:

Assim como todo policial é um criminoso E todos os pecadores, santos Como cara é coroa Basta me chamar de Lúcifer Pois estou precisando de alguma restrição

Em outras partes da música existem mais menções à "lúcifer", que se tornou sinônimo de "demônio" por pura ignorância e mesmo conveniência do cristianismo. A palavra só aparece duas vezes na Bíblia, assim mesmo na Vulgata de São Jerônimo, sendo que na primeira se refere a queda do Rei Nabucodonosor (Isa 14:12) e na segunda referindo-se ao próprio Jesus Cristo (II Pe 1:19).

Não existe, em todo o texto bíblico, uma única menção à "lúcifer" como sinônimo de "demônio", "gênio do mal" ou "satanás", palavra esta, aliás, que aparece 54 vezes no texto bíblico se referindo ao opositor de Deus e sem nenhuma ligação com o "Portador da Luz" [significado literal de "Lúcifer"].

O email em questão, assim como a insistência dos evangélicos (sempre eles) em querer ligar o Candomblé e a Umbanda ao seu "bicho-papão" personificado no mítico "diabo" judaico-cristão, é uma tolice, uma parvalhice que só perde para afirmar que a palavra "cama" tem origem no etrusco.

Infelizmente, o povo evangélico se preocupa muito mais em temer o demônio e perseguir as religiões de matriz africana do que louvar à Deus. Em tudo vêem a mão do "tinhoso", do "pé preto", do "coisa ruim", do "diabo". Mas, por uma questão de bom senso nunca chamem o diabo de corintiano: ele é o "capeta" e não o "vampeta".

Afinal de contas, para tudo existe limite.

domingo, fevereiro 22, 2009

OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE...

A imprensa noticiou, em menos de um mês, que dois Terreiros de Umbanda na cidade do Rio de Janeiro foram atacados por pessoas que e diziam estar agindo de acordo com ordens que teriam recebido do Próprio Deus.

Em outra ocorrência, a suíça Emmanuelle Widmer, 58 anos, registou queixa contra um gari, por discriminação e injúria. Ela, que mede pressão no Centro de Nova Iguaçu e é espírtita, acusa o gari de lhe ofender com frases como "você é o diabo".

O que estes ataques têm em comum é que todos foram perpetrados por EVANGÉLICOS.

Não é de hoje que venho tratando neste espaço sobre o desrespeito do povo que se diz "de Deus" com as demais confissões de fé, em especial àquelas de matriz africana.

Aliás, não se tem notícias destes ARRUACEIROS, verdadeiros BANDIDOS, MARGINAIS DA PIOR ESPÉCIE, atacando santuários ligados à Igreja Católica.

Obviamente, sendo a Igreja Romana, pelo menos oficiosamente, ligada aos Poderes constituídos deste país, onde Cardeais, Bispos e até mesmos Padres (como ainda acontece em muitas cidades do interior do Brasil) chegam a ser considerados "autoridades", estes COVARDES PUSILÂNIMES, não se atrevem a invadir e quebrar, por exemplo, o Santuário de Aparecida do Norte, a Catedral da Sé ou o monumento erigido em Juazeiro do Norte em homenagem ao Padre Cícero Romão Batista .

Esta ESCÓRIA travestida de religiosos, não ousariam atacar este lugares pelo simples fato de saber que, no mínimo, seriam presos, processados e exemplarmente punidos pelo Poder Público. Mas também não o faz, porque, em especial no Santuário de Aparecida do Norte e em Juazeiro, certamente não sairiam do local VIVOS para responderem juridicamente pelos seus atos.

Não é demais lembrar a repercussão que teve o caso do "bispo" da Igreja Universal, Sérgio von Helde, que chutou a imagem da santa católica Nossa Senhora da Aparecida, e foi exemplarmente punido pela Justiça, assim como amargou com o ostracismo dentro da própria instituição que representava.

Por outro lado, não temos a menor notícia sobre o destino dos jovens que depredaram o Centro Cruz de Oxalá, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Não há notícias de punição aos militares que comandados pela Tenente-PM Dálrea de Souza Braga, ILEGALMENTE, invadiram o Terreiro de Candomblé Unzo Atim Nzaze Yia Omin, no bairro Santo André, em Belo Horizonte.

A imprensa se esqueceu do fato, já que invadir "terreiro de macumba", como ouvi de um conhecido jornalista aqui de Belo Horizonte, "não é notícia". As federações, associações, conselhos, e todo este LIXO que se diz "representates da Umbanda", pelo visto, também se esqueceram destes fatos e não fizeram a menor pressão em cima das autoridades para que os responsáveis por estes ataques fosse, como no caso da santa católica, exemplarmente punidos.

O desinteresse da imprensa está explicado nas palavras do jornalista.

A inércia das federações e afins mais do que justificado, já que, em nossa opinião, com raras e honrosas exceções, não fazem absolutamente nada por seus filiados, visto que a intenção é apenas, e tão somente, ganhar a vida em cima da comunidade umbandista e, senão, usar tais orgão com fins eleitoreiros e comerciais.

A omissão dos Poderes constituidos é também evidente e de fácil explicação: uma substancial parcela do eleitorado brasileiro da atualidade se diz "evangélica". Os chamados "crentes" são uma mina de votos e, já que se portam como cordeiros submissos à vontade dos seus pastores, não seria interessante para o Governo aplicar rigorosamente a Lei contra estes marginais que depredam Terreiros de Umbanda e Candomblé e, assim, ficarem mal vistos pela comunidade evangélica.

E, verdade seja dita, apesar de lideranças evangélicas se pronunciarem contra estes ataques, maioria apoia e concorda com tais atos de vandalismo.

Seus sites, programas de rádio e de televisão, via de regra, estão cheios de mensagens de ódio, de preconceito e aversão à Umbanda e demais religiões de matriz africana. Não foi uma ou duas vezes que li (e ouvi) pregações onde diziam que o "reino de satanás tem de ser eliminado da Terra", logo após mencionarem os cultos de origem africana.

O vídeo abaixo demonstra bem isto:

O mais engraçado nesta história toda, é que com suas pregações preconceituosas, estas atitudes desrespeitosas e covardes, indignas até mesmo da parte de animais, os evangélicos vivem a berrar por seu direito de liberdade de expressão, de pensamento e de CULTO. Basta o menor arranhão naquilo que defendem ser seus direitos inalienáveis previstos na Carta Mgana deste país, e correm a fazer braulho e acionar seus representantes no Congresso.

Assim como uma determinada curriola de umbandista modernos, alguns evangélicos são aguerridos defensores da liberdade, da tolerância, do respeito aos direitos constituicionais, desde que tudo isto esteja ao seu favor.

Está na hora do povo de Umbanda reagir a este tipo de abuso, já que conselhos e federações nada fazem de efetivo para mudar este tipo de coisa. No muito, soltam "notas oficiais" em listas de discussões condenado os atos de vandalismo e nada mais.

Havemos de usar, inclusive, da FORÇA FÍSICA para evitar este tipo de abuso, defendendo nossos Congás desta violência perpetrada por estes idiotas que insistem em se auto-proclamar "povo de Deus", assim como exigir das autoridades punição exemplar nestes casos.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O PRECONCEITO COMEÇA EM CASA

Neste último final-de-semana, estava reparando em alguns jovens evangélicos no shopping, vestidos com camisetas que expressavam sua fé e orgulho por esta condição.

No estacionamento, não foi difícil ver uma dezena de carros com adesivos contendo versículos bíblicos, nomes de igrejas e outros sinais que nos davam conta de que seus proprietários seguiam algum grupo religioso de origem protestante.

Comecei, então, a procurar adesivos semelhantes que remetessem à fé umbandista, candombelcista ou até mesmo espírita. Não os achei.

Consegui visualizar alguns de temática maçonica, rosacruciana, católica e até mesmo teosófica (aliás, de uma Loja da qual faço parte), mas algo do tipo "Sou feliz por ser Umbandista" ou um simples "Umbanda - 100 anos", foi impossível de encontrar.

Obviamente, não quero dizer que sair por ai declarando sua fé através de camisetas e adesivos automotivos seja uma necessidade ou mesmo demonstração de comprometimento com a religião, longe disto. Mas é interessante especularmos os motivos que levam a, praticamente, total ausência deste tipo de manifestação em relação as religiões de matriz africana.

Ao que parece, o umbandista tem um certo receio de se declarar como tal.

Certamente por conta do preconceito que ainda campeia neste nosso país, com receio de ser taxado como "macumbeiro" ou "feiticeiro", as pessoas preferem manter sua fé nor Orixás, Guias e Protetores como algo muito particular e secreto.

Já tive várias oportunidades de questionar enormes assistências dentro de Terreiros de Umbanda sobre quantos dos presentes se consideravam realmente umbandistas. Houve lugares em que nem mesmo a totalidade dos médiuns ergueram suas mãos e, pasmem, teve um dito "babalorixá" que se declarou, com todas as letras, católico.

Ao que parece, a Umbanda para estas pessoas, e ouso dizer, para a maioria esmagadora daqueles que frequentam nossos Terreiros não passa de um último recurso na tentativa de solucionar seus "causos" e mazelas que promessas à santos católicos, novenas e penitências de confessionário não resolveram.

Para a maioria dos adeptos e simpatizantes da religião, a Umbanda é apenas um complemento da fé católica, já que na hora do casamento, do batismo dos filhos, das festas de bodas, dos funerais, via de regra, recorrem à Igreja Católica e não ao Terreiro que por anos frequentaram.

Existe, além do aspecto religioso, toda uma questão social neste tipo de comportamento.

As Igrejas tradicionais são bem aceitas por todos os setores da sociedade, sendo que os Terreiros são tidos como antros de magia negra e comunicação com o demônio. Eu mesmo, quando fiquei noivo, senti na pele esta situação já que meus familiares, todos evangélico, não compareceram à cerimônia de noivado que foi feita no Terreiro que eu frequentava à época.

Questionados qual seria o motivo para não irem a uma cerimônia feita em um Terreiro de Umbanda, mas comparecer normalmente a celebrações na Igreja Católica (por eles considerada apóstata), a resposta que ouvi foi de que apesar da apostasia a Igreja de Roma não praticava comunicação com espíritos satânicos como no caso da Umbanda.

Faz alguns anos, celebrei um casamento onde a quase totalidade dos mais de 200 convidados só apareceram para a recepção, eximindo-se de participar da cerimônia religiosa dentro do Terreiro. Ocorrências semelhantes me foram relatadas por outros Sacerdotes umbandistas.

Não faz muito tempo, uma Sacerdotisa umbandista, que mantinha Casa aberta por mais de 30 anos, faleceu e em seu velório um padre católico conduziu a cerimônia religiosa.

Já é tempo da Umbanda tomar seu lugar como RELIGIÃO e não mero apêndice da Igreja Romana. Mas para isto, é necessário que aqueles que se dizem umbandistas assumam esta condição publicamente e passem a prestigiar nossas Tradições e ritos.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

GOD HATES FAGS: REALLY?!?

Existem coisas que, realmente, não há como entender.

Venho há anos estudando religiões e não consigo entender, por exemplo, como os movimentos protestantes conseguem adorar um Deus que, ao mesmo tempo, ama e odeia todas as suas criaturas.

Esta semana estava em uma jantar de confraternização da associação profissional da qual faço parte e, como sempre, política, religião e futebol são assuntos sempre presentes nas mesas. Apesar de achar que são temas delicados demais para se discutir de forma imparcial, nunca me furto ao debate, sejam com quem for.

No meio da conversa, que saiu abruptamente do tema "Obama" para o "religião", um amigo, já em um grau de embriaguez alto, menciona que eu era um "pai-de-santo", informação esta emendada por outro participante com a seguinte afirmação:

"Xiiii... todo pai-de-santo é gay!".

Houve um mal estar geral na mesa, com exceção de mim que permaneci tranquilo. Não foi esta a primeira, e com certeza não será a última vez, que escuto tal bobagem.

Apesar do mal estar, percebi que as pessoas esperavam uma resposta de minha parte, talvez curiosas em saber se realmente eu era homossexual ou, sabe-se lá o que se passa na cabeça das pessoas, se realmente todo sacerdote de Umbanda e Candomblé é gay.

Perguntei ao autor desta "pérola" no quê se baseava para fazer tal afirmação, e ele respondeu que todos os "pais-de-santo" que conhecia e via na televisão são homossexuais, logo, por "lógica", ele entendia que ser homossexual seria condição "sine quo non" para ser sacerdote de religiões de matriz africana.

Está certo... vamos levar em consideração que estamos lidando com uma pessoa que já havia bebido cinco ou mais doses de whisky, que apesar de ser formado em uma ciência que prioriza o pensamento lógico e despreza o uso de falácias, ele estivesse fazendo uma brincadeira sem graça.

Mas não era o caso.

Dizem que a bebida consegue desinibir e mostrar as pessoas sem as amarras sociais, ou seja, faz com que a máscara caia. Este sim foi o caso.

Perguntei ao meu interlocutor qual a religião que professava, e ele disse: sou evangélico. Sinceramente, tal revelação não causo-me surpresa, ainda mais quando ele, emendando a resposta, começou a citar versículos bíblicos que condenariam a homossexualidade.

Esperei que acabasse toda aquela verborragia e respondi que não era homossexual, mas que não tinha nenhum tipo de reserva à qualquer pessoa que o fosse. Afirmei que as religiões de matriz africana possuem muitos adeptos homossexuais porque não há (ou pelo menos não deveria haver) nenhum tipo de preconceito em relação às escolhas pessoais que cada um faz no campo da sexualidade, da política, etc.

Dentro da Umbanda, não se faz diferença entre o homo e o heterossexual, assim como entre o pobre ou o rico, entre o faxineiro e o presidente da multinacional. Pelo menos assim deveria ser em qualquer Terreiro, visto a universalidade de nossa doutrina, mas não seria eu hipócrita ao afirmar que realmente isto acontece em todos os lugares.

Conheço umbandistas que acreditam, realmente, que a homossexualidade é algo que deve ser tratado, como se fosse uma doença. Este conceito é igual ao da maioria esmagadora das denominações evangélicas e também da Igreja católica. Na cabeça destas pessoas, o homossexual pode ser "convertido" à heterossexualidade.

Estive fazendo uma pesquisa sobre a homofobia e descobri, estupefato, que 80% dos movimentos homofóbicos partem de igrejas de orientação protestante, em especial (que surpresa) as neopentecostais. O que não consigo entender é como pessoas que seguem um Mestre que pregou o "amai uns aos outros", assim como ensinou que Deus não faz exceção de pessoas, podem encabeçar ações que, não raramente, terminam em violência e desrespeito à pessoa humana.

Nos Estados Unidos, por exemplo, existe a Igreja Batista de Westboro que prega abertamente o ódio de Deus pelos homossexuais. Aliás, o título deste artigo foi inspirado em uma frase recorrente que usam em seu site e em suas manifestações. Em uma tradução livre, seria algo como "Deus odeia as bichas". Na verdade, para esta Igreja, Deus odeia todo mundo exceto, obviamente, aqueles que se alinham com suas idéias preconceituosas.

Apesar de ocorrer em menor escala, ainda existe preconceito contra homossexuais dentro do movimento umbandista, o que não deveria acontecer. A discriminação, seja lá por qual motivo for, é uma prática contrária aos mais básicos princípios da Umbanda e um ato lesivo à sua universalidade.

Infelizmente, a incompreensível prática da dupla filiação religiosa, como é o caso dos "católicos-umbandistas" que vemos aos montes por ai, contamina nossos Terreiros com as doutrinas e orientações do Vaticano. Conheço Terreiros que têm o quadro com o retrato do Papa em seus altares, que fazem novenas e observam o calendário litúrgico da Igreja Católica. Acompanhado estas práticas, vem também a hipocrisia, os conceitos pseudo-puristas das bulas papais.

Não acredito, realmente, que Deus odeia ninguém, sejam os homossexuais, os heterossexuais, os democratas, republicanos, corintianos ou são paulinos. O ódio é uma emoção por demais humana para que um Ser que é a Causa de tudo que conhecemos, sinta por qualquer uma de suas criaturas.


Deus é tão amoroso, tão misericordioso, que não odeia nem mesmo aqueles que em Seu Nome, pregam a violência e o preconceito.

sábado, fevereiro 25, 2006

PRECONCEITO RELIGIOSO: CRIME CONTRA A FÉ.

A tolerância não é o oposto da intolerância; é
sua contrafação.São ambos despotismos. Uma se arroga o direito de impedir a
liberdade deconsciência, a outra se arroga o direito de
concedê-la.”
(Thomas Paine 1737- 1809)
O Brasil é um país com características multiculturais, raciais e religiosas. As diversas Tradições religiosas, historicamente, convivem lado a lado, em relativa paz, há muitos anos. Não presenciamos em terras Tupiniquins eventos lastimáveis de confrontos armados como temos notícias vindas da Irlanda do Norte, onde Católicos e Protestantes, há vários anos se matam em nome de Deus, ou os inacreditáveis conflitos no Oriente Médio, onde judeus e palestinos se matam por diferenças religiosas há séculos. Porém, esta situação, infelizmente, está mudando...

O avanço de determinadas seitas e denominações de origem protestantes e o controle de meios de comunicação de massa como televisão e rádio por elas controladas, está levando o Brasil a fazer parte da triste lista dos países onde a intolerância religiosa vem fazendo vítimas. Não faz muito tempo, e certamente todos se lembram, o "bispo" Von Helder, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, chutou e esmurrou em rede nacional de televisão uma imagem da Nossa Senhora da Conceição cultuada pelos Católicos, gerando uma das maiores comoções nacionais que este país já presenciou.

A falta de bom senso e respeito deste "bispo" à um ícone reverenciando por, pelo menos, 70 % da população do Brasil, demonstra muito bem a intenção destes religiosos. Como se não bastasse, a mesma Igreja Universal era useira e vezeira (e ainda é, usando de uma certa "maquiagem") em apresentar em seus maçantes e "doutrinários" programas televisivos, imagens de rituais de exorcismos e entrevistas com supostos "espíritos" e "demônios", que eles chamam de "encosto" (já que para evitar processos judiciais não mais utilizam as palavras "Guias" ou "Orixás"), onde os mesmos entregam toda a "malvadeza" que fazem com os pobres mortais.

Apesar da mudança de nomenclatura destes supostos "encostos", estranhamente, ao serem perguntados por seus nomes, afirmam ser Tranca-Ruas, Marabô ou qualquer outro Exu ou Orixá de nossa Umbanda.

A verdade é que nós, adeptos dos Cultos Afro-Brasileiros, somos vítimas constantes de ataques vindos, principalmente, das Igrejas protestantes e mesmo da Igreja Católica que com saudades do tempo da "santa" Inquisição, nomeou um novo Torquemada para perseguir os "pagãos infiéis", escudando-se na parapsicologia e com o apoio da TV Globo : Padre Quevedo. Aliás, justiça seja feita, a "Vênus Platinada" não suportou a pressão vinda dos vários setores místicos e esotéricos do país e retirou o quadro "Caçador de Enigmas" do ar, encurtando a carreira do bufão espanhol, que longe de debater com gente séria e verdadeiramente estudiosa dos fenômenos paranormais e psíquicos, atacava com sua verborragia pobres coitados humildes e iludidos por forças inferiores, ou simplesmente aproveitadores da boa-fé alheia. Padre Quevedo como cético (conforme afirma ser) é um fracasso.

Ao mesmo tempo que desfralda a bandeira do "Caçador de Enigmas e de Fraudes", atesta e assina embaixo os "milagres" reconhecidos pela Igreja Romana. Apesar de não ter confirmação científica das aparições da Nossa Senhora dos Católicos e os prodígios dos assim denominados "Santos", o mesmo já afirmou várias vezes que tais fenômenos tem a "assinatura de Deus", ou seja: seu ceticismo serve apenas para os fenômenos e ocorrências no meio espírita ou espiritista, nunca para os caso reconhecidos pela Cúpula do Vaticano.

Padre Quevedo, antes que me fuja a menção, é motivo de risos e chacotas de seus próprios colegas céticos e da comunidade parapsicológica séria.

Atualmente, a "poderosa" TV Globo dá extrema publicidade ao mágico profissional e parapsicólogo James Randi, que pelo menos é uma pessoa sem envolvimento com nenhum setor religioso e que está aberto a debater e pesquisar qualquer um que diga ter poderes paranormais. Além do mais é uma pessoa respeitada e conhecida no meio parapsicológico internacional, ao contrário do bufão Padre Quevedo que sofre de megalomania em alto grau e vive afirmando que é o melhor isto ou aquilo (já declarou que é o segundo melhor mágico do mundo) e que suas obras escritas são "definitivas" em relação aos assuntos abordados.

Infelizmente, no caso de James Randi e seu "Desafio Paranormal" onde oferece Us$ 1.000.00,00 (um milhão de dólares), as pessoas que apareceram aqui no Brasil candidatas ao prêmio, incluindo ai o "parapsíquico" (seja lá o que isto quer dizer) Thomas Green Morton, demonstraram apenas estarem iludidos com fenômenos facilmente explicáveis pela ciência ou agindo de má fé mesmo. Graças à Zambi, ninguém se dizendo Umbandista se apresentou...

Todos estes fatos que exponho não tem a finalidade de criar uma "Teoria da Conspiração" da qual os adeptos dos Cultos Afro-Brasileiros estejam sendo vítimas, mas tem o propósito de mostrar como pessoas com a mesma fé e o mesmo ideal, porém sem uma liderança forte e significativa são e continuarão sendo vítimas de ataques e "preconceito branco" por parte da mídia. Não é novidade para ninguém a proximidade da Rede Globo com o poder, inclusive o Eclesiástico. Não é novidade para ninguém que a maioria dos apresentadores de programas de televisão são católicos declarados e não se acanham em atacar os Cultos Afro-Brasileiros freqüentemente, como é o caso o apresentador Carlos "Ratinho" Massa, do SBT.

Saindo do mundo televisivo, vamos falar sobre alguns absurdos encontrados na Internet.

Basta que você digite a palavra "Umbanda" em qualquer site de buscas, que além dos site de seus adeptos, certamente encontrará algumas de autoria de evangélicos e até mesmo de católicos onde as religiões afro-brasileiras são relacionadas ao satanismo, magia negra e, pasmem, sacrifícios humanos. Lembro-me que há quatro anos atrás cheguei a encaminhar ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, cópia de um testemunho onde um cidadão que se dizia ex-umbandista, afirmava que por várias vezes praticou sacrifícios humanos em rituais de "umbanda". Após a denúncia, misteriosamente o site foi retirado do ar e nada foi apurado.

Mais recentemente entrei em uma demanda com os autores do site que tinha como título "Foramacumbeiros", que, dentre outras coisas, incentivava a descriminação e mesmo o ataque físico aos praticantes de Umbanda e Candomblé. O site ficou fora do ar por algum tempo e, infelizmente, retornou sem textos e com o novo título "Um Minuto de Silêncio". A polêmica foi tão grande que mereceu reportagem no Jornal do Brasil (matéria publicada em 13/03/2001 nao caderno "Cidade").

Outro fato digno de registro foi a atitude de um Órgão de Cúpula dos Cultos Afro-Brasileiros do Estado de São Paulo, que após tomar conhecimento de um e-mail onde um pastor protestante convocava seus fiéis com o intuito de atrapalhar a tradicional Festa de Yemanjá que aconteceria na Praia Grande, litoral paulista, representou contra o mesmo, solicitando providências da parte da Autoridade Policial local contra tal desrespeito.

Para finalizar, queremos convocar todos os verdadeiros Umbandistas, Candomblecistas e demais "minorias" religiosas para que façam valer seus direitos. Se forem vítimas de preconceito religioso ou encontrarem material neste sentido, denunciem às Autoridades os responsáveis, colaborando assim para a dignidade de nossa Religião e evitando que o Brasil seja palco de uma guerra religiosa.

Na seqüência deste artigo, as Leis que nos garantem a Liberdade de Culto.

PRECONCEITO: de Raça ou Cor, Étnico, Religioso e de Nacionalidade*

Lei Federal nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989

Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, de acordo com anova redação dada pela Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997

Artigo 1º » Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Artigo 3º » Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.

Pena – reclusão de dois a cinco anos.

Artigo 4º » Negar ou obstar emprego em empresa privada.

Pena – reclusão de dois a cinco anos.

Artigo 5º » Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.

Pena – reclusão de um a três anos.

Artigo 6º » Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau.

Pena – Reclusão de três a cinco anos.

Parágrafo Único - Se o crime for praticado contra menor de 18 anos a pena é agravada de 1/3 (um terço).

Artigo 7º » Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou qualquer estabelecimento similar.

Pena – reclusão de três a cinco anos.

Artigo 8º » Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.

Pena – reclusão de um a três anos.

Artigo 9º »Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diversões ou clubes sociais abertos ao público.

Pena – reclusão de um a três anos.

Artigo 10º »Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades.

Pena – reclusão de um a três anos.
Artigo 11º » Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos.

Pena – reclusão de um a três anos.

Artigo 12º » Impedir o acesso ou uso de transportes públicos, como aviões, navios barcas, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte concedido.

Pena – reclusão de um a três anos.

Artigo 13º » Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço em qualquer ramo das Forças Armadas.

Pena – reclusão de dois a quatro anos.

Artigo 14º » Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social.

Pena – reclusão de dois a quatro anos.

Artigo 16º » Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses.

Artigo 17º » Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena – reclusão de um a três anos e multa.

§ 1º · Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos (...) propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fim de divulgação do nazismo.

Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.

Diário Oficial da União de 14 de maio de 1997 publica a lei 9.459

Diário Oficial de 6 de janeiro de 1989, a lei 77.166.
Fonte: Guia da Cidadania, Almanaque Abril, 2001, p. 22.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

CÓDIGO PENAL BRASILEIRO

DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS

CAPÍTULO DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO

Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo

Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:

Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.

Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.