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quarta-feira, maio 06, 2009

OUTRAS TROMBETAS SOAM: OS ATALAIAS ESTÃO VIVOS !!!

O texto abaixo é a transcrição literal do e-mail enviado à lista "Apometria e Umbanda" pelo Sacerdote Paulo Machado (com o qual não tenho nenhum parentesco) em resposta as reiteradas provocações disfarçadas de "diálogo" por parte do Sr. João Carneiro e outros elementos da OICD/FTU.

Não há necessidade de escrever mais nada. O magnífico texto falar por si.

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Salve, João e demais listeiros.

A situação se agrava cada vez mais, pois quanto mais vocês escrevem, mais se contradizem e depôem contra si mesmos.

Já repararam que o conteúdo dos e-mail´s de vocês é invariavelmente de teor agressivo, provocativo, onde não tem o menor pudor em julgar a obra alheia, e ainda desdêm da capacidade de julgamento e discernimento de todos os umbandistas e simpatizantes que buscam incrementar seus desenvolvimentos nos cursos oferecidos, tal qual vocês fazem na vossa faculdade.

Vocês não reparam que está óbvio para todos esta tentativa de desacreditar a obra alheia através de um estratagema simplório e imaturo, que o seu grupo tenta realizar através da provocação constante e do jogo de palavras, deixando claro o quanto vocês estão pecando em regras básicas de convívio fraterno, pois que abertamente não respeitam a "Diversidade" e nem tem maturidade emocional para qualquer tipo de "Diálogo" que não seja exatamente naquilo que acreditam.

Para você João, que parece não ter algo mais útil a fazer do que servir de porta-voz do teu líder, te tornaste muito crédulo meu irmão, pois não estás vendo o "papel" que estás te prestando, e nem o que está acontecendo no teu entorno, a partir de tuas próprias ações. Ficaste tão dependente da figura do teu mestre, que não és capaz de escrever uma mensagem sem resaltar o nome do mesmo. Este tipo de "Apologia" é perigosa, pois que em minha experiência como sensitivo detecto um tipo de obsessão, e é claro, uma tremenda carência e insatisfação pessoal.

Pergunto se o seu grupo já se retratou com as religiões alheias e com as linhas espirituais que ofenderam em suas obras básicas? Já tiraram as mesmas de circulação? vocês se julgam conhecedores dos fundamentos da Umbanda, no entanto seus livros básicos se assemalham mais a um compêndio de tratados esotéricos, eivados de símbolos, que importaram de outras religiões, que obedeciam a outros fundamentos, pois se adaptam ao tipo psicológico do agrupamento em evolução; os seus congás refletem a simplicidade da Umbanda, ou ainda tem característica de um templo egípcio?

Nos cursos que ministro a anos uso um esquema para demonstrar a diferença entre os níveis vibratórios positivo, negativo e o "meio" da dimensão humana, para situar meus alunos neste contexto, e, invariavelmente tenho dito que o nosso "meio" físico está se deturpando, e o que era para ser neutro, está assumindo características do "embaixo". Então pergunto a vocês: os seus comportamentos intrigueiros, passionais, tendenciosos, disvirtuadores das afirmações alheias, é digno do grau que insinuam possuir na "luz" do discernimento? vocês se dizem umbandistas mas adotam as mesmas posturas discordantes dos neo-pentecostais de plantão na carne, que "cegos" na sua "obra", não tem o mínimo respeito e consideração com a obra alheia, ferindo postulados básicos do Evangelho legado pelo Divino Mestre, que fala em amor, perdão e fraternidade.

Parem de criticar e distorcer as palavras, pois acabam influenciando outros desavisados, pois em todos estes anos de convívio JAMAIS determinou-se como deveríamos conduzir nossas giras e o desenvolvimento mediúnico dos iniciados, mas sim, fomos amplamente estimulados a desenvolver nossa religiosidade em acordo com as determinações dos nossos mentores em nossas casas espirituais, alicerçados por uma base doutrinária e teológica com fundamento próprio.

Porque é tão difícil para vocês aceitarem que alguém que não seja de seu grupo possa servir de intermediador para a realização de algo tão belo, que é o de reunir em uma obra singular, uma mensagem libertadora e estimuladora das evoluções? Porque se opôem tanto a esta semadura? Se faz bem a tantos, porque tanto negativismo? Como ousam afirmar que os mentores espirituais de seus filhos na carne não estão assistindo e estimulando seus médiuns a buscarem os cursos de formação?

Reflitam meus irmãos pertencentes a este grupo, e aos demais desavisados, que na empolgação emitem comentários sem fundamento, pois que independente de seus conceitos pessoais, a codificação da Umbanda é algo inevitável, que transcende seus entendimentos e interesses egocêntricos.

Se o seu grupo tivesse um mínimo de humildade, discernimento e desprendimento, saberiam realmente que algo grandioso como uma religião tem o seu começo balizado na "Diversidade" sadia, pois como se diz ... uma religião não nasce do nada ..., e, que naturalmente, a vertente que mais atender aos desígneos do nosso Criador, prevalecerá.

E finalmente, meu irmão, retribuo o convite que fizestes aos meus irmãos que se inscrevessem para os debates em sua faculdade, abrindo as portas de meu terreiro em Curitiba, para que venhas aprender um pouco sobre a natureza humana e a necessidade premente da reforma íntima.

PS: Peço desculpas aos moderadores se tenho que divulgar esta mensagem em várias listas, pois desde o passado quando tentava dialogar abertamente com os mesmos, conteúdos mais profundos, todas minhas mensagens eram bloqueadas, como aconteceu recentemente; em resumo, eles só postam o que lhe é conveniente ou que possam usar para seus sombrios interesses.

Salve a Banda de Todos.

Paulo Machado
http://www.estreladaguia.net/

quinta-feira, janeiro 22, 2009

ROBSON PINHEIRO: ADDENDUM

O médium Robson Pinheiro, autor de obras conhecidas como "Tambores de Angola", "Aruanda" e a trilogia "Legião", respondeu pessoalmente a um e-mail que enviei tecendo algumas considerações sobre o que foi falado no programa "Horizontes", que vai ao ar pela Rádio Mundial todos os domingos às 10:00 horas, sobre "Exus e Guardiões".

Além de reclamar da minha "forma verbal" de me expressar (no que pese ele e o seu produtor contarem algumas histórias onde não foram menos diretos e incisivos com algumas pessoas, inclusive tratando uma inconveniente como "vaca" - vide o programa do dia 30/11/2008), o conhecido escritor "escorregou" em alguns pontos importantes de minhas considerações, em especial confundiu "linguística" com "teologia".

Insistiu que a questão da origem do termo "pomba-gíra" (corruptela de "Pambu Njila" ou "Bombo Njila", no dialeto kikongo, entidade MASCULINA da mitologia Bantu, cuja a contraparte feminina é chamada de Vangira¹) é uma mera questão "teológica". (esta epidemia de "ignorância linguística" está se espalhando, pelo jeito... de São José do Rio Preto para o mundo...)

Infelizmente o teor do e-mail de Robson, demonstra que as contradições entre o que se escreve, assim como o que se fala, não é algo exclusivo dos escritores e "líderes" umbandistas.

Em seus livros, Robson expõe conceitos, cria "doutrina", coloca a Umbanda como uma espécie de linha auxiliar do Kardecismo.

No programa de rádio, tece comentários do tipo "entidades não recebem 'despachos' em encruzilhadas" e as que o fazem estão ligadas aos "mediuns menos esclarecidos" e que seriam entidades "inferiores", que acender velas, cantar pontos e tudo mais, são coisas "absolutamente desnecessárias".

Então, escrevo que foram ditas MONTES DE BOBAGENS e ele acha ruim.

O que não dá para entender é Robson, em vários momentos do seu longo e-mail, afirmar e reafirmar que não sabe nada sobre Umbanda, que não tem nenhuma afinidade com este tipo de trabalho, que não é estudioso da matéria, mas insiste em continuar escrevendo sobre o tema.

In verbis:

(...)

Bem, sempre eu falei em meus programas de rádio e em matérias escritas, palestras e outras formas de divulgação, que não sou umbandista, não entendo nada da doutrina de Umbanda e que o que falo é apenas um ponto de vista apresentado tanto pelos espíritos que nos orientam quanto pelos estudos realizados a partir do que escreveram. Eles próprios nunca falaram a respeito da "doutrina de Umbanda" pelo menos para mim.

(...)

Não pretendo falar a umbandistas, e nem aos praticantes do candomblé. Não tenho afinidade pessoal com o estilo de culto...

No que pese a auto-crítica, o escritor mineiro entra em contradição ao insistir em falar de Umbanda, inclusive tecendo conceitos, dizendo o que é ou não necessário em sua ritualistica, sem ter "conhecimento" ou "afinidades" com a Lei de Umbanda.

Tenho uma fé patente que o Mundo Espiritual não é um lugar onde reina a confusão, pelo contrário. Independente da missão dos Espíritos, a quais tarefas estão designados, os conceitos são ABSOLUTOS, não variando por conta de época ou qualquer convenção (ou conveniência) humana.

Se os espíritos que assistem Robson Pinheiro são os responsáveis pelos conceitos que expõe em suas obras, realmente existe alguma coisa errada com o médium, como instrumento de comunicação, e/ou com as entidades que através dele se manifestam.

A Espiritualidade, independente de onde e da forma com que se manifesta, é UMA SÓ. Se os espíritos de alta envergadura, como aqueles que supostamente se comunicam através da mediunidade de Robson, passam a expor "opiniões próprias", divorciadas de uma realidade doutrinária ESPIRITUAL (não humana), algo está errado, MUITO ERRADO.

No final, Robson alerta que o meu email será lido no próximo programa, como se isto fosse uma espécie de "punição" por minha ousadia em contestá-lo.

É claro que espero receber uma "descompostura" no ar tanto dele como de seu produtor, o Leonardo, que já avisou que adora "bater boca". Obviamente, dependendo do nível da coisa e diante da impossibilidade de uma resposta fácil como foi para ele refutar o que escrevi, pretendo recorrer aos meios legais para ter direito à respondê-lo no ar.

Portanto, todos com seus rádios sintonizados na Rádio Mundial (FM 95,7 - AM 660), às 10:00 horas da manhã do próximo domingo ou através do site daquele veículo de comunicação.

Com certeza, esta história vai render... e muito. =)

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¹ Tata Kisaba Kavinajé

terça-feira, junho 03, 2008

RESPOSTA A ENTREVISTA DE NEI LOPES À FOLHA DE SÃO PAULO

Abaixo, trecho da entrevista do escritor e compositor Nei Lopes. Comento entrelinhas:

O escritor e compositor popular Nei Lopes critica o afastamento de setores da umbanda das raízes africanas. "Essa umbanda não usa tambores e se pretende esotérica", diz. "É como se seus praticantes dissessem: 'Essa coisa de tambor, sacrifícios de animais, isso é coisa de selvagens! Nós somos civilizados'. Nessa oposição entre 'selvagem' e 'civilizado' é que está o racismo". Nei Lopes é o autor da "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana" (Selo Negro Edições).

Folha - Como analisa a formação da umbanda?

Nei Lopes - O mito de origem da umbanda, na versão que tem como protagonista o médium Zélio de Moraes, é exemplar. Ele evidencia a busca de inserção dos despossuídos da sociedade brasileira no espaço religioso.Todo mito tem um fundo de verdade, que os eruditos chamam de "mitologema"; e, na história da umbanda, esse fundo é o episódio do médium Zélio. Mas antes já havia, além dos calundus coloniais, que não tinham organização social, comunitária, os candomblés, organizados, como se sabe hoje, desde antes de 1850.

Comentário: Estamos falando de UMBANDA, enquanto sistema filo-religioso e o eminente escritor vem falar de "calundus" e "candomblés" que nada têm a ver com a Umbanda.

Na virada para o século 19, a ialorixá baiana Mãe Aninha vinha de vez em quando ao Rio, onde inclusive fundou, por volta de 1906, uma filial de sua "roça", o Opô Afonjá, que funciona até hoje em Coelho da Rocha, São João de Meriti [Baixada Fluminense]. E a umbanda, herdeira direta de cultos bantos como o da cabula, cresceu certamente sob a influência desse prestígio do candomblé baiano, incorporando as figuras dos orixás jeje-nagôs e outros elementos.

Comentário: em Direito o ônus da prova é de quem alega. Se o eminente escritor puder provar, etimologica e antropologicamente que a Umbanda é herdeira direta dos cultos bantos, eu vou procurar o Terreiro de Candomblé mais próximo e me recolher à camarinha.

Mas o que fundamentalmente distingue a umbanda é o culto aos pretos-velhos, que não existem no candomblé. E esses pretos-velhos são representações de espíritos familiares bantos, da área de Angola, Congo e Moçambique (África centro-ocidental e oriental), daí seus nomes: Vovó Conga, Pai Joaquim de Angola, Tia Maria Rebolo, Pai Joaquim de Aruanda. O candomblé vem do Benin, da Nigéria, da África ocidental..

Comentário: Engraçado, não conheço nenhum tipo de culto à Caboclos, Crianças e Exus dentro dos Cultos de Nação. Talvez no Candomblé que o Sr. Nei Lopes praticou, havia por lá um monte de "catiços", incluso boiadeiros, marinheiros, ciganos e tudo mais. Pelo jeito existem mais coisas que distinguem a Umbanda do Candomblé.

Folha- Como o sr. se define sob o ponto de vista religioso?

Lopes - Minha mãe recebia uma preta-velha, mas não era umbandista. Nós tínhamos lá em casa nosso culto doméstico. Hoje eu cultuo orixás. Mas não sou candomblecista, como aliás já fui. Eu me dedico à forma de culto que em Cuba se conhece como santeria, que inclusive já tem muitos adeptos no Brasil. E cultuo esses orixás na minha casa. A definição, então, não é fácil. E por isso eu proponho que o IBGE inclua tudo na rubrica "religião africana", ou "religião de matriz africana", onde a umbanda, por ser cada vez mais sincrética, talvez já não caiba mais.

Comentário: acredito que o Sr. Nei Lopes deveria falar somente do que conhece e vivenciou, ou seja, Candomblé e Santeria. Como ele nunca foi umbandista, acredito que não deva falar do que não conhece. Não entendo esta insistência do pessoal da Nação em querer, por toda a lei, que a Umbanda seja uma "filha caçula", um "sub-produto" do Candomblé.

Folha- Qual é a diferença que o sr. distingue entre o candomblé e a santeria cubana?

Lopes - As diferenças são poucas, mas significativas. Restringem-se quase exclusivamente a particularidades litúrgicas, uso de instrumentos (aqui atabaques daomeanos, percutidos entre as pernas do tocador; lá, batás nigerianos, levados a tiracolo); diferenças nos elementos que compõem os assentamentos dos orixás etc. E é tudo uma questão de procedência: o candomblé da Bahia é basicamente um produto de Quêto, um reino localizado no atual Benin, antigo Daomé; e a santería cubana vem de Oyó, um outro reino, de onde parece ter vindo, também, o xangô de Pernambuco, que guarda muito mais semelhanças com a santeria que com o candomblé, principalmente no destaque que dá ao culto de Orumilá ou Ifá, o grande orixá do saber, do conhecimento, dono do Oráculo, em torno do qual gravita todo o conhecimento sobre os outros orixás iorubanos (nagôs, lucumis, ijexás etc.), sua mitologia e a liturgia do seu culto..

Folha- A umbanda aparentemente vem perdendo espaço para outras religiões. O sr. tem essa percepção?

Lopes - Todas as religiões de matriz africana vêm perdendo espaço para a truculência neopentecostal. Truculência que chega à agressão física, como na Bahia..

Folha- Muita gente que freqüenta centros não se declara umbandista. Por que será? Por medo? Vergonha?

Lopes - Essa ocultação é conseqüência do racismo brasileiro. A maioria das pessoas tem vergonha de assumir alguma coisa que remeta à África, à escravidão. Cultura negra só se for desafricanizada... é aí que a gente chega a uma coisa interessante. Existe uma vertente da umbanda que inclusive nega a origem africana da religião, buscando suas raízes na Índia. Tentam até provar que o nome umbanda (que deriva do quimbundo mbanda, ritualista, curandeiro) vem do sânscrito. Essa umbanda não usa tambores e se pretende esotérica; e é ela que vem se expandindo pela América do Sul e pelo mundo. É como se seus praticantes dissessem: "Essa coisa de tambor, sacrifícios de animais, isso é coisa de selvagens! Nós somos civilizados". Nessa oposição entre "selvagem" e "civilizado" é que está o racismo. Então, a intenção dos espíritos acolhidos pelo médium Zélio Moraes há cem anos parece que está se frustrando.

Comentário: O Sr. Nei Lopes passa a ser contraditório neste momento. Na verdade, a Umbanda pregada por Zélio de Moraes nunca teve entre seus fundamentos os uso de tambor ou a matança ritual. Então, por extensão do conceito de "civilizado" que ele deu, Zélio, por não praticar tais coisas, também era racista. Esquece o Sr. Nei Lopes, que o que hoje vemos como sacrífício animal, outrora era humano, e que houve uma evolução disto.

Sinceramente, não consigo perceber como o sacrifício de uma vida, seja ela de um animal ou de um ser humano, com dor, sofrimento, aniquilação, pode ser algo benéfico para alguém. Que Orixá é este que precisa de sangue? Que D-us tão imperfeito, que força espiritual é esta tão "humana" que necessita de holocaustos para poder atuar na terra? Orixá bebe, come, bebe sangue?

Será que respeitar a vida de um animal, dar direito à ele de viver, é racismo, desafricanização, ou bom senso? Bom senso em cultuar uma Força Superior que não precisa de absolutamente nada de material para fortificar seus filhos? Que não é sanguinário e tem todas as suas criaturas na mesma conta e importância?

Isto é coisa desta "Umbanda dita esotérica" ou de Adeptos de um Culto que acreditam que os Orixás que cultuam são mais perfeitos e puros que eles próprios?

Talvez o Sr. Nei Lopes também ache o mais respeitado e reverenciado Babalorixá, aliás, Aluwô Agenor Miranda um racista, visto que apesar de ser quem era várias vezes defendeu o fim de sacrifícios de animais nos Cultos de Nação, evocando exatamente a Natureza Divina dos Orixás, que não necessitavam disto. Aliás, foi ele quem disse isto: “A força do candomblé está no sangue verde das plantas e não no sangue vermelho dos animais.”

Na verdade, o Sr. Lopes dá um tiro (ops, tiro não porque é coisa de "branco racista", flechada...) com esta entrevista e, ai sim, seu preconceito contra a Umbanda, não somente a esotérica. Entrelinhas, Lopes desclassifica a Umbanda como religião, e se coloca na posição de "especialista" de uma doutrina que desconhece e que jamais praticou.

quinta-feira, maio 29, 2008

Resposta a matéria "Desmistificando o Mistério Exu" [Revista dos Orixás Ano II nº 10]

Prezados Senhores,

Recentemente adquiri o exemplar identificado no subject desta missiva e deparei-me como a matéria em questão. Assim como fiz com os demais, lia atentamente o texto em questão e não posso furtar-me em tecer alguns comentários.

Como disse Pierre Beaumarchais: Sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero. Portanto, antes de elogiar, sinceramente, alguns pontos da publicação, permitam-me criticar o texto do Sr. Daniel Augusto Sossi.

O autor da matéria começa a falar de "Exús Africanos" (sic), dissertando brevemente sobre o yangi e sua características, para logo após falar de uma lenda, um mito envolvendo Exu e uma suposta dualidade, para depois exemplifcar tal conceito apresentando um "ponto cantado" onde fala sobre um "exu" de "duas cabeças", onde uma é de "satanás do inferno" e outra é "Jesus de Nazaré", arrematando, ipsis literis, que "no inferno apresenta um aspecto de Deus e de Nazaré apresenta outro aspecto de Deus, oposto ao primeiro (...)".

Ora, esta é uma concepção absurda de Exu. Qualquer estudante sério da cultura e religiosidade africana, sabe que Exu nunca representou uma dualidade "bem x mal", ou mesmo que fosse oriundo de um local, minimamente, parecido com o mitológico inferno judaico-cristão. Aliás, não consigo entender o motivo de vários, senão a maioria, dos que se dizem umbandistas insistirem em identificar Exu como o diabo ou algo parecido.

O mais engraçado que estes mesmos umbandistas que adoram receber um "exu-diabo", são aqueles que se sentem injuriados quando as religiões evangélicas taxam nossos Guias e Protetores de "demônios".


Infelizmente, os fiéis dos cultos afro-brasileiros ainda estão por demais amarrados ao sincretismo afro-católico, achando que Xangô é São Jerônimo, Jesus Cristo é Oxalá, Yansã é Santa Bárbara e Exu é o demônio.

Adiante, a explicação do autor sobre a palavra "pomba-gira" chega a ser, desculpem a sinceridade, cômica. Vamos reproduzir, in verbis tal conceito apresentado:

"Pomba-Gira, vem do aspecto sexo: Pomba - sexo feminimo Gira - está em tudo, em todos". Adiante, solta a seguinte "pérola": "Bombo-Gila: a poderoza (sic) (Exú-Mulher)"

Aterrador....

Como nunca soube que a palavra "pomba" era sinônimo de orgão sexual feminino, fui consultar o dicionário. No sul do pais significa "vulva" e no nordeste brasileiro significa "pênis". Então, fiquei confuso e pergunto: será que "pomba-gira" no nordeste é "cabra macho" e no sul seria uma "guria trilegal"? Ora, faça-me o favor...

Na verdade a palavra "pomba-gira" não passa, nem de longe, próximo ao que o autor escreveu. A palavra é corruptela de Pambu Njila, como é denominado Exu no dialeto kikongo, dentro da mitologia Bantu.Aliás, também chamado de "Bombo Njila", sendo que sua manifestação feminina é chamada de Vangira.

Vamos ver o que Tata Kisaba Kavinajé fala sobre o assunto:

"[Pambu Njila] É o mensageiro, não essencialmente mau ou essencialmente bom, desempenha seus papéis e funções no espaço destinado ao culto. Aluvaiá é lançado como síntese de um pensamento social voltado ao sentimento mais humano à proximidade e identidade com o próprio homem, sem no entanto, colocá-lo distanciado do elenco místico."

Ou seja, se o Sr. Daniel Augusto tivesse se dado ao trabalho de fazer uma pequena pesquisa sobre o assunto não teria escrito TANTA BESTEIRA junta. Aliás, nem precisava pesquisar muito, bastava olhar no dicionário e veria que o Dicionário Houaiss explica que a palavra terá origem no quimbundo "pambu-a-njila", «cruzamento de caminhos, encruzilhada, domínio de Exu», ou no quicongo "mbombo", «porteira».

Nem vou prosseguir em comentar o restante do artigo, visto que são tantas bobagens em termos linguístico, cosmogônicos e teológicos que este meu e-mail ficaria imenso.

Por outro lado, não entendo como uma revista que publica excelentes artigos como os de Tat'eto Kiretauã, Tata Obalumbi, assim como as matérias sobre Kitembo e Kavungo, coloca em suas páginas um artigo tão cheio de conceitos distorcidos.

No mais, parabenizo a publicação, extremamente instrutiva no que tange aos fundamentos da Nação.

Iniciei com uma citação e com outra termino, fazendo minhas as palavras de Immanuel Kant:

A nossa época é a época da crítica, à qual tudo tem que submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem igualmente subtrair-se a ela. Mas então suscitam contra elas justificadas suspeitas e não podem aspirar ao sincero respeito, que a razão só concede a quem pode sustentar o seu livre e público exame.

Recebam meu fraterno, sincero e respeitoso Saravá.

Ricardo Machado
(Mestre Ubajara)
Mestre de Iniciação de Umbanda Esotérica
Fraternidade de Umbanda Esotérica Vozes de Aruanda
Belo Horizonte/Minas Gerais

quinta-feira, maio 01, 2008

Resposta do Presidente do Conub sobre o Conselho Federal de Umbanda

Como somos democráticos e nossa intenção não é outro senão informar aos leitores, reproduzimos abaixo a resposta do Sr. Silvio Garcez (Mestre Aramaty), presidente do Conselho Nacional de Umbanda sobre o famigerado "Conselho Federal de Umbanda", divulgado na lista daquele Conselho:

Brasília, 1º de maio de 2008.

Aranauam, Salve, Axé, Motumbá, Maná, Macuiú, Saravá a todos os irmãos,

Através deste e-mail, gostaria de esclarecer algumas duvidas e também responder alguns questionamentos que surgiram nos últimos dias relacionados com o CFUB e o CONUB.

O CFUB - Conselho Federal da Umbanda e o CONUB – Conselho Nacional da Umbanda do Brasil são órgãos semelhantes, não tem na pratica nenhuma distinção. O CFUB, não é um órgão normativo ou regulador, como alguns irmãos afirmaram em mensagens anteriores, até por que, órgãos desta natureza tais como OAB, CRM e correlatos são conselhos que gerenciam e propiciam o exercício das respectivas profissões as quais estes estão ligados. Assim fica claro que o CFUB não tem, e nunca teve este objetivo, pois apesar de alguns entenderem o contrário, a Umbanda não é um negocio e ser Umbandista não é profissão.

Outro ponto é a questão da representatividade. Representatividade segundo o dicionário Aurélio é a qualidade de quem representa politicamente os interesses de um grupo, classe social, povo, etc. Entendam política como a habilidade no trato das relações humanas, com vista à obtenção dos resultados desejados que objetivem o bem comum.
Fica claro que representatividade não se conquista com documentos ou frases e sim com realizações concretas.

Falando em realizações, a experiência do CONUB tem demonstrado uma situação no mínimo intrigante. Temos tido um relacionamento próximo e profícuo com outros movimentos filosófico religiosos, através da URI – Iniciativa das Religiões Unidas, organismo internacional que congrega praticamente todas as manifestações religiosas existentes no planeta, e com a comunidade acadêmica por intermédio da FTU- Faculdade de Teologia Umbandista nossa grande parceira, exercendo um diálogo inter-religioso e inter-disciplinar. Por outro lado, quando se fala em diálogo intra-religioso o que temos nos deparado é com uma série de ataques e defesa de posicionamentos que não têm nada de positivo para o Movimento Umbandista.

Neste sentido, em respeito aos seus objetivo estatutários de união, respeito à diversidade e valorização da Umbanda, o CONUB comunica a todos que não irá se manifestar em diálogos ou discussões pouco produtivas e até mesmo desalinhadas com o seu escopo de dignificar da Umbanda e Umbandista.

Um forte Sarava a todos

Silvio Ramos Garcez – Aramaty
Presidente do Conselho Nacional da Umbanda do Brasil – CONUB
http://www.conub.org/
dialogo@conub.org.br
CONUB: Dignificando a Umbanda e o umbandista

sábado, agosto 04, 2007

A FÊNIX

"E a Fênix, ele disse, é o pássaro que visita o Egito a cada cinco séculos, mas o resto do tempo ele voa até a ìndia e lá podem ser vistos os raios de luz solar que brilham como ouro, em tamanho e aparência assemalha-se a uma águia e senta-se em um ninho que é feito por ela nas primaveras do Nilo. A história de Aigyptos sobre ele é testificada pelos indianos também, mas os últimos adicionam um toque a história que a Fêniz enquanto é consumida pelo fogo do seu ninho canta canções de funeral para si" - Apôlonio de Tiana

Há mais de um ano atrás, resolvi deixar de lado a convivência virtual, afastar-me de listas, blogs, comunidades virtuais e tudo o mais relacionado a este mundinho solerte, vil e complicado chamado "internet". Recolhi-me ao "ninho", preparei a minha "pira funerária" e tal qual a Fênix mitológica, consumi meu corpo e minha consciência no fogo, para renascer, como sempre fiz, e continuar meu trabalho.

Um ano se passou... e tudo continua da mesma forma, aliás, perdoe-me: tudo está MUITO PIOR do meio Umbandista "virtual" do que jamais esteve. Uma verdadeira "guerra civil" está sendo travada, com requintes de crueldade, onde as pessoas, "grandes umbandistas" defensores ferrenhos de "ética, moral, virtude", continuam no Orkut e em outras comunidades virtuais caluniando, difamando, criando fakes afim de desmoralizar seus desafetos, montando comunidades difamatórias, que eles mesmos deletam (fingindo ser os administradores do Orkut) para depois ressurgirem com as mesmas, mostrando como são insistentes e poderosos na divulgação daquilo que chama de "verdade".

A maioria destas pessoas, tão sinceras, honestas, defensoras da Umbanda, de uma pseudo-pureza doutrinária, esquecem que a Umbanda prega amor, abnegação, perdão. Um destes notórios hipócritas, advogado, é o maior semeador de discórdia do meio. Se diz defensor da Umbanda, muito honesto, pessoa acima de qualquer suspeita, mas vive se escondendo atrás de fakes e comentários anônimos afim de destilar seu veneno e criar o máximo de discórdia e cisão possível no meio. Isto, é claro, sem contar a participação de tal elemento na famigerada "Scuderie Le Coq", organização criminosa, denunciada até mesmo pela Anistia Internacional, visto a quantidade de assassinatos e outros crimes que cometeram.

A organização que o tal "umbandista" sempre fez questão e demonstrou orgulho de participar, é citada em um documento da Anistia Internacional, onde o próprio presidente da Ordem dos Advogados do Brasil à época (2002) Dr. Agisandro da Costa Pereira estaria sendo ameaçado de morte por membros desta quadrilha de criminosos disfarçada de associação civil. Se não, vejamos:

"(...) El doctor Pereira y algunos miembros del consejo estatal para los derechos humanos llevan tiempo haciendo campaña contra los homicidios, la corrupción y la impunidad en Espírito Santo. Según los informes, estos abusos están relacionados con la organización policial Scuderie Detetive le Coq (SDLC), grupo que recibe su nombre del detective le Coq y que, según indican los informes, actúa en colaboración con poderosos grupos políticos y económicos del estado. En abril, el doctor Pereira pidió al gobierno federal que, entre otras cosas, interviniera para investigar la muerte de Marcelo Denadai y muchos otros homicidios sin resolver. (Véanse AU 180/97, AMR 19/16/97/s, del 18 de junio de 1997, y su actualización AMR 19/21/97/s, del 31 de julio de 1997.)

Poco después de reunirse con el ministro de Justicia en Brasilia, el 24 de abril, la casa del doctor Pereira fue asaltada. Después, el doctor recibió una larga carta en la que amenazaban con matarlo a él, a su familia o a sus colegas. La carta decía también: «El hablar demasiado ha terminado con Denadai, y puede dañar a otras personas cercanas a él [...] No crea que el sistema judicial hará algo, porque hay implicada gente muy importante [...] ¿A cuántas personas soportaría enterrar en este momento de su vida?» («Falar muito ja levou o Denadai. Pode levar outras pessoas do seu relacionamento [...] Não adianta achar que a Justiça vai fazer qualquer coisa porque tem gente muito grande no negócio [...] Quantas pessoas você agüentaria enterrar nesta altura da vida?»).

También se han hecho intentos de intimidar a otros defensores de los derechos humanos para que no hagan comentarios sobre el homicidio de Marcelo Denadai. Tanto Maria Aparecida Denadai como Izaias Santana Rocha, presidente del consejo estatal para los derechos humanos, han sido demandados por el jefe de la Policía Civil por difamación, tras criticar la investigación policial." [Fonte: http://web.amnesty.org/library/Index/ESLAMR190072002]

Então, caro leitor, esta é a "maravilhosa" e "muito digna" organização da qual o nosso "mui respeitável umbandista" fez parte até que foi extinta, por ordem judicial.

Por outro lado, temos a chamada "resistência", pelo que parece liderada por um médium pelo qual sempre tive grande admiração e respeito. Homossexual assumido, jamais teve de minha parte nenhuma palavra ou atitude de preconceito, pelo contrário, sempre o tratei com dignidade e respeito. Infelizmente, as máscaras caem e o citado médium, talvez afim de de seguir com o resto da tropa, passa então a usar levianamente o nome de quem sempre deu apoio e respeitou, difamando e caluniando, usando o termo "sociopata" (aliás, a única coisa, ao que parece, "culta" que sabe escrever). Aliás, isto só prova o velho adágio latino asinus asinum fricat (um asno coça outro asno).

Enfim, caros amigos, em apertada síntese, é o panorama "umbandístico virtual" da atualidade. As comunidade umbandistas no Orkut e em outra redes sociais semelhantes se dividiram entre um hipócrita caluniador, covarde que não tem a coragem de destilar seus venenos usando o próprio profile e um médium que, apesar de criticar os meios dos primeiro, age da mesma forma.

Então, como não quero e não vou tomar partido, volto a partir de hoje postar diariamente (ou quase) meus rabiscos e borrões neste espaço virtual, sem medo de calúnias, difamações, injúrias ou qualquer outro meio solerte e vil que estes tão nobre "umbandistas" usam ao defender a Senhora da Luz, como se Ela precisasse realmente de defesa.

Aliás, isto me faz lembrar a palavra de um Exu, incorporado em uma médium de quase 80, com o qual tive o prazer e o grande privilégio de conversar quando no ano passado, novamente, fui alvo da sanha caluniosa de alguns:

"A grandeza inspira a inveja , a inveja engendra o despeito, o despeito produz a mentira."

Enfim: Olá, Umbanda. Estou de volta.

Meu sincero e fraterno Saravá.

Ricardo Machado
(Mestre Ubajara)