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quinta-feira, setembro 01, 2011

MACUMBAS, MAGIAS, BRUXARIAS E OUTRAS CONVERSAS FIADAS

Neste ano de 2011, completei 26 anos de Umbanda, sendo que por mais de vinte sou adepto da Umbanda Esotérica. Antes disto, passei pelo Candomblé, pelo Omolokô, pela "Umbanda Branca", até que o livro "Umbanda e Quimbanda nas Palavras de um Preto-Velho" caísse em minhas mãos.

Neste tempo todo passei por muitas venturas e desventuras, conheci muita gente, fiz muitos amigos (e mais ainda inimigos), ajudei na abertura de muitos Terreiros de Umbanda por este país afora (no que pese muitos não reconhecerem que todos os fundamentos que hoje sustentam suas Casas fui eu quem fiz...), li e ouvi muita bobagem, me deparei com gente de toda espécie.

No entanto, o que mais ouvi na minha vida foram ameaças de "força de encruza",  "nome em encruzilhadas" e até já fui ameaçado por um grande "Mestre" de São Paulo de ter meu nome colocado aos pés do tal "Capa Preta".

No período mais turbulento de minha vida religiosa, que foi a década de 2000 (dez anos duros para mim...) não raramente encontrava as encruzilhadas da minha rua "fechadas" com imensos trabalhos de magia negra ou ebós enormes em frente ao portão da minha casa. Animais mortos, com marcas claras de sacrifício ritual, foram jogados em meu jardim por mais de uma vez.

Não satisfeitos, a turminha do "santo rebolado", com ramificações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Vila Velha e Belo Horizonte, patrocinaram um verdadeiro linchamento moral contra mim nas comunidades virtuais por ano, até que comecei a processar alguns idiotas e ganhar algum dinheiro com estas ações.

Enfim, toda esta parafernália, todo o dinheiro gasto na compra de materiais, todas as vidas de gatos, sapos e cães perdidas, não teve a menor influência negativa em minha vida, pelo contrário: quanto mais esta quadrilha de falsos religiosos agiam contra mim, mais eu crescia em todos os sentidos e, graças à eles, em uma só ação judicial embolsei mais de R$ 15.000,00.

Portanto, caro leitor, não se deixe intimidar por ameaças desta corja que usa O Sagrado Nome da Umbanda para seus atos pusilânimes, porque esta camarilha não é de nada... absolutamente NADA.

Se fossem, tenha certeza, eu já estaria morto ou com minha vida destruída, o que não é o caso.

sexta-feira, março 04, 2011

MAGOS NEGROS DE ROBSON PINHEIRO

Faz alguns dias recebi o "exemplar de degustação" do novo livro do médium Robson Pinheiro, intitulado "Magos Negros - Magia e feitiçaria sob a ótica espírita". O autor espiritual seria Pai João de Aruanda, o mesmo que escreveu "Aruanda" e, salvo engano, "Tambores de Angola".

Sendo fiel ao seu desejo de explicar tudo sobre a ótica do Espiritismo, colocando os rituais e tradições umbandistas como algo menor, Robson, de novo, mete os pés pelas mãos e escreve montes de bobagens, demonstrando não ter o menor conhecimento de causa quando o assunto é "magia".

Existem erros conceituais primários sobre o assunto, começando pelo fato de que o autor praticamente afirma que todo fenômeno de obsessão é fruto da chamada "magia". Outro escorregão é utilizar "Goécia" como sinônimo de magia negra o que é absurdamente incorreto.

Não vou me aprofundar sobre Goécia, visto que não é este o propósito deste artigo.

Porém os não iniciados (como é o caso de Robson Pinheiro e, ao que parece, também do suposto autor espiritual desta obra) tendem a colocar tal sistema magístico (chamado de "Salomônico") como algo sombrio, sinistro, porque explica a invocação submissão de "demônios" em seus dois primeiros livros (Ars Goetia e Ars Theurgia Goetia), ignorando o conteúdo dos demais tomos (Ars Paulina, Ars Almadel, Ars Notoria).

Como se não bastasse, o autor ainda afirma que qualquer grupo espírita que tenha trabalhadores dedicados, unidos e "conhecedores" do assunto pode proceder o que chama de "antigoécia", que vem a ser a reversão da magia negra (sic) e ao final afirma que é "imperativo estudar a fundo o tema feitiçaria e magia negra e não apenas submeter-se a iniciações em cursinhos de final de semana".

Levando-se em consideração o caráter eminentemente esotérico dos reais fundamentos do que chamamos comumente de "magia", faltou o autor explicar como estudar a fundo tal tema. Aliás, ao que parece, faltou a ele este estudo aprofundado antes de escrever esta obra.

Alguém pode dize que estou sendo precipitado em minhas críticas já que tenho apenas um extrato da obra, mas se algo começa com conceitos equivocados, com certeza, dificilmente conterá uma conclusão acertada.

terça-feira, agosto 11, 2009

AMIGOS DE COSTAS

Há um comportamento muito comum no meio umbandista, que é aquele que leva a pessoas ser muito "amiga", "companheira", viver de sorrisos, abraços e tapas nos ombros para voê enquanto acredita que pode vampirizar seus conhecimentos e se favorecer de alguma forma. Porém, basta que recebam aquilo que desejava que logo viram as costas para aquele que outrora chamava de "amigo" e passe a falar mal do sujeito.

Infelizmente, eu tenho uma espécie de imã para atrair pessoas deste tipo.

A maioria, Graças à Zamby, não ficam muito tempo ao me lado e logo a máscara cai. Outro, no entanto, conviveram comigo e com a minha família por anos a fio, mas nem mesmo vinte anos podem manter a máscara no lugar.

Este ano, como o Exu Sr. das Sete Encruzilhadas havia previsto, muitas máscaras ao me redor foram caindo, personalidades foram se revelando e constatei que são poucas, pouquissima, as pessoas em quem eu posso, verdadeiramente, confiar.

Um "amigo" que sempre frequentou minha casa, foi chamado de "filho" por minha mãe, depois de vinte e dois anos de convivência mostrou a sua cara. Nunca foi "levantado", mas se diz "ogã" baseando-se no fato que bate um tambor desafinado e sem nenhum ritmo ou fundamento em um pequeno Terreiro aqui de Belo Horizonte.

Há pouco tempo fomos fazer uma defumação de descarrego na casa de uma pessoa e o sujeito, junto com a sua mulher, nem ao menos sabiam cantar ponto dentro do ritmo.

"Ogã" sem ritmo, sem fundamento, sem iniciação?

Era só o que me faltava mesmo.

Ontem tive notícias que o sujeito, há muito tempo, anda por ai se vangloriando de comandar legiões de anjos, ser "ogã" e de ter conhecimento de cortar trabalhos feitos por Babalorixás de fato e de direito. Diz o sujeito que entra e sai do Salão do Trono de Deus, que já pegou nas mãos de Jesus Cristo e que tem revelações de anjos.

O pior, que pelas compras que andou fazendo em uma "flora" decandente, falida que temos por aqui, parece que está se preparando para uma guerra para a qual não tem o menor preparo iniciático e magístico para encarar. É um aventureiro sem conhecimento, que acha que livros profanos sobre Kabala, Tarot e sobre outros assunto faz de alguém verdadeiramente um magista.

Mais interessante ainda é o pseudo-ogã, com todo o mau caratismo que lhe é peculiar, agora estar fazendo "amizade" (assim, entre aspas, porque este sujeito não é amigo de ninguém, somente dele mesmo...) com quem, outrora, considerava inimigo, ou seja, o dono da tal flora falida aqui em Belo Horizonte. Mas como diz o velho ditado: "dois asnos quando se encontram, se esfregam". Então, não podia dar noutra coisa mesmo.

Nada mais hilário, porém, do que o sujeito ter afirmado que "fez uma derrubada" contra um determinado Sacerdote, repito, de fato e de direito, e que estava esperando o resultado. Espero, sinceramente, que tal trabalho tenha sido feito contra mim já que assim poderei mostrar ao EMBUSTEIRO que com determinadas coisas não se brinca.

De toda forma, nunca corri de demanda com gente que, apesar de mau caráter, como certos "mestres" por ai, realmente são, devo admitir, conhecedores dos "erós", imagine se vou me preocupar com "firmezas" feitas por um qualquer que que diz comandar legiões de anjos?

quinta-feira, abril 30, 2009

MAGOS, CURSOS E TÍTULOS

Existe uma tentativa insistente por parte de pessoas ligadas à Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, em desmerecer os cursos ministrados por Rubens Saraceni. Neste rastro, insistem também na tal "origem" deste ou daquele umbandista, assim como a legitimidade de uma pessoa usar alguns títulos.

Pois bem.

Devo começar afirmando que a Umbanda não é o mundo mágico de "O Senhor dos Anéis" ou de de "Harry Potter", assim como a OICD não é a "Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts" e Rivas Neto não é "Gandalf, o Branco".

Em seguida devo salientar que MAGIA, conforme vemos em filmes e obras de ficção, também não existe, exceto que que o prezado leitor já tenho presenciado bolas de energia sendo arremessadas, vôos em vassouras mágicas, levitações espontâneas, transmutações ou alguém que desaparece no ponto "A", em meio a uma nuvem de fumaça, e reaparece no ponto "B".

A magia verdadeira não é um recurso ordinário, abundantemente disponível, como alguns charlatães, que dizem em suas obras coisas absurdas sobre como seu "exu" fincou um punhal de aço em uma superfície de concreto, por exemplo, querem fazer crer. Aquela cachaça que supostamente se transformou em vinho, igualmente, foi mera troca da garrafa de aguardente por outra semelhante previamente cheia com a outra bebida. Portanto, não se engane com tais "prodígios", que tudo é uma IMENSA FARSA.

Nenhuma movimentação magística irá funcionar contra ou a favor de alguém, exceto que esta pessoa tenha méritos para conquistar o que deseja ou deméritos para ser impactada por aquilo. Podemos resumir isto em "QUEM DEVE PAGA, QUEM MERECE RECEBE".

Posso dizer, por experiência própria, que se magia fosse algo tão ordinário como querem fazer acreditar alguns "poderosos", eu já estaria morto faz tempo, já que sempre me chegam notícias, de fontes fidedignas, que meu nome é "figurinha" fácil nos "ebós" de uns e outros por ai.

Mas estou desviando do assunto.

A cerne principal deste artigo pode se resumir no seguinte: TÍTULOS E CURSOS NÃO DIZEM ABSOLUTAMENTE NADA PARA A CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA.

Se frequenta os cursos do Saraceni, ou a faculdade do Rivas Neto, e acredita que o caminho que escolheu o fará chegar onde deseja, então está tudo certo. O "mago" dos cursos livres do primeiro não perde em nada para o "bacharel" em teologia do segundo.

E sabe por quê?

Porque o título e o diploma que você tem não valem nem como papel higiênico no astral. Você não será mais ou menos médium/sacerdote porque fez um curso no Colégio de Umbanda Sagrada ou se bacharelou na FTU. Nenhuma das duas instituições estão preparando ninguém para o "mercado de trabalho", exceto que haja uma demanda monstruosa para o cargo de "teólogo umbandista" que não seja do meu conhecimento.

Então, caro leitor, se você usa o título de "mestre", "mago", "feiticeiro", "hierofante", "yamunisiddha", "alabê", "babalorixá", "babalawô", "papa", "dalai lama", "pastor", "bispo" ou "cristo" (como é o caso do tal Inri Cristo) isto não muda, em nada, a sua condição de criatura falível, em eterno aprendizado, seja religioso, social ou espiritual.

Outra fanfarrice é ficar por ai dizendo que "pais e mães espirituais" de "fato e de direito" são aqueles que têm casa aberta ao público.

Se realmente é assim, Ivan Horácio Costa (Mestre Itaoman), Agenor Miranda (uma dos mais respeitados aluwôs que viveu neste país), para ficar apenas em dois exemplos mais conhecidos, não são ninguém já que nunca tiveram terreiro aberto.

O que vem acontecendo, sutilmente, é que a OICD/FTU tem criado padrões inclusivos e exclusivos para reconhecer (ou não) alguém como umbandista de "fato e de direito", contrariando os conceitos de "diversidade", "convergência" e "tolerância irrestrita" que, hipocritamente, prega. Aliás, o "sobrenome" destas instituições e de seu criador deveria ser "contradição".

Em verdade, a OICD/FTU quer ditar o que é certo ou errado dentro do movimento umbandista, alicerçada na falácia do "apelo à autoridade" por controlar uma instituição de ensino superior. Como já afirmei várias vezes neste espaço, não há distinção alguma entre a OICD, FTU, CONUB, CONSUB, já que todas estas instituições são ligadas de forma DIRETA à Rivas Neto.

É muito simples convergirmos à quem nos é simpático e nos apoia.

Mais simples ainda é defender uma diversidade dentro daquilo que achamos correto. Tolerarmos "irrestritamente" aos nossos amigos, colaboradores e familiares é muito fácil, mas onde estão todos estes conceitos em relação à Rubens Saraceni por parte da OICD/FTU? Que raios de "tolerância irrestrita" é esta?

A hipocrisa campeia e, ao que parece, a maioria não enxerga isto ou finge que não. Mas continuo escrevendo, na esperança que alguém um dia leia e entenda.

domingo, março 01, 2009

CULTOS DE POSSESSÃO NO DISTRITO FEDERAL

Seguindo a linha editoral deste blog de trazer uma abordagem diferente sobra a Umbanda e demais Cultos de matriz africana, disponibilizo aqui uma interessante dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília, de autoria do antropologo Marcos Silva da Silveira.

Os relatos contidos nesta dissertação, não somente mostram a proximidade do poder poilítico com as religiões de matriz africana, como também nos dá uma clara visão do nível de fetichismo, mistificação, animismo e práticas de magia negra com a pecha de "Umbanda".

Destaque para o jantar de gala, no melhor estilo black tie, oferecido por um "pai-de-santo" supostamente incorporado por uma "pomba-gira" que se apresenta com o significativo nome de "Soberana" e o relato de um trabalho feito com um feto adquirido de uma clínica de aborto clandestina (perdoem a redundância).

sábado, novembro 29, 2008

UMBANDA, THELEMA E O FRANKENSTEIN

Não faz muito tempo, conheci uma pessoa em São Paulo (que prefere manter-se no anonimato) que narrou alguns fatos interessantes sobre a infiltração da chamada Lei de Thelema não somente nos círculos maçonicos, assim como, pasmem, no meio umbandista.

As idéias de Aleister Crowley, ocultista inglês que ficou conhecido como a "Besta 666", "O Mago das Mil Faces" e "O Pior Homem do Mundo", têm forte influência maçonica, portanto não é de se admirar que alguns maçons, no mundo tudo, mesmo que de forma velada, se identifiquem com a chamada Thelema, palavra de origem grega que significa "vontade".

As bases da filosofia thelêmica é "Fazes o que tu queres, há de ser o todo da Lei" e "Amor é a Lei, amor sob vontade".

A Lei de Thelema, em tese, determina que cada pessoa siga sua Verdadeira Vontade para alcançar satisfação na vida e liberdade das restrições da suas naturezas. Pois duas Verdadeiras Vontades não podem estar em real conflito (de acordo com "Todo homem e toda mulher é uma estrela"), essa Lei também proíbe alguém de interferir na Verdadeira Vontade de qualquer outra pessoa.

Mas, levando-se em consideração que Crowley teve envolvimento notório com orgias sexuais, drogas e rituais ligados à chamada "magia negra", podemos concluir que apesar do verniz filosófico a idéia é, realmente, seguir a sua vontade sem restrições de nenhum tipo, inclusive as de ordem moral.

Em se falando em orgias sexuais, é oportuno dizer que Crowley dava uma ênfase importante à chamada "Magia Sexual", sendo comum nos rituais da O.T.O (Ordo Templis Orientis), assim como na A.'.A.'. (Astrum Argentum) práticas afins tanto hetero como homossexuais.

Mas nosso objetivo com este artigo não é esmiuçar a filosofia thelêmica, mas sim falar da influência da mesma nos círculos umbandistas, em especial na cidade de São Paulo. Os leitores que desejarem aprender mais sobre a matéria podem clicar nos links disponíveis no texto, que serão direcionados à material de qualidade.

O que nos chega ao conhecimento é que em determinados circulos ditos "umbandistas", existem rituais um tanto e quanto, digamos, pouco ortodoxos, envolvendo magia sexual.

Há o chamado "despertar do kundalini", no melhor estilo "tantra negro", obviamente reservado somente às discípulas mais bonitas, novas e desejáveis, assim como nos círculos "internos" ouve-se em alto e bom tom as máximas deixadas por Crowley, em especial "fazes o que tu queres", convidando o prosélito a se libertar de suas amarras morais. Existem relatos, inclusive, de gíras reservadas de "exus" que acabaram em verdadeiro bacanal.

Aliás, diga-se de passagem, Matta e Silva, assim como Rivas Neto (em seus áureos tempos...) já mencionavam a existência de rituais semelhantes em suas obras, porém não era de meu conhecimento que este tipo de situação ainda persistiria no meio umbandista.

O que entendi pelos relato que ouvi, é que em alguns lugares, onde se mistura de tudo debaixo da capa da Umbanda, a chamada "magia sexual", bem aos moldes do que pregou Crowley, é uma espantosa realidade, normalmente praticada em lugares acima de qualquer suspeita, liderados por pessoas de alto nível intelectual e econômico. Estas condições, obviamente, se explicam pela complexidade da filosofia thelêmica que requer um nível de cultura acima da média para a sua plena assimilação e o preço elevado das obras referentes ao tema.

Particularmente, como várias vezes expus neste espaço, acredito que a Umbanda hoje sofre de uma crise enorme de identidade, tendo suas portas abertas, ainda mais agora com este movimento do "vale-tudo", "tudo é Umbanda", defendido por uns e outros, à toda sorte de práticas estranhas à relgião.

Para alguns teóricos da famigerada "diversidade", a Umbanda não passa de um monstro, à similitude do Frankenstein da escritora Mary Shelley, onde é normal, aceitável, o uso de partes de "corpos" diferentes afim de compor um novo ser.

Nesta nova leitura da Umbanda, é aceitável práticas estranhas à mesma, seja a famigerada apometria, o jogo de runas ou, por quê não, a prática da tal "magia sexual" nos melhores moldes thelemitas. Afinal de contas, tudo é "umbanda", tudo é "grau de consciência", tudo é permitido.

Hoje em dia, a inocência representada pelos "erês", a força e jovialidade dos Caboclos, a simplicidade, sabedoria e humildade dos Pretos-Velhos, sem falar da alegria e proteção dos Exus, não mais são suficientes para os Umbandistas.

O milenar AUMBHANDAN, mesmo sendo o "Conjunto das Leis de Deus", tornou-se, para alguns, de uma hora para outra, mutável, temporal, conveniente. A nossa religão, no que pese a desnecessidade de uma codificação doutrinária, pode dispensar enxertos filosóficos estranhos às suas origens históricas, em especial de ordem magístico-sexual.

Portanto, necessário é mantermos uma pureza doutrinária e as portas de nossos Terreiros fechadas a este tipo de influência perniciosa.

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Para saber mais:

Assista o filme "Chemical Wedding" no site do
Templo de Brigith onde poderão ser encontradas outras obras sobre Thelema e Aleister Crowley.

sexta-feira, junho 27, 2008

UMBANDA DE "HOGWARTS": QUERO SER COMO HARRY POTTER

Todas as vezes que digito a palavra "Umbanda" na ferramenta de busca do Google me deparo com algo surpreendente e, não raramente, decepcionante ligado à nossa Religião.

Hoje encontrei o blog de um determinado "Templo", que apesar de afirmar ser uma entidade religiosa sem fins lucrativos, mantem um "link patrocinado" junto ao Google, recurso este oneroso (algo em torno de R$ 800,00, para o pacote básico) e próprio de instituições comerciais.

Mas o problema, na verdade, não é este. Afinal de contas, todos temos o direito de divulgar nosso trabalho seja lá da maneira que for. Porém, quando se entra no tal blog, vemos que a realidade é outra.

Existe por lá a oferta de um tal Curso Iniciático de Mediunidade", onde, dentre outras coisas, o conteúdo programático prevê Noções básicas de como cuidar do Anjo da Guarda, O segredo das ervas e essências, A Magia de Defesa e Proteção, História do surgimento da Umbanda e da Mediunidade. Os Chácras (Centros de Forças) e suas correspondências com os ORIXÁS. As sete linhas de Umbanda e Atribuições de cada Orixá. Manifestação Mediúnica e atuação das Entidades na Umbanda (Caboclos, pretos velhos e crianças). Exus, os Verdadeiros Guardiães. (sic)

Apesar da curiosa matéria "como cuidar do Anjo da Guarda", como se este fosse um animalzinho de estimação que dependesse de nós, humanas criaturas, para sua subsistência, nenhuma novidade, visto que coisas assim vemos até em jornais e revistas, ensinadas pelos "gurus das estrelas" e coisa que o valha. Só mais uma prática por parte daqueles que ignoram os verdadeiros fundamentos da Umbanda.

Então - pergunta o arguto leitor - qual o problema?

Temos, na verdade, dois problemas sérios (três, se contarmos os erros de grafia e gramática do texto):

O primeiro é a pecha de "iniciático" do curso.

No que pese o dicionário definir "iniciação" como ato de dar ou receber os primeiros elementos de uma prática ou os rudimentos relativos a uma área do saber, o anúncio deste curso leva o interessado a pensar que será "iniciado" no sentido místico, esotérico da palavra. Na verdade, o anúncio leva ao ao erro, é um engodo, visto que ninguém pode se dizer Iniciado de Umbanda com um cursinho de três meses.

O outro problema é a tal "Magia de Defesa". Isto me remete a uma das disciplinas ensinadas na fictícia "Escola de Magia de Hogwarts", da série de livros infanto-juvenis "Harry Potter", chamada "Defesa contra a Arte das Trevas".

Talvez tal matéria verse, dentre outras coisas, em como conjurar o "patrono" (expecto patronum) ou como se defender de algumas das chamada "maldições imperdoáveis" (cruciatus, imperius, avada kedavra) ou, quiça, de como espantar "diabretes da cornualha", "lobisomens", "kappas", "hinkypunks" e o "bicho-papão", este, em especial, com o feitiço "ridiculus". (não esqueçam o manejo e a torção correta da varinha mágica e do pulso, respectivamente).

Infelizmente, este não é um caso isolado. Na verdade citei este "templo" simplesmente para mostar como os oportunistas, famosos ou desconhecidos, estão se locupletando com esta moda ridícula de formar "magos", "médiuns", "teurgos", "mestres" e "hierofantes".

Se vc tem tempo, dinheiro e o mínimo de credulidade, então está apto a se tornar um "mago", com um "grau", reconhecido por todos, e somente por eles, os seguidores daqueles que ministram estes ciusos. Na verdade, não existe nenhum outro pré-requisito para que se candidate ao "cargo", tanto que até o nosso simpático cachorrinho "chegou lá", como podemos ver na foto que ilustra este artigo.

Para encerrar, peço agô ao Portentoso Caboclo Mirim para parafraseá-lo:

"Umbanda é coisa séria para gente séria."