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sexta-feira, abril 10, 2009

OS TRÊS MACACOS EVANGÉLICOS

Todos estamos familiarizados com esta imagem.

Nada podia ser mais representativo para falarmos sobre a hipocrisia evangélica em relação à própria fé mas, principalmente, na crença alheia.

O primeiro macaco é o cego e representa o evangélico que vive criticando e atacando outras confissões religiosas, mas não consegue ver a podridão que ronda o seu próprio meio.

Vivem taxando as religiões de matriz africanas de "coisa do demônio", seus adeptos de "servos de satanás", falando das "maldições" que recaem sobre as vidas das pessoas que frequentam nossos Terreiros, mas justificam como "vontade de Deus" desastres como os ocorridos na sede de Igreja Renascer em janeiro deste ano, na cidade de São Paulo.

Advertem seus fiéis e simpatizantes sobre o "engano de satanás" em relação à mediunidade e as comunicações entre o mundo astral e o físico, mas ensinam sobre cobras (Gen 3:1) e mulas (Num 22:28) falantes. Para este povo, pelo jeito, é mais verossímel falar com animais do que com espíritos desencarnados.

Falam sobre magia, como se Moisés não tivesse sido um dos maiores magos que este mundo já viu. Esquecem que ele foi criado pela família real egípcia e que, por tradição, os homens da Casa Real eram iniciados nos Mistérios de Hórus.

Condenam os sacrifícios de animais (que chamam de "coisa do demônio"), mas esquecem que na Bíblia há várias passagens onde cordeiros e outros animais eram imolados e o sangue espargido no altar do Sanctum Sanctorum" (Exo 30:10; Lev 7:2). Mas como isto era para o "deus" deles, está tudo certo, justificado. Os deuses dos outros é que não podem se alimentar de sangue. (não que eu defenda os sacrifícios, fique bem claro.)

O segundo macaco é o mudo e representa o evangélico que não fala das coisas que acontecem em seu próprio meio, mas adora falar dos outros.

São aqueles que defendem figuras como o casal de "apóstolos" Hernandez, o "bispo" Edir Macedo, dentre outros, que enriquecem à olhos vistos e tem seus nomes envolvidos em problemas judiciais, mas vivem a falar contra qualquer problema com padres e sacerdotes de outras religiões. As suas bocas se fecham para os escândalos do próprio meio, mas se abrem para os que acontecem em outros.

Quando surge qualquer notícia desabonadora em relação a algum evangélico ou igreja, gritam aos quatro ventos que são vítimas de perseguição, de intolerância, mas não se importam em denegrir outras religiões em seus programas de rádio e televisão e até mesmo como, ao que parece, virou moda, invadir e destruir terreiros e centros umbandistas, candomblecistas e espíritas.

O terceiro macaco, que considero o pior deles, é o surdo.

É o evangélico típico que acredita que somente aquilo que ouve de seu pastor é o certo, o verdadeiro, a "vontade Deus". Não consegue dialogar e se colocar em um ponto neutro para analisar nenhum tipo de argumento que é apresentado.

É aquele que quer pregar para você, mas não quer ouvir nenhum tipo de contra-argumentação. Acredita que aquilo que está falando é a verdade absoluta, que ele está do lado direito de Deus e que ninguém tem o direito de negar aquela "verdade". Ele não quer conversar e sim impor a sua doutrina para os outros.

O maior problema que, cia de regra, o evangélico surdo possui características dos outros dois, o que o torna, sem sombras de dúvida, o religioso mais antipático e intolerável que se possa conceber.

Mas, se você é evangélico e está lendo este artigo, não fique magoado comigo. Existem muitos "três macacos" no meio umbandista também. Aliás, em especial entre alguns "líderes" e seus seguidores, é o que mais achamos.

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Foto: Os Três Macacos Sábios - Artesanato em Rhodes, Grécia, 2005.
Fotógrafo: Raul Zito

quinta-feira, março 12, 2009

NOTAS RÁPIDAS

FTU inaugura a Pós-modernidade na Umbanda – Aproximando o Saber Acadêmico do Religioso”. Com este tema, fomos "brindados" com outro pronunciamento de Francisco Rivas Neto (Arapiaga) via internet. Quem acessou o site da FTU ontem e não tinha nada melhor para fazer, viu um Riva Neto, como sempre, tropeçando nas palavras, se perdendo durante a fala, querendo falar sobre um assunto (Pós-Modernidade) que, definitivamente, não domina. A impressão que passou é que decorou alguns nomes e conceitos básicos sobre o tema para a gravação do programa. Isto sem falar no amadorismo da gravação e a preocupação dele em apontar a todo momento uma cadeira vazia ao seu lado esquerdo. Estes pronunciamentos de Rivas Neto nada mais são do que uma forma dele alimentar o seu ego e estar em "cadeia internacional" semanalmente, sem falar na oportunidade de atacar os "mal fadados" (conforme se expressa) cursos ministrados por Rubens Saraceni.

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E a polêmica sobre a excomunhão da equipe médica e da mãe da criança de nove anos que teve a gravidez de gêmeos, fruto de estrupro por parte do padrasto, interrompida com autorização da Justiça. Depois da campanha "Então me Excomungue", foi a vez dos católicos se manifestarem contra a postura retrógada do Bispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, em relação ao caso e lançarem um abaixo-assinado repudiando a excomunhão dos envolvidos. Com o título de "Nosso Manifesto - Católicos Conscientes", os fiéis da Igreja Romana falam sobre ética, dignidade e postura cristã. Aqueles que quiserem assinar podem acessar através deste link.

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Ainda sobre a tal excomunhão: se o Direito Canônico determina a excomunhão automática de quem pratica o aborto (Can. 1398 — Qui abortum procurat, effectu secuto, in excommunicationem latae sententiae incurrit. Em língua pátria, o cânon 1398 do Código de Direito Canônico: Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.), com a justificativa de que prima pela preservação da vida humana, por que será que não há previsão de pena semelhante para homicídas em geral? Já que o princípio é punir aquele que tira a vida de um inocente, deveria a excomunhão automática se estender para qualquer um que cometa homicídio doloso e outros crimes bárbaros, dentre ele o estupro de menores. Apenas para ilustrar, o termos "latae sententiae" significa "sentença oculta" e ocorre independente de declaração de quem quer que seja. A pergunta (outra) que ficar é: se a excomunhão é automática, qual o objetivo do estardalhaço feito pelo "bom velhinho" Bispo Dom José Cardoso Sobrinho?


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O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) ajuizou uma ação civil pública contra a Rede Record e a TV Gazeta pedindo indenização no valor de, respectivamente, R$ 13.600.000,00 e R$ 2.424.300,00, pela suposta discriminação das religiões de origem afrobrasileira na programação das emissoras. De acordo com a Procuradoria, programas religiosos exibidos nas redes de TV utilizam há anos expressões que discriminam religiões como umbanda e candomblé, tais como “encosto”, demônios, “espíritos imundos”, “feitiçaria”, além da famigerada “macumba”. Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, as emissoras não estão imunes de responsabilidade sobre programas feitos por produtoras independentes.

quarta-feira, março 04, 2009

STJ MANTÉM DECISÃO QUE CONDENOU IGREJA UNIVERSAL

A Igreja Universal do Reino de Deus terá que devolver uma doação de R$ 2 mil, devidamente corrigidos, feita por um fiel arrependido. O ministro Luís Felipe Salomão negou seguimento a um recurso (agravo de instrumento) da Igreja que pretendia que o recurso especial interposto por ela com o objetivo de afastar a condenação fosse remetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apreciação e julgamento.

De acordo com os autos, um motorista, morador de General Salgado (SP), ao visitar a Igreja, foi induzido a fazer parte do “rebanho”, mas, para isso, teria primeiramente que abandonar o egoísmo e se desfazer de todos os seus bens patrimoniais. Como recompensa, o pastor prometeu que sua vida iria melhorar tanto no campo profissional quanto no sentimental.

Assim, o motorista vendeu um automóvel Del Rey, único bem que possuía, por R$ 2,6 mil e entregou dois cheques ao pastor. Alguns dias depois, arrependido, conseguiu sustar um dos cheques, de R$ 600, mas o primeiro cheque, de R$ 2 mil, já tinha sido resgatado pela Igreja. Inconformado, ele entrou na Justiça com uma ação de indenização por danos morais e materiais.

Em primeira instância, o seu pedido não foi acolhido. O fiel recorreu e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou a Igreja a devolver os R$ 2 mil, devidamente corrigidos, a título de danos materiais e afastou o pedido de ressarcimento por danos morais.

Ao decidir, o ministro Luís Felipe Salomão ressaltou que o TJSP resolveu todas as questões pertinentes, revelando-se dispensável que venha a examinar uma a uma as alegações e fundamentos expostos pelas partes. “Ora, rever os fundamentos que ensejaram o entendimento do Tribunal de Justiça estadual exigiria a reapreciação do conjunto probatório, o que é vedado em recurso especial, ante o teor da Súmula 7 do STJ”, afirmou.

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Fonte:

Coordenadoria de Editoria e Imprensa STJ

AG 1076386

quarta-feira, dezembro 17, 2008

A MEDIOCRIDADE NEOPENTECOSTAL

Não há como ter uma religião onde todos somos perdoados de nossos pecados, de nossas falhas, sem a figura de um "bode expiatório", um tentador, um opositor. Na verdade, por mais errado que esteja, o ser humano tem a capacidade, até mesmo por uma questão de sobrevivência, de minimizar seus atos e até mesmo tentar justificá-los.

Para tanto, nada melhor do que acreditarmos que estamos sobre a influência constante de forças demoníacas (no caso de espíritas, umbandistas e espiritualistas em geral, dos obsessores). Assim transferimos a nossa responsabilidade para um ente sobrenatural e está tudo resolvido com a nossa consciência.

Acredito que já tenha exposto aqui a minha condição de ex-evangélico. Sou oriundo de uma família areligiosa, que converteu-se nos anos de 1980 ao protestantismo, sendo eu levado nesta onda.

Como não faço nada pelas metades, cheguei a fazer o seminário de teologia e por muito tempo fui um daqueles "crentes" fevorosos, que não sabia falar sobre nenhum outro assunto exceto "Bíblia", "Jesus", "Igreja", "teologia". Aliás, "fervoroso" é mero eufemismo para "chato de galochas", devo confessar.

Portanto, conheço os bastidores das Igrejas evangélicas, sei como toda a "mágica" se desenrola, em especial os motivos de ouvirmos os pastores, em especial os de igrejas pentecostais, falarem mais do diabo do que de Deus.

A idéia é simples: convencer o fiel que tudo que está acontecendo em sua vida (doenças, desemprego, conflitos familiares, etc) são obra do demônio, do diabo, satanás, coxo, coisa-ruim, capiroto e, finalmente, do "exu".

Então, o pastor se coloca com uma espécie de "caça-fantasmas", convence o fiel que está embuido de uma autoridade espiritual incontestável, que o próprio Deus está ao lado dele, pronto para fazer milagres e que está pronto para começar a "agir" na vida do crente. Obviamente, o necessitado tem de dar prova da sua fé, e para isto precisa desembolsar uma certa quantia em dinheiro na forma de dízimo, ofertas e "desafios" à Deus.

Sinceramente, não há como entender os motivos que levam a Deus necessitar de dinheiro. O Senhor do Universo, o Deus Todo-Poderoso, Aquele que não teve início e não terá fim, precisa de dinheiro... muito dinheiro... para poder fazer algo por alguém.

Se eu fosse levar em conta o que dizem os pastores com o intuito de arrecadar dinheiro para Deus, chegaria a conclusão que Ele não é uma divindade e sim um banqueiro de Wall Street.

A insistência em pedir dinheiro, inclusive com falácias do tipo "quem não dá o dízimo está roubando à Deus". "quem não faz a sua oferta de amor, não tem fé" e, a melhor delas, "você deve dar o seu tudo para provar a sua fé", chegam a ser extorsivas, intimidatórias, levando ao incauto fiel, a entregar, como já presenciei, todas as economias, e até mesmo a passagem de volta para casa, valores para pagar água, luz e fazer a despesa do mês, como "oferta" à Igreja.

Algumas Igrejas inovaram tanto no dízimo, nas ofertas e "desafios", que agora parcelam em até três vezes no cartão de crédito tais "obrigações" de seus fiéis. É o dinheiro de plástico chegando ao "Paraíso" e facilitando a compra de um belo triplex com vista para a mansão de Jesus.

É claro que por detrás disto tudo está a ameaça de que o diabo irá agir (ou continuará agindo) em sua vida, caso a "casa do tesouro do Senhor" não seja abastecida e os pastores, em sua maioria, possam andar de carro importado, ter jatos e lanchas possantes à disposição, assim como usufruir de concessões públicas de rádio e televisão para propagar sua idéias e, claro, atacar outras religiões, em especial as de matriz africana.

Não é novidade que a Igreja Universal do Reino de Deus já foi várias vezes condenada por usar seus veículos de comunicação para atacar a Umbanda e o Candomblé, assim como é de conhecimento de todos que os ataques, mesmo que de forma mais sutil, continuem em seus jornais, rádios e canais de televisão.

E, por qual motivo, mesmo já sendo condenada alguma vezes, incluso com direito de resposta por parte de ONG's que combatem o preconceito racial e religioso, a Igreja Universal continua a atacar?

A resposta é simples: é lucrativo.

Mesmo que vez ou outra seja obrigada a amargar derrotas judiciais e gastar algum dinheiro com indenizações e/ou cessão de espaço em sua programação, o retorno financeiro, representado pelas ofertas de mais e mais adeptos que acreditam realmente que o diabo, atuando através de "magia negra", "exus" e "macumbas" em geral, está complicando suas vidas é maior do que os gastos eventualmente feitos para se defender na Justiça e, claro, bancar as condenações.

Questão de mercado: o montante que entra é bem superior ao que, eventualmente, sai. Portanto é considerado por eles como investimento, não prejuízo.

Dentro do imaginário popular brasileiro, o que conhecem como magia são as práticas da Umbanda e do Candomblé, assim como de outras religiões de matrizes africanas e ameríndias. Apesar de haver religiões assim chamadas "pagãs" de origem européia, como a Wicca e a bruxaria tradicional, elas não são mencionadas porque o "povão" desconhece estas tradições e portanto não são capazes de se atemorizar com suas práticas.

Para o brasileiro, "magia" é farofa com dendê, charuto, vela vermelha e galinha preta na encruzilhada. Nada de caldeirões borbulhantes ou poções elaboradas.


Outro motivo que leva os neopentecostais a mirar nas religiões de matriz africana, é a íntima ligação com o cristianismo devido as influências católicas e o famigerado sincretismo. Nada mais cômodo do que ter uma figura como Exu, sincretizado com o demônio judaico-cristão e, pior, que tem esta personalidade demoníaca corraborada pela maioria dos adeptos da Umbanda, que fazem questão de usar imagens com chifres, tridentes, rabo e pés de bode em suas Casas de culto, sem falar na idiotice de usar nomes de demônios da kaballa judaica para referir-se à eles.

Com isto, a "fórmula mágica" está completa: pegue um povo sofrido, religioso e místico por natureza, em um país com imensas desigualdades sociais, convença-o que todas as mazelas de suas vidas são culpa de um tal diabo, ensine que Deus, apesar de Todo-Poderoso, necessita de dinheiro, eleja uma religião com elementos magísticos e espirituais onde se cultua uma Entidade (Exu) que muitos dos próprios adeptos insistem em dizer que é o diabo, e temos uma igreja neopentecostal.

Infelizmente, muitos do que se dizem umbandistas continuam dando munição para os detratores da nossa religião. São os famigerados sacrifícios com dezenas de animais diversos, as capas pretas-e-vermelhas, os tridentes, as imagens que representam Exu tal e qual o mitológico diabo judaico-cristão. São as cantigas que exortam "Lúcifer" (por sinal, um "demônio" que não existe...), "Satanás", pontos e "rainhas" firmados no inferno.

Acredito que seja de bom tom que da próxima vez em que ficar indignado com qualquer ataque à Umbanda e as demais religiões de matriz africana, quando ouvir a acusação que Exu é o diabo, o "braço direito de satã", e sentir-se ofendido com isto, medite o quanto você mesmo contribui para tanto.

Quem sabe nas práticas da sua Casa, nas imagens dentro da sua tronqueira e nos conceitos errôneos que propaga, principalmente sobre Exu, estão as bases das calúnias e difamações contra a religião que diz professar?

Pense nisto.

quinta-feira, setembro 18, 2008

STJ CONFIRMA CONDENAÇÃO DE IGREJA UNIVERSAL A INDENIZAR HERDEIROS DE MÃE-DE-SANTO

Por unanimidade, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a obrigação de a Igreja Universal do Reino de Deus pagar indenização aos filhos e ao marido da mãe-de-santo Gildásia dos Santos e Santos. Uma foto da líder religiosa foi usada num contexto ofensivo no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da igreja. A decisão da Quarta Turma seguiu integralmente o voto do juiz convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Carlos Fernando Mathias, que reduziu o valor a ser pago.

Em 1999, a Folha Universal publicou uma matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes” e utilizou uma foto da ialorixá como ilustração. Em 2000, Gildásia faleceu, mas seus herdeiros e espólio começaram uma ação de indenização por danos morais. A 17ª Vara Cível da Bahia condenou a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização, com base na ofensa ao artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal (proteção à honra, vida privada e imagem). Além disso, a Folha Universal também foi condenada a publicar, em dois dos seus números, uma retratação à mãe-de-santo.

No recurso da Universal ao STJ, alegou-se que a decisão da Justiça baiana ofenderia os artigos 3º e 6º do Código de Processo Civil (CPC) por não haver interesse de agir dos herdeiros e que apenas a própria mãe-de-santo poderia ter movido a ação. A defesa argumentou que a “suposta” ofensa não teria efeitos neles. A Igreja Universal também não seria parte legítima, já que a Folha Universal é impressa pela Editora Gráfica Universal Ltda., que tem personalidade jurídica diferente daquela da igreja.

Na mesma linha, alegou que o espólio não poderia entrar com a ação. Afirmou, ainda, que a sentença seria ultra petita (sentença além do pedido no processo), já que condenou o periódico a publicar duas retratações, quando a ofensa teria ocorrido apenas uma vez, violando, com isso, os artigos 128 e 460 do CPC. Por fim, afirmou ser exorbitante o valor da indenização e propiciar enriquecimento sem causa. Informou que o jornal não teria fins lucrativos, tornando o valor ainda mais desproporcional.

No seu voto, o juiz convocado Carlos Fernando Mathias considerou que, mesmo que a gráfica e a Igreja Universal tenham pessoas jurídicas diferentes, elas obviamente pertencem ao mesmo grupo, como atestam os estatutos de ambas e são co-responsáveis pelo artigo, logo a Universal poderia ser processada pela família. Quanto à questão do espólio, o juiz Fernando Mathias admitiu que a questão não poderia ser transmitida por “herança”. O espólio, portanto, não seria legítimo para começar uma ação. Entretanto o magistrado considerou que a ofensa à mãe-de-santo seria uma clara causa de dor e embaraço aos herdeiros e que o pedido de indenização seria um direito pessoal de cada um. Ele apontou que a jurisprudência do STJ é clara nesse sentido.

O relator considerou que a decisão de fazer publicar a retratação por duas vezes seria ultra petita (sentença além do pedido no processo), sendo necessária apenas uma publicação. Quanto ao valor, ele entendeu que o fixado pela Justiça baiana seria realmente alto, o equivalente a 400 salários mínimos para cada um dos herdeiros. Assim, pelas peculiaridades do caso, reduziu a indenização para um valor total de R$ 145.250,00 ficando R$ 20.750 para cada herdeiro.
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Fonte: STJ - REsp 913131/BA - 18/09/208

terça-feira, fevereiro 21, 2006

A UMBANDIZAÇÃO DAS IGREJAS NEO-PENTECOSTAIS

Há poucos dias atrás, relendo algumas revistas antigas deparei-me com um artigo da Revista Ultimato intitulado "A Igreja Brasileira está com labirintite", escrito pelo diretor do Centro Menonita de Teologia, o teólogo Reverendo Marcos Roberto Inhauser onde o mesmo, dentre outras colocações, narrava as informações que vem recebendo sobre o que ele classifica como "práticas litúrgicas estranhas" às Igrejas protestantes brasileiras.

Obteve ele informações de que "há um pastor expulsando o demônio da obesidade, outro que expulsa o demônio da caspa, da bronquite e da asma". Também nos dá conta de uma Igreja no Rio de Janeiro que tem uma faixa em frente com os dizeres: "Sexta-feira: Dia do pai maior - Sal Grosso e alho". Uma Igreja no interior de São Paulo, onde as pessoas ao entrarem são lavadas com sal grosso para impedir a entrada de demônios, além da bastante prática de "entrevistar demônios" durante cultos com exorcismos. Este artigo foi escrito em 1995, e como continua atual.

Hoje o ilustre reverendo deve estar com cabelos brancos de ver como as Igrejas ditas evangélicas estão funcionando. São tantas práticas estranhas ao meio que não há como se classificar "quem é quem" neste meio.

É impossível se falar neste assunto sem citar a Igreja Universal do Reino de Deus, visto que seu fundador, o "bispo" Edir Macedo era (ou pelo menos se dizia) umbandista. A IURD mantém vários programas de televisão onde podemos observar os absurdos que são praticados em termos de doutrina.

Começamos pela denominação que dão às reuniões. Nas terças-feiras ha uma reunião denominada "Terça-feira do Descarrego", onde os pastores se vestem de branco, usam terminologia umbandista e, há pouco tempo, estavam distribuindo o "sabão de arruda" para tirar as "coisas ruins" do "corpo e da alma".

A inovação é evidente até mesmo para o meio Umbandista: nunca tinha ouvido falar em "sabão de arruda"! Além do tal sabão, é comum a distribuição de óleos, alianças, espadas, escudos, lenços e toda a sorte de "amuletos" ao fiéis, que deve, é claro, contribuir com alguma soma significativa para alcançarem o "milagre".

Em outras denominações neo-pentecostais a situação não é diferente. A Igreja Internacional da Graça de Deus, comandada por um cunhado e dissidente da IURD, o "Missionário" R.R Soares, segue os passos de sua inspiradora. Em Belo Horizonte, podemos ver o "Reverendo" João Batista expulsando "demônios", distribuindo amuletos e incutindo toda a sorte de elementos estranhos à fé evangélica.

O mais hilário disto (para não dizer triste) são as famosas "entrevistas" com os supostos "demônios" que, invariavelmente, identificam-se com nome do Exus Guardiões da Umbanda. O que se vê nesta ocasiões são pessoas extremamente sugestionáveis que chegam ao ponto de "receberem os demônios" a um simples comando do Pastor que enquanto isto encoraja os demais participantes a gritarem histericamente "queima, queima" para mandar o "tinhoso" de volta aos infernos de onde veio. Coisas que não acontecem "por cá" na Umbanda, visto que os Umbandistas sérios respeitam profundamente o sofrimento das pessoas e nunca exporiam ninguém à uma situação ridícula destas.

Paradoxalmente, tais Igrejas utilizam de métodos e terminologias de religiões e doutrinas que, pelo menos teoricamente, são contrários aos seus ensinamentos e convicções. Fazem, na verdade, uma adaptação, tentam dar uma roupagem nova à práticas que há muitos anos são usadas por religiões de cunho espiritualistas, que eles combatem, mas, como toda boa seita, acreditam que eles tudo podem porque, afinal, são detentores de uma "verdade absoluta" e os verdadeiros (e únicos) "filhos de Deus".