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sábado, fevereiro 21, 2009

UMBANDA PRIMITIVA

Houve um tempo em que a Umbanda não tinha líderes, faculdades, conselhos e apenas duas ou três federações que tentavam dar o mínimo de organização e consultoria jurídica aos terreiros filiados, mesmo porque houve, como se sabe, grande perseguição e repressão Estatal aos seus adeptos, assim como os do Candomblé.

Entre as décadas de 1950 - 1970, houve o que chamo, no que pese a perseguição policial, de "Época de Ouro" da Umbanda, onde a religião tinha milhares de adeptos, suas músicas eram ouvidas nas rádios e não raramente podiamos assistir nomes como W.W. da Matta e Silva, Tancredo da Silva Pnto, dentre outros, expondo suas opiniões e pontos de vista em colunas diárias (ou semanais) em jornais e revistas de grande circulação.

A extinta TV TUPI, muitas vezes apontou suas câmeras para as personalidade citadas, assim como sempre abria espaço em sua programação para Chico Xavier e outros baluarte espíritas, sendo que sempre tais programas eram acompanhados de grande audiência.

Na música, tivemos vários artistas, dos quais destaco Ronnie Von e Clara Nunes, que gravaram músicas inspiradas em canções de Terreiro, quando não eram os próprio pontos de Raiz que ganhavam novos arranjos.

No que pese algumas históricas contendas doutrinárias, em especial envolvendo Matta e Silva e Tancredo da Silva Pinto, que trocavam algumas "farpas" não somente através de seus artigos em jornais e revistas, mas também em seus livros, havia uma relativa paz entre os praticantes e ninguém se preocupava por demais com os ritos e doutrinas praticados neste ou naquele Terreiro.

Em geral não haviam grande Terreiro, com centenas de médiuns, sendo uma exceção à esta regra a Tenda do Caboclo Mirim na cidade do Rio de Janeiro.

Normalmente, as Casas de Culto eram familiares, contando com um pequeno espaço nos fundos da residência do responsável pelo local, com poucos médiuns, onde a caridade era feita de forma simples e desinteressada.

Era muito comum presenciarmos grupos inteiros de umbandistas levando à cabo seus preceitos nas cachoeiras, matas e encruzilhadas, sem temer nenhum tipo de repressão (isto após o Estado Novo e uma certa abertura do Regime Militar) ou discriminação por conta a da sua fé e de seus rituais.

Hoje, infelizmente, tudo mudou.

Se não precisamos mais nos preocupar com a repressão policial, mas com o avanço das igrejas neo-pentecostais que pregam a violência e o desrespeito à fé alheia, temos notícias de tempos em tempos, de Casas de Culto, assim como de Centros Espíritas, sendo invadidos e depredados por aqueles que se auto-intitulam "povo de Deus".

Não há mais segurança para fazermos nossos rituais nos sítios sagrados, visto que corremos o risco de sermos atacados por estes verdadeiros BANDIDOS travestidos de religiosos, que não respeitam o direito das pessoas a pensarem e crerem de forma diferente da deles.

Em termos administrativos, existem centenas de federações, associações, conselhos e toda a sorte de ESPERTALHÕES que decidiram ganhar uns trocados criando tais organizações que, no frigir dos ovos, não fazem absolutamente nada, salvo honrosas e raras exceções, pela religião.

Do outro lado, temos conselhos que não cobram nada de seus associados, mas são usados como meio de propaganda por seus idealizadores, afim de criar uma ponte não somente para disseminação e imposição das idéias dos mesmos mas, principalmente, para alimentar o verdadeiro culto à personalidade do tal "babá".

Hoje em dia, a Umbanda, apesar do discurso hipócrita que vemos por ai, de união, convergência, respeito à diversidade, está dividida em facções. Uns se bandearam para o lado do "Pai X", incluso antigos desafetos e adeptos de cultos outrora identificados por ele como "coisa de kiumba", enquanto outros cerraram fileira com o "Pai Y", que defende com unhas e dentes seu mercado de livros, apostilas e cursos de final-de-semana.

Apesar do discurso defendendo a Umbanda e suas Tradições, de unificação das várias correntes doutrinárias, o que estes dois querem, na verdade, é ganharem uma grana, assim como poder político, nas costas da comunidade umbandista. Para estes dois não existe meio termo: ou se está com eles ou contra. Não é possível ficar neutro.

Se a Umbanda de hoje não mais precisa se preocupar com a perseguição do Estado, está sob o julgo de verdadeiros ABUTRES que querem, de toda feita, dominarem a religião e, com isto, locupletarem-se de todas as maneiras possíveis.

Nenhum grupo ou núcleo familiar umbandista está à salvo desta gente.

Apesar da liberdade que dizem pregar, usam de manipulação psicológica pesada, em especial ADJETIVAR as pessoas de sectárias e etnocentricas, assim como IMPOR sua visão, para impelir aos incautos e/ou de personalidade fraca a cerrar fileira com eles e ser um novo "arauto" de suas idéias e do culto à personalidade do megalômano "babá".

Venho dizendo neste espaço que a Umbanda, se as coisas continuarem assim e não houver uma reação contudente daqueles que chamo de Não Alinhados, não durará mais uma centena de anos. As contaminações inseridas, a mistura de várias correntes em uma só, incluso as que são antagônicas, estão fazendo com que nasça uma outra religião e sepultando a Sagrada Umbanda.

A questão a ser pensada por todos nós é: o quanto nossas atitudes (ou a falta delas) tem colaborado para este quadro e para a derrocada de nossa Religião e nossas Tradições?

Medite, seriamente, sobre isto.

sábado, fevereiro 07, 2009

A AGONIA DO SOUESP

O SOUESP (Superior Orgão de Umbanda do Estado de São Paulo) deve estar olhando saudoso para o passado, pois já foi o orgão federativo umbandista mais influente e poderoso do país.

Nascido no 2º Congresso de Umbanda, em 1961, hoje agoniza administrativa e financeiramente, verificando uma tremenda evasão de seus quadros.


Distantes estão os tempos de glória, como aqueles que vivenciou sob a tutela do General Nelson Braga Moreira (primeiro presidente da Casa), Jamil Rachid, João Batista Menezes Ladessa.

Hoje tendo à frente o simpático Milton Aguirre e como vice-presidente o advogado Antônio Basílio Filho, conhecido no meio umbandista como "Dr. Basílio", o SUOESP dá sinais claros de cansaço.

Obviamente que não estou chamando a atual diretoria de incompetente, longe disto. Afinal de contas, no Estado de São Paulo e, por que não dizer, no Brasil, temos um federação, associação, ou seja lá o nome que se dê para os orgãos pretensamente "federativos" dentro da Umbanda, em cada esquina.

O que vem acarretando a decadência do SOUESP, assim como de outras federações tradicionais, é um elemento muito comum na "lei do mercado": CONCORRÊNCIA.

Ainda mais agora com a agressiva campanha de marketing do CONUB/CONSUB, que não cobra nada de seus associados (pelo menos por enquanto...), assim como ataques às federações e seus dirigentes, a tendência é que este antigo modelo federativo, realmente, seja extinto.

Recentemente, o SUOESP, através de seu "Conselho de Avalização e Credibilidade" (seja lá o que signifique isto...) lançou o seguinte manifesto na internet:

INSCRIÇÕES E REGISTROS ABERTOS!

O conselho de AVALIZAÇÃO e CREDIBILIDADE tem por finalidade organizar os procedimentos de alta relevância no crescimento de forma ordenada dos cursos e material de divulgação escrita, seja imprensa, livros, apostilas, etc.

O SOUESP registrará, dando valor e credibilidade, aos professores, iniciadores, autores, cantores, sacerdotes utilizando selo (logo) dando o aval do SOUESP a trabalhos sérios e éticos e de importância ao entendimento espiritual, proporcionando TOTAL credibilidade aos mesmos.

SOUESP/conselho de avalização e credibilidade
(11) 28222614
souesp@terra.com.br
Ortiz Belo

Diante disto, Rubens Saraceni reagiu da seguinte forma:

Aos Alunos do Colégio Tradição de Magia Divina e membros da AUEESP – Associação Umbandista do Estado de São Paulo.

Tomamos conhecimento de um comunicado do SOUESP, onde um conselho de avaliação e credibilidade passará a registrar professores, iniciadores, autores, cantores, sacerdotes utilizando selo (logo) dando o aval do SOUESP a trabalhos sérios e éticos e de importância ao entendimento espiritual, proporcionando TOTAL credibilidade aos mesmos...

Informamos aos Irmãos que nenhum órgão, inclusive o SOUESP, está credenciado/capacitado/autorizado a avaliar nosso trabalho, bem como a chancelar nossos cursos.

Com relação aos cursos de magia, o único órgão jurídico que poderá avaliá-los e credenciá-los é o Instituto Cultural Colégio Tradição de Magia Divina também conhecido como Colégio de Magia, através de sua diretoria, e o seu fundador, Rubens Saraceni.

Quanto aos cursos de Desenvolvimento, Teologia e Sacerdócio de Umbanda, ministrados pelo Colégio de Umbanda “Pai Benedito de Aruanda” e por todos os outros Colégios de Umbanda que seguem a mesma doutrina, cabe a direção da AUEESP, avaliar seus membros e filiados.

Não concordamos com essa interferência em nossos trabalhos, principalmente quando, exercendo essa interferência, o faz cobrando vultosas taxas ou colocando em suspeita todos os ministrantes de cursos com muitos anos de existência e que nunca precisaram dessa chancela do SOUESP para serem respeitados e tidos como importantes e fundamentais para a expansão e fortalecimento da Umbanda.

Rubens Saraceni
Miriam Soares de Lima
Sandra Santos


Alguns ligados ao pessoal da "diversidade", "convergência" e "tolerância", reagiram, como sempre, de forma agessiva, chamando o Pai Milton Aguirre de "semi-analfabeto" e o SOUESP de "orgãozinho falido". Aliás, diga-se de passagem, não é de hoje que estão falando contra o SOUESP e todas as outras federações.

Mas a questão não é esta.

Todo este barulho por conta desta comunicado é semelhante àquele feito por causa do tal "Conselho Federal de Umbanda" há alguns meses atrás. O SOUESP não está criando uma obrigatoriedade, apenas "vendendo" seu nome e prestígio (?!?) para aqueles que quiserem ver seus trabalhos chancelados por ele.

Não há interferência, imposição... apenas a venda de um produto que, obviamente, adquire quem assim quiser.

Mas o Movimento Umbandista não pode viver sem uma polêmica, sem um "barraco", um "bate boca"... por isto estas reações exacerbadas por parte daqueles que disputam uma fatia do "bolo" financeiro representado por curso, workshops, escolas, faculdade, livros, etc.

Tudo se resume a interesses comerciais, nada mais do que isto.

Percebam que Rubens Saraceni, junto com seus militantes, em reação ao CONSUB/CONUB, criou a Associação Umbandista do Estado de São Paulo que é presidida por Sandra Matos, sua fiel escudeira. Rivas Neto, por sua vez, através dos "testas-de-ferro" de sempre, continua tentando desacreditar o trabalho do Saraceni.

Enfim, tudo isto não passa de um jogo de poder e dinheiro. A religião em si, definitivamente, nada tem com isto.