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quarta-feira, dezembro 24, 2008

ENTÃO É NATAL...

No que pese Jesus Cristo, em definitivo, não ter nascido em 25 de dezembro, esta é uma data celebrada por todo o mundo, com exceção dos países islâmicos e outros onde o cristianismo não é muito influente. Portanto, a comemoração do nascimento de Yeshua, O Hamashiac, nesta data nada mais é do que uma tradição social, perpetuada pela cristandade.

O assim chamado "Espírito de Natal" nos enche de esperanças, de boa vontade, bons sentimentos e atitudes, assim como nos leva a confraternizar com todos, muitas vezes (o que não é meu caso, diga-se de passagem...) até mesmo com aqueles desafetos com os quais passamos todo o ano nos degladiando.

Realmente é um dia mágico, onde todos deixam brotar o melhor de si.

Uma pena que tais sentimentos e condutas nobres sejam reservadas somente a este dia. O exemplo e os ensinamentos de Jesus Cristo, assim como o que realmente seu nascimento e morte representaam, deveriam ser lembrados (e praticados) todos os dias, não somente no suposto dia de Seu nascimento.

Imagine que você tem um amigo muito chegado, ao qual respeita e considera muito... mas somente no dia do aniversário dele. Nos 364 dias restantes do ano, você mal se lembra do indivíduo e, em muitos casos, não perde a chance de fazer algumas piadas de gosto para lá de duvidoso com o seu nome.

Aliás, no caso de Jesus, quero crer que a maioria das pessoas que se empanturram de comida, consumem sem nenhuma moderação bebidas alcoólicas (o que não raramente acaba em tragédias), lembram-se o motivo de tal festim.

Particularmente, tenho cá minhas dúvidas da validade da comemoração do Natal por parte de muitos setores umbandistas.

Digo isto, porque dentro da teologia cristão, Yeshua é O Messia, O Verbo que se fez carne, O Filho Unigênito de Deus, que nasceu com a missão de nos remir de nossos pecados e nos dar novas diretrizes para seguirmos nossas vidas. Em contrapartida, dentro dos movimento umbandista o vêem como um homem comum, um médium excepcional, que evoluiu como qualquer outro espírito, vencendo as sucessivas reencarnações.

Dentro do Espiritismo, que influencia sobremaneira a maioria das Casas de Umbanda, é pregado que alguns milagres feitos pelo Messias são facilmente explicáveis pela ciência (mas ninguém os reproduziu, não é mesmo?), que Ele realmente não morreu devido ao martírio, tendo sido salvo por José de Arimatéia, tratado pelos Essênios e morrido, de velhice em algum lugar da Indía, onde estaria o seu túmulo.

Não é novidade também que alguns setores esotéricos, atribuem à Cristo o início da dinastia franca-saliana do Merovíngios, dentre outras coisas.

Questões doutrinárias, históricas e teológicas à parte, acredito que seria interessante debatermos em nossos fóruns, locutórios, congressos e seminário a importância e o papel de Jesus Cristo dentro da Umbanda.

Mas enquanto isto, desejo à todos que este dia seja de muita felicidade, que possamos meditar na vida e nas palavras do Nazareno. Que o Pai das Luzes possa abençoar a cada um sempre... Ele já nos abençoou.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O MITO SOLAR: COLOCANDO A NOSSA FÉ À PROVA

Para quem tem um mínimo de cultura geral e esotérica, não é novidade que os grandes avatares que surgiram neste orbe tem características que chamamos de "solares". Como não tenho o hábito de ficar "reinventando a roda", transcrevo a excelente texto do escritor Jorge Adoum onde o mesmo trata do mito solar:

"O Sol é a sombra física do Logos ou assim como a chama do seu corpo. Então a encarnação do Logos se representa por uma sombra e em corpo mortal.

O Mito Solar, pois, é uma narrativa na qual, em primeiro lugar, aparece a atividade do Logos ou Verbo no Cosmos, e depois nos fatos de vida de um ser que é uma encarnação do Logos, representado como Deus ou semi-Deus, SENDO QUE SUA CARREIRA SERÁ DETERMINADA PELO CURSO DO SOL, POR SER ESTE ASTRO A SOMBRA DO LOGOS.

O Logos Encarnado nasce com o Sol e com este no solstício do inverno; morre no equinócio da primavera e, vencedor da morte, ascende ao céu. O Deus Solar ocupava os seis primeiros meses do ano com um trabalho laborioso, ao passo que os outros seis meses são um período de proteção e de conservação.

Nasce sempre no solstício do inverno, após o dia mais curto do ano (no hemisfério boreal) e na noite entre 24 e 25 de dezembro, a noite santa por excelência, em todo o ano. O signo zodiacal da Virgem Imaculada Celestial está sobre o horizonte oriental à meia-noite, e o Sol (Menino) do ano novo dá então começo à sua jornada desde o ponto mais austral, em direção ao hemisfério norte, para livrar essa parte da obscuridade e do frio, da umidade e da fome, que seriam inevitáveis se permanecesse sempre abaixo do equador.

Nasce o Menino Solar DE UMA VIRGEM (signo da Virgem), que está no horizonte e conserva a sua virgindade depois do nascimento do Menino Solar. O Menino é fraco é débil, pois vem ao mundo quando os dias são mais curtos e mais longas as noites, ao norte do equador. A sua infância está cercada de perigos, porque nesses tempos é mais forte o reino das trevas, e os infantes astros, estrelas e luminares do céu, estão degolados pelo rei da obscuridade. Mas o dia se vai alongando com a aproximação do Menino Sol do equinócio da primavera. Chega, finalmente, a um ponto do seu passo, a crucificação, cuja data varia anualmente.

O Deus nascido na aurora de 24 de dezembro é sempre crucificado no equinócio vernal e dá a vida para alimentar os seus adoradores. Tais são as características mais importantes do Deus Solar. É fixa a data do seu nascimento, ao passo que a de sua morte é variável, devido a que, a primeira corresponde a uma posição fixa do sol, enquanto que a segunda é uma posição variável; pois, a páscoa (de passo, passagem) é variável e calculada segundo as posições relativas do Sol e da Lua, porque esta data não se refere à história de um homem, mas, sim, à do Deus Solar.

O Sol é a sombra física do Logos ou assim como a chama do seu corpo. Então a encarnação do Logos se representa por uma sombra e em corpo mortal."

No excelente (e desconfortável) documentário Zeitgeist (pronuncia-se "tsaitgaist") podemos ver uma explicação, inclusive levantando-se um véu até então restrito à algumas Ordens de caráter iniciático, que disponibilizo mais abaixo.

Certamente algum leitor pode estar perguntando o que tudo isto tem com a Umbanda.

Pois bem...

Lembro que Oxalá tem características solares (tanto que foi sincretizado com Jesus Cristo), além do quê o verdadeiro Umbandista deve estar em um contínuo processo de aprendizagem. Por outro lado, não podemos nos esquecer que uma grande base doutrinária da Umbanda é o cristianismo, por isto deixo a pergunta:

Se Jesus Cristo, o Oxalá de nossa Umbanda, for um mito, em quê a nossa fé é alicerçada?