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quinta-feira, julho 23, 2009

QUERO MEU PASSAPORTE DIPLOMÁTICO!!!

Pode até ser notícia velha, mas como me ensinou um amigo jornalista: "notícias não são velhas ou novas, apenas surgem e passam."

Como de praxe,estava tomando meu café da manhã com minha mãe e ela, uma senhora bem informada, comentou sobre o fato do "bispo" Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, ser portador de um passaporte diplomático, documento este, que até onde eu sabia, era restrito às autoridades da República, como Presidente dos Três Poderes, Ministros de Estado e, claro, diplomatas e demais autoridades previstas no artigo 6º e seus incisos e parágrafos, da Lei 1.983/96.

Estupefato com a notícia e achando que a minha bem informada genitora havia se enganado, fui pesquisar sobre o assunto e descobri que o líder da IURD é, realmente, o feliz portador de um passaporte diplmático, que faz com que seus portadores gozem de vários privilégios nos paises estrangeiros desde que o governo local o reconheça como membro de uma missão diplomática.

Não consegui enquadrar Edir Macedo em nenhuma das condições previstas na Lei que regulamenta a emissão de passaportes diplomáticos. Alguém pode até argumentar que o "bispo" da Igreja Universal goza de tal privilégio em função de interesse do país, como previsto no art. 6º, § 3º da Lei 1.983/96.

Sendo este o caso, sinceramente, para mim a coisa fica até mais obscura, já que também não consigo enquadrar Macedo no rol restrito das grandes personalidades brasileiras que defenda algum interesse de nossa Nação no exterior, pelo contrário: a IURD vem sendo alvo de investigações criminais na maioria dos países em que tem sede, sendo que em muitos lugares foi proibida de exercer suas atividades e até mesmo teve missionários expulsos.

No Brasil, é público e notório o envolvimento da IURD e seus membros em uma série de maracutaias e crimes, inclusive evasão de divisas como foi o caso do "bispo" deputado João Batista Ramos da Silva (PFL/SP) flagrado pela Polícia Federal com milhões de reais, inclusive com alguns maços de notas escondidos na cueca.

Alguns líderes da Igreja Universal, como ex-deputado federal "bispo" Rodrigues, que foi preso por envolvimento com a chamada "Máfia dos Sanguessugas", o "pastor" e também ex-deputado Reginaldo Germao (PP/BA) preso por receptação de veículos roubados, o ex-deputado e ex-obreiro João da Penha, preso em Bayeux por irregularidades em uma empresa que presta serviço à orgãos públicos, isto sem falar, é claro, nas centenas de ações criminais e cíveis que a IURD responde por este país afora.

E o nosso Governo (ou será desgoverno) concede ao líder destes quadrilheiros um passporte diplomático, o que o faz, em tese, ser um representante de nossa Nação no exterior?

Se tal situação estapafúrdia, para dizer o menos, fosse uma (triste) exceção, uma viagem alucinógena deste governo petista, uma dos mais corruptos que este país já teve, até que poderiamos dar um desconto, mas em conversa com conhecidos que trabalham para a União, fui informado que alguns Cardeiais e Bispos católicos também gozam desta regalia.

Diante disto, fico a me perguntar quantos Sacerdotes de Umbanda e Candomblé, assim como monges budistas, dirigentes kardecistas, além de representantes de outras religiões, possuem passaportes diplomáticos. Mais relevante ainda, é perguntar porque um Estado Laico, como em tese é o Brasil, nomeia religiosos, que nenhuma ligação oficial tem com o Governo, como representantes deste no exterior.

De toda forma, a Constituição Federal prevê igualdade entre os cidadãos brasileiros portanto, como Sacerdote de Umbanda, que vai passear na Disney no próximo ano com os filhos, quero meu passaporte diplomático. Talvez, assim, eu me sinta tratado pelo meu Governo como esperto Mickey, ao invés de me sentir como o idiota Pateta por acreditar, realmente, que a Lei neste país é para todos.

terça-feira, maio 20, 2008

TORQUEMADA BRASILEIRO?!?


(artigo publicado no site CMI Brasil, sobre a proibição, à época, do livro ""Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios" do "bispo" Edir Macedo, em 11/11/2005)

Este tipo de situação [a proibição do livro] é a prova do que eu venho dizendo há algum tempo: o Brasil é o país das proibições. Diante da inércia das Autoridades constituídas no tocante a garantir educação, saúde, segurança e outros aspectos para melhorar as condições de vida dos habitantes, partem para a proibição (ou a tentativa de...) pura e simples.

Assim foi, quardando-se as devidas proporções, com as armas de fogo (que, graças à Deus, não vingou), com a Lei que determina que todos devam ser atendidos em 15 minutos nos Bancos, o filme "Je Vous Salue, Marie" de Godar (lembra que havia um comunicado da Polícia Federal dizendo que as pessoa que o assistissem estavam passivas de prisão?), isto para mencionar apenas os atos de govenos pós "revolução" de 1964.

Agora, o MPF que tirar de circulação o livro do Macedo. Já imagino como os adeptos das religiões afro-brasileiras devem estar exultantes, aplaudindo tal iniciativa, sem pensar nas consequência que um ato deste pode gerar, no futuro, para a própria religião. Sejamos francos: por mais que a idéia me agrade, a atitude do Ministério Público tem uma designação que é CENSURA. Vivemos em um País, em tese, democrático. Todos têm o direito de ir e vir, assim como expressar suas opiniões, respondendo "ex legis" pelo abuso destes direitos. Por mais imbecil que seja a visão dos evangélicos e afins sobre as religiões de cunho afro, eles devem ter o direito de expor tais idiotices, desde que não seja um ataque gratuito, grotesto ou difamatório contra a fé alheia.

Dizer que a Umbanda, Candomblé, Kardecismo e qualquer outra religião de cunho espiritualista-mediúnica é coisa do "demônio" e outras besteiras mais, corresponde á FÉ destes grupos religiosos, já que existe várias menções disto na Bíblia. Se o texto foi ou não deturpado, não é o caso. Fato é que o livro, que é a base da fé destes grupos, diz exatamente isto. Não sei se algum dos amigos e Irmãos tiveram a oportunidade de ler esta dispensável obra do Edir Macedo intitulada "Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios".

Eu perdi o meu tempo lendo.

Para ser muito sincero, a obra não diz nada mais ou à menos do que sempre lemos em algumas comunidades de Umbanda daqui. É a história de "Pomba-Giras" prostitutas, "Exus" malandros e bebedores de sangue, falando impropérios, trabalhando para a ruina das pessoas (afinal, "Exu" trabalha para o bem e o mal, de acordo com alguns idiotas. Vide a prece à "Exu" muito difundida por ai), "Orixás" são seres vingativos, imperfeitos, mais humanos que os "humanos", que matam seus filhos, arruinam suas vidas, ameçam e coagem para conseguirem favores dos adeptos (ou escravos?) da Umbanda e do Candomblé, Exus e Pombas-Giras que vivem no inferno. Isto é familiar para vcs? Pois é... basta uma olhada em alguns tópicos em comunidades no Orkut e verão que o Edir Macedo só escreveu em seu livreto o que é, infelizmente, ensinado e propagado por ai como "Umbanda", "Exus", Orixás", etc.

A culpa é de quem? Do Edir Macedo ou dos adeptos da Umbanda e do Candomblé que insistem em demonizar as religiões? Os Umbandistas e Candomblecistas (se é que podem ser chamados assim...) criam um monte de mitos, de lendas, de "historinhas".. .querem Exus com pontos firmados no inferno e quando vem alguém e expõe isto como a realidade dos cultos, ficam bravinhos? Chamam os evangélicos de intolerantes e vilipendiadores?

Ora, sejamos sensatos.

A religião tem a cara que seus adeptos dão à ela. A "Umbanda somos nós", plagiando um slogan" antigo da Caixa Econômica Federal. Queremos respeito? Ótimo, então vamos nos dar ao respeito, mas a censura não é a solução. Vamos largar de mão esta postura de "minoria indefesa" e busquemos o respeito que a nossa religião merece dentro de nosso próprio meio para depois exigirmos respeito e reconhecimentos externos. Hoje proibi-se os livros do Macedo, amanhã, quem sabe, o Ministério Público vai querer proibir um livro de Umbanda, ou o uso de atabaques,o sacrifício ritual ou qualquer outra manifestação ritualística ou religiosa.

Estamos em um Estado laico e, com certeza, religião não é da alçada do Governo ou do MP.

Se o livro do Macedo está contra as regras, então que seja assinado um termo de ajustamento de conduta com ele e a Editora, o texto revisto e enquadrado dentro dos parâmetros tolerados pela legislação. Em minha modesta opinião, CENSURA ideológica é tão ruim quanto perdemos o direito de portarmos armas. Um retira o meu direito de defender-me, outro tira o de pensar.

Para finalizar, agradecendo a quem teve paciência de ler toda esta minha extensa manifestação e desculpando-me com aqueles que não tiveram, cito Thomas Paine:

"Quem quiser garantir a própria liberdade deve preservar até o seu inimigo da opressão, pois se ele infringir esse dever, estabelece um precedente que atingirá a ele próprio".

Ricardo Machado
Mestre de Iniciação de Umbanda Esotérica
Fraternidade de Umbanda Esotérica Vozes de Aruanda
Belo Horizonte/Minas Gerais