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domingo, julho 13, 2014

A MISTIFICAÇÃO NOSSA DE CADA DIA E O ESTOURO DE UM TERREIRO - PARTE III

Imagine que está em uma Casa de Culto e começa a gíra de Exus. 

O dirigente incorpora aquela que deveria ser a entidade que comanda os trabalhos, que saúda o congá, corrente, a assistência e, logo depois, se dirige a uma senhora e se ajoelha aos pés dela em reverência.

Esta cena acontece cotidianamente em um Terreiro de uma cidade do interior do Rio de Janeiro. 


Vamos lembrar que é comum no meio dos Cultos Afro-brasileiros a demonstração de respeito aos Bàbálòrìsàs e às Yálorísás, com o pedido de benção, com o dobalé, etc, no entanto ENTIDADES não se prostam ou ajoelham diante de ninguém, ainda mais se tratando de Exus.
Como tratei em outros artigos, há uma verdadeira dominação e controle de ditos "pais e mães-de-santo" aos membros da corrente e até mesmo da assistência. 

Já me chegaram relatos de filhos-de-santo que são agredidos fisicamente pelos seus "pais" como castigo a alguma falta. Outros nos dão conta de servidão doméstica de yaós, obrigados a fazer às vezes de faxineiros não somente na Casa de Santo, mas também na residência do dirigente. E nem vamos comentar a servidão sexual que alguns se submetem, pois já demos uma pincelada no assunto.


Alguns médiuns, como é o caso de João de Abadiânia, chegam ao ponto de utilizarem cadeiras que mais parecem tronos, instalados em uma espécie de plataforma que o mantém em um nível superior dos demais. Outros que querem fazer crer que são antigos condutores da humanidade, se auto-intitulam de toda forma, desde "yamunishida", "hierofante", além de outros de origem africana, exigem cega obediência de seus seguidores e muitas vezes é mais cultuado do que os próprios Òrisás.

Vamos entender de uma vez por todas que fazer parte de uma comunidade religiosa, seja Terreiro, Caso de Culto, Templo ou a denominação que queira se dar, não é um contrato de escravidão e submissão ao dirigente. Se há alguma submissão é aos Òrisás, Guias e Protetores, sendo que o dirigente da Casa de Culto é mero  facilitador e orientador para tanto. 

Não mesmo comum é o favorecimento por parte não somente do dirigente do Terreiro, mas também das ditas entidades que o assistem, às pessoas que colaboram financeiramente com a Casa, que se relacionam afetivamente com pessoas ligadas ao seu alto escalão, dentre outras coisas. A igualdade tão pregada pelas Entidades, neste caso, não existe.

Em minhas andanças por este país afora, não vi de tudo (ou quase) nesta "Umbanda de Todos Nós" mas de algum tempo para cá tenho me deparado com relatos absurdos, coisas próprias de gente doente, como práticas ditas "umbandistas", havendo uma ênfase muito grande para a exploração sexual e financeira de frequentadores e membros da corrente. 

É claro que muito do que acontece é com a condescendência das próprias pessoas. Muita gente se submete a determinadas situações para ficar mais próxima ao que acreditam ser "Poder" e, claro, se beneficiarem com isto. 

Um caso que conheço é de um empresário de São Paulo que deixava, de bom grado, que o "sacerdote" do Terreiro que frequentava desfrutasse dos favores de sua esposa.

Outro que deu uma "salva" de 400 mil reais ao mesmo "sacerdote" para que resolvesse determinada demanda judicial, caso que qualquer acadêmico do 1º ano do curso de Direito saberia dizer que, com ou sem intervenção magística, seria de vitória fácil.

Não se enganem: por detrás da pele de ovelha, em geral, está o lobo.

Na sequência, vamos dissertar sobre como a má gerência de uma Casa de Culto pode trazer consequências espirituais graves a todos os envolvidos.


sexta-feira, janeiro 23, 2009

VAMOS NOS CONFORMAR...?!?

O escritor português Fernando Pessoa, com notório envolvimento com o ocultismo e doutrinas esotéricas diversas, escreveu o seguinte:

Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue.

A princípio, este pensamento pode parecer confuso e ilógico, mas se nos atentarmos bem à mensagem, veremos que Pessoa está coberto de razão.

Quando nos declaramos vencedores, achamos que conquistamos algo, perdemos a motivação para prosseguirmos na luta, então nos conformamos, nos acomodamos e passamos à letargia, até que apareça um novo desafio. Na visão de Pessoa, a vitória nos leva ao conformismo, portanto não se deve dar à ela tanta importância.

Particularmente, não pretendo vencer nada e nem ninguém, mas por outro lado também não desejo ser vencido e, de forma compulsória, ter de me submeter a quem quer que seja. Assim como o karma, devemos fazer de nossa luta, de nossos anseios, algo diário, buscando compreender as coisas a partir de nossas próprias experiências e perspectivas.

Infelizmente, dentro da realidade umbandista, as coisas não funcionam assim. Para ser justo, não somente na Umbanda, mas em qualquer outro sistema filo-religioso.

Desde os primórdios da humanidade, quando começamos a buscar comunicação com uma outra realidade diferente da nossa, buscamos pessoas que nos digam o que e como fazer isto. Assim nasceu a casta dos sacerdotes, aqueles privilegiados que mantêm ligação direta com a divindade, com o mundos dos espíritos, com anjos e demônios.

Os teurgos, hierofantes, magos, bruxos, mestres, padres, pastores, sacerdotes, nos dirão o que fazer. Afinal de contas, possuem privilégios invulgares, poderes místicos, visão "além do alcance" e um "quê" qualquer, não identificável pelos olhos profanos, que os qualifaca a falar em Nome de Deus, dos Santos, dos Espíritos, das Potestades...

Faz alguns anos que o Movimento Umbandista vem sendo disputado "à tapas" por várias facções e, realmente, houve uma evolução nesta verdadeira "guerra fatricida" com a facilidade de acesso à internet, a democratização da informação e, claro, a pirataria de obras sobre o tema.

Os seminários, encontros, congressos, wokshops, locutórios, se multiplicam e com eles o número de federações, conselhos, associações e tudo mais. A imposição de visões, conceitos e preceitos, idem. Apesar de a moda ser o "respeito às diferenças", isto só é válido para quem "respeita" da forma que um ou outro diz que se deve respeitar.

Em verdade, todos estes conceitos são impostos, ditados.

Se a sua leitura sobre isto divergir daqueles que, hipocritamente, os prega, então você passa a ser "singular" ao invés de diverso, "divergente" ao invés de "convergentes.

A forma "correta" de vivenciar tudo isto, parte do saber acadêmico, nos moldes de um faculdade de teologia umbandista, dos conselho criados e controlados por pessoas ligados à esta instituição de nível superior.

O pensamento da maioria é uma exemplo fantástico da falácia do apelo à autoridade: se isto provêm de pessoas que conseguiram criar uma faculdade, reconhecida pelo Governo, então só pode ser "A" verdade, o caminho certo a seguir.

Portanto, questionar por quê, para quê?

A "lógica" na cabeça da massa deve ser a seguinte:

"O Governo e a faculdade não podem estar erradas, por consequência, aqueles que a criaram e gerenciam também não."


"Vamos nos conformar", grita o gado em direção ao matadouro.

Sim... vamos nos conformar, por que não?

Vejamos o diretor da FTU cobrar coerência de Rodrigo Queiroz em relação ao conceitos expostos nos livros de Rubens Saraceni, que pratica coisa adversa ao que escreveu. Mas vamos fazer "vistas grossas" para a inúmeras contradições entre o que Rivas Neto escreveu e pratica hoje em dia.

Coloquemos em prática as tolerância, o respeito à difrenças, a liberdade de expressão e de cultuar a Umbanda da forma que entendemos certas, mas também sejamos tolerantes ao clima de vígilia policial, o regime de exceção, que os discípulos de Rivas Neto impõe nas listas de discussões e nas comunidades virtuais.

Esta tão decantada liberdade é restrita, pelo menos no meio virtual controlado por discípulo e simpatizantes do "iluminado da Vila Alexandrina" ao "alinhados", aos "conformados", que jamais terão a OUSADIA de escrever uma vírgula sequer contra o ideário e interesses do "Pássaro Pagê".

Vamos nos conformar... sim, por quê não?

Nos quedemos satisfeitos com que Rivas Neto, Rubens Saraceni e tantos outros por ai dizem. Não vamos perder nosso precioso tempo pensando, analisando, tirando nossas próprias conclusões.

Ignoremos por completo a truculência de alguns discípulos contra os "desalinhados", as contradições, a postura dúbia... afinal de contas, eles são os "arautos", os "atalaias" da Umbanda...

Fiquemos, portanto, todos satisfeitos... vamos fingir que o centenário do Advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas realmente jogou um "pó de pirlimpimpim" sobre o Movimento Umbandista, que o teólogos formados na FTU são os grandes condutores dele e, que realmente, o "Vaticano da Banda" esteja na Vila Alexandrina.

Continuemos sendo o gado conformado e deixemos de lado a mentalidade de vencedores. Ninguém é mais escravo do que aquele que falsamente se acredita livre.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

SACERDÓCIO - INICIAÇÂO

Nos tempos antigos os discípulos eram considerados como propriedade do Templo ao qual se filiavam, sendo que incorriam em pena de morte caso o abandonasse sem a autorização do Sumo Sacerdote. Era o que acontecia, por exemplo, nos Templos dos Mistérios egípcios, babilônicos, hindus e gregos.

Nas sociedades tribais, aqueles que os mundo dos espíritos escolhesssem como seus instrumentos na terra estavam fadados a carregar esta responsabilidade pelo resto da vida, sendo uma de suas funções orientar e iniciar futuros Xamãs, Payés e Baba'Lawôs.

A hierarquia sacerdotal era rigorosamente observada, sendo que alguns discípulos estavam fadados à desvelar os mistérios menores e à outros era reservado o acesso aos mais altos patamares da sabedoria oculta, tornando-se assim sacerdotes dos Grandes Mistérios.

O desejo de penetrar o segredo das coisas, a sede de saber, eis o que traz o discípulo ao Templo.

A iniciação antiga repousava sobre uma concepção do homem ao mesmo tempo mais elevada e sã que a nossa. Nós dissociamos a educação do corpo daquela da alma e do espírito. As nossas ciências físicas e naturais, muito avançadas, abstraem do princípio da alma e da sua difusão do Universo; as religiões modernas, com raríssimas exceções, não satifaz as exigências da inteligência, a nossa medicia não procura nem quer saber da alma e do espírito. O homem contemporâneo, mais do que nunca, busca o prazer sem felicidade, a felicidade sem a ciência e a ciência sem a sabedoria.¹

A Antiguidade não admitia que essas coisas se pudessem separar, levando em conta, em todos os domínios, a tríplice natureza do homem². A iniciação era uma elevação gradual de todo o ser humano para as cumeadas vertiginosas do espírito, de onde se pode dominar a vida.

Para atingir o mestrado - dizia os sábios de então - o homem precisa refundir totalmente o seu ser físico, moral e intelectual.

Ora, essa refundição só é possível pelo exercício simultâneo da vontade, da intuição e do raciocínio. Por uma completa concordância desses três elementos, o homem pode desenvolver as suas faculdades até limites incalculáveis.

Existem na alma sentidos dormentes: a Iniciação acorda-os.

Com um estudo profundo, uma aplicação constante, o homem consegue pôr-se em relação consciente com as forças ocultas do Universo. Por um esforço prodigioso, pode atingir a percepção espiritual direta, devassar os caminhos do Além e tornar-se capaz de seguir por eles. Só então pode dizer que venceu o seu destino e conquistou desde cá de baixo a sua liberdde divina. Só então o iniciado pode tornar-se Iniciador, ou seja, um "criador" de almas. Porque só aquele que se governa à si próprio pode governar os outros: só aquele que é livre pode libertar.

A Verdadeira Iniciação é, pois, alguma coisa bem diferente de um sonho vazio, e bem mais que um simples ensino científico e religioso: é a criação de uma alma por si mesma, a sua eclosão em um plano superior, a sua eflorescência em um mundo divino.

Feliz aquele que compreende estas palavras porque a Lei do Mistério encobre a Grande Verdade.

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¹ SCHURÉ, Edouard, Os Grande Iniciados - Hermes, São Paulo, Martin Claret, 2003, 55p

² Considerando esses constituintes de outra maneira, poderíamos dizer que o homem inferior é um ser composto, mas que na sua real natureza ele é uma unidade ou um ser imortal, consistindo de uma única trindade de Espírito, Discernimento e Mente que requer quatro instrumentos ou veículos mortais inferiores, através dos quais trabalha na matéria e obtém experiência da natureza. Essa trindade é chamada de Atma-Buddhi-Manas em sânscrito. São termos difíceis de traduzir para o português. Atma é Espírito, Buddhi é o poder mais alto do intelecto, aquele que julga e discerne, e Manas é a Mente. Esse conjunto tríplice é o homem real; e sem dúvida esta idéia originou a doutrina da trindade de Pai, Filho e Espírito Santo. Os quatro instrumentos ou veículos são: Paixões e Desejos, Princípio Vital, Corpo Astral, Corpo Físico.

domingo, janeiro 04, 2009

SACERDÓCIO - QUEM "FEZ" O PRIMEIRO?

Muito se fala em "linhagem", "origem" e "reconhecimento" em termos de sacerdócio dentro das religiões de matriz africana. Alguns Terreiros de Candomblé mais tradicionais conseguem traçar a genealogia de seus dirigentes que, pelo menos em tese, chegaria ao fundador do mesmo ainda nos tempos da escravidão no Brasil.

Este é o caso, por exemplo, da Casa das Minas (Querebentan de Zomadônu), que segundo Pierre Verger foi fundada por Nã Agotimé, da família real de Abomey, esposa do Rei Agonglô, mãe do Rei Guezô do Daomé, trazida como escrava para o Brasil, e aqui conhecida pelo nome de Maria Jesuína.

Na mesma linha, temos o famoso Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, Bahia, fundado por Iyá Detá, Iyá Kalá, Iyá Nassô e Babá Assiká, Bangboshê Obitikô. Aliás, a sucessão deste Terreiro levou a uma cisma interna, onde alguns dissidentes, após a morte de Iyá Marcelina da Silva, fundaram o não menos famoso Terreiro do Gantois. Um pouco mais adiante, nova divergência sobre a chefia do Ilê com a morte de Mãe Sussu, o que acarretou nova dissidência que fundou o Ilê Àsé Opô Afonjá.

Dentro da Umbanda, não há casos famosos de sucessão sacerdotal, visto se tratar de uma religião relativamente nova, sendo, acredito, a mais pública e notória (assim como polêmica) a de W.W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani), que SUPOSTAMENTE deixou F. Rivas Neto (Mestre Arapiaga) como seu sucessor.

Apesar deste último afirmar em várias de suas obras que existe um vídeo que comprova a transmissão do comando da Raiz de Guiné à ele, não tenho notícias de alguém, fora do seu círculo, digamos, de "colaboradores próximos", que o tenha assistido. Não é novidade, porém, que os antigos Mestres da Raíz de Guiné, como Itaoman, Arabayara, Yassuamy, jamais o reconheceram como sucessor do insígne Mestre Yapacani, sendo que o próprio Mestre em uma de suas obras diz que não recebeu ordens do Astral para passar o comando à ninguém.

Listei algumas sucessões apenas para ilustrar o quanto isto é importante no meio religioso de matriz africana. Mas o assunto que queremos tratar, dando prosseguimento ao tema "sacerdócio", é outro.

A grande pergunta, aliás que sempre era repetida pelo grande Aluwô Agenor Miranda é: QUEM "FEZ" O PRIMEIRO SACERDOTE? Ou seja, em outras palavras, quem iniciou, consagrou, raspou, catulou, coroou o primeiro Baba'lAwô ou Baba'lOrisá?

Não há como responder à isto, obviamente.

As tradições religiosas, assim como tudo que é humano, sofre modificações, adaptações e, principalmente, deturpações (que o diga a Doutrina de Pai Guiné).

Com certeza, o primeiro sacerdote não passou por ritos iniciáticos na esfera material e sim espiritual. Exemplo disto temos na própria Bíblia, onde Deus dita a forma como o Culto à Ele deveria ser feito pelos judeus, como os sacerdotes deveriam se portar, vestir, até mesmo como o Templo deveria ser. Vemos também situações semelhantes no Islamismo e na Fé Bahá'i, apenas para citar alguns.

Esta consideração nos leva a responder outras perguntas que ficaram abertas: quem iniciou Zélio de Moraes, W.W. da Matta e Silva e Benjamin Figueiredo? Coloco nesta pequena lista Carlos Buby e o Sr. João da Silva.

É claro que qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento da história da Umbanda e seus luminares, responderá que Zélio foi iniciado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, Matta e Silva por Pai Guiné, Benjamin Figueiredo pelo Caboclo Mirim e Carlos Buby pelo Caboclo Guaracy. Nenhum destes iminentes umbandistas tiveram iniciador encarnado, portanto, de acordo com alguns beócios de plantão, não possuem "origem", "linhagem", "reconhecimento"?

O engraçado que tal falácia vem sempre de pessoas ligadas à Rivas Neto, portanto netos-de-santé de Matta e Silva que, repito, não teve iniciador humano. Sendo assim, pela lógica destes falaciosos, Mestre Yapacani não teve "origem" e nem "linhagem", portanto eles também não. Simples, não é?

Mas, infelizmente, são estúpidos demais para pensar nisto ou, como sempre fazem, as suas "regras" se aplicam somente aos outros (em especial aos desafetos) nunca a eles mesmos.

O próprio Pai da Matta, em sua obra "Doutrina Secreta de Umbanda", nos ensina:

(...) Bem sabemos que são inumeráveis os desiludidos por via desses fatores reais. Sabemos que se contam ás centenas os simpatizantes, adeptos e mesmo iniciados inconformados e muitos até envolvidos pela sombra da descrença, dado que confundiram, misturaram o que era do humano médium como o que pensaram ser do próprio Guia ou Protetor. Conceitos errôneos adquiridos por força de tantos impactos, de tantos fracassos e de tantas desilusões... humanas, é claro.(...)

Por estas e por outras, oh! irmão, não é que Você vai deixar de se filiar diretamente à Sagrada Corrente Astral de Umbanda, composta essencialmente dos Guias e Protetores astrais; passe por cima dessa subfiliação que implica em Você se deixar cair, ou envolver, na faixa vibratória de um médium qualquer, quer seja chefe-de-terreiro, pai ou mãe de santo, tata ou lá o que for.


Prossegue o saudoso Mestre:

Isso porque as condições reinantes de chefia, doutrina, ritual e magia são dúbias, e Você sendo uma pessoa que lê, estuda, perquire e compara, na certa não vai, nem deve, submeter-se a um "quiumba" qualquer, arvorado a caboclo ou preto-velho...

Você, sendo um verdadeiro "Filho de Fé" da Corrente Astral de Umbanda, não deve ficar na dependência e no temor dos "caprichos de A ou B", sabendo que o elemento mediúnico é humano, é "aparelho" sujeito a desgaste, erro, subversão de sua própria mediunidade ou dom...E mesmo que o médium seja bom, positivo, correto, esclarecido com bons Guias e Protetores, está sujeito a morrer, adoecer e a errar também, podendo inclusive surgir um problema qualquer no terreiro com Você e conseqüentemente afastamento; portanto, a filiação direta e tão somente a faixa espíritica, moral e vibratória de um "chefe de terreiro", não é o bastante para lhe acobertar de eventuais problemas ou decaídas mediúnicas, cisões, etc...(...)

Então não convém a ninguém (adepto ou iniciado) ficar sujeito a essas eventualidade ou condições, mesmo que o médium seja da linha reta, em tudo por tudo. Não mantenha ilusões... estamos dando um recado, que vem muito de cima e na de baixo...

O que lhe convém é se pôr a coberto de qualquer uma dessas eventualidade, se filiando por cima de tudo isso e diretamente à Corrente Astral de Umbanda - a Cúpula Astral, composta dos Guias Espirituais, que são os seus legítimos mentores... e esses jamais subverterão essa cobertura, essa proteção, porque não são humanos, não são médiuns etc...

Acredito que Pai da Matta disse tudo, não é mesmo?

Certamente o arguto leitor estará se perguntando: quem afinal é o Sr. João da Silva?

Foi um médium que conheceu a Umbanda aos dezessete anos de idade e manteve sua Casa de culto aberta por mais de sessenta anos em Belo Horizonte. Tinha a cobertura espiritual de Pai Domingos da Cruz, do Caboclo Sr. Sete Montanhas e do Exu Sr. Sete Matas.

Nunca teve iniciador humano, jamais escreveu um livro sequer (mesmo porque era praticamente um analfabeto funcional), não aceitava que o chamassem de "Pai", "Pai-de-Santo", "Babalorixá", ou seja lá qual título fosse, sendo tratado carinhosamente, até sua morte, como "Tio João".

Tive o prazer e a honra de ser o "Pai Pequeno" (por falta de termo melhor) da pequena "Casa Espirita de Umbanda Pai Domingos da Cruz", onde aprendi muito com aquele que para alguns seria "sem origem" e, com certeza, em a sua simplicidade e verdadeira humildade, nos presenteava com profundas lições sobre a Umbanda e o Mundo Espiritual.

Como o finado e saudoso Tio João, aquele anônimo trabalhador da Seara Umbandista em Belo Horizonte, temos outros milhares, que receberam suas "Ordens e Direitos" do Mundo Espiritual, que os amparou e ampara em suas jornadas mediúnicas.


Portanto, não há de se preocupar, caro leitor e Irmão-na-Fé, com títulos e reconhecimento de ninguém. Apenas faça o seu trabalho e deixe a "gíra girá".

sábado, janeiro 03, 2009

SACERDÓCIO - INTRODUÇÃO

Acredito que todo mundo já tenha ouvido a palavra sacerdócio sendo usada como sinônimo de seriedade, compromisso e responsabilidade extrema em relação a um encargo que é exercido por alguém.

Isto tem origem exatamente na crença que um sacerdote deve ser aplicado, metódico, comprometido e responsável com as suas funções religiosas. Afinal de contas, ele é o pontifex, a "ponte" entre a divindade e os seres humanos, portanto compromissado com uma força superior vital para a sua comunidade.

Nas religiões cristãs tradicionais não deveria haver a figura do sacerdote, visto que com o Sacrifício Vicário de Jesus, o Cristo, o Véu do Templo (que representava a separação entre Deus e os homens) se rasgou, passando haver uma comunhão plena entre divindades e humanos, tendo a partir daquele momento o Rabi da Galiléia a função de Sumo-Sacerdote. Mesmo assim, vemos que a assim chamada "visão sacerdotal" permanece no meio católico e protestante, com seus papas, cardeais, bispos, padres e pastores.

Na organização social das civilizações antigas, e até mesmo em alguma modernas, como é o caso das teocracias budistas e islâmicas, os sacerdotes eram (são) a classe dominante, sendo o verdadeiro governo por detrás dos reis, princípes, vizires, etc.

A lógica para tamanho poder político é simples: sendo eles "escolhidos" pela divindade como intermediários, estavam aptos a interpretar os sinais divinos e assim aconselhar os governantes. Não é por acaso que a realeza era coroada e ratificada pela casta sacerdotal, já que o monarca que recebia a coroa das mãos do Sumo-Sacerdote tinha a sua escolha e governo legitimados pela divindade.

A figura do sacerdote dentro das religiões anímicas, dentre elas todas aquelas de matriz africana, é uma constante.

Especificamente dentro da Umbanda, temos a figura do "Chefe de Terreiro", "Babalorixá", "Mestre", "Morubixaba", e várias outras denominações conforme a doutrina que a Casa de culto segue. Em geral a formação leva sete anos, período onde o adepto se aprofunda nas particularidades da doutrina, assim como cumpre suas obrigações com seus Orixás, Guias e Protetores.

Particularmente, tenho o entendimento que todo e qualquer médium de fato e de direito, independente da formação, em sentido stricto sensu, é um sacerdote. Através da mediunidade é que o Astral se manifesta e nos orienta, portanto não há motivo para não considerar qualquer médium assim, visto ser a "ponte" (pontifex) entre o mundo visível e invisível.

Mas quando se trata de PODER, de status, a maioria das pessoas não têm uma visão tão, digamos, liberal. Estar à frente de uma congregação, ser portador de um título pomposo (ex. "yamunisiddha"), ser o líder, não é algo que esteja ao alcance de qualquer um. Deve-se ter, de acordo com alguns beócios de plantão, "origem", "reconhecimento", "linhagem"...

Pois bem...

As perguntas que sempre me fizeram perder o sono são: quem 'fez' o primeiro Babalorixá? Quem foi o iniciador HUMANO, por exemplo, de W.W. da Matta e Silva, de Zélio de Moraes, de Benjamin Figueiredo?

Estas e outras perguntas serão respondidas na sequência desta série de artigos.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

AGENOR MIRANDA: O VENTO SAGRADO

Foi publicada no Jornal Diário de São Paulo a matéria O zelador dos orixás na tela, feita pelo jornalista Marcos Pinho - Um Vento Sagrado, do diretor e artista plástico baiano Walter Lima, o trabalho conta a história de Pai Agenor, um dos mais importantes nomes do candomblé no país. O trabalho de pesquisa consumiu mais de três anos de viagens, pesquisas e gravações no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Roma.

O filme (Brasil, 2001, 93 min.), mostra Pai Agenor em sua casa no Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, onde figuram desde imagens de São Francisco e Buda até de Oxalá e outras divindades do candomblé. É no local que ele recebia visitantes em busca de aconselhamento e jogava búzios.

Suas declarações são desconcertantes. “A força do candomblé está no sangue verde das plantas e não no sangue vermelho dos animais”, comenta para condenar os sacrifícios em cultos.

Professor aposentado, poeta, ensaísta, cantor de ópera e de fado, Pai Agenor foi um homem múltiplo e incomum. “Ele é talvez a última das grandes figuras do candomblé”, afirma Gilberto Gil. O retrato pintado por Walter Lima é o de um ser de personalidade instigante cujas opiniões são sempre respeitadas. Até quando sua saúde permitiu, era convocado para escolher a mãe-de-santo nos grandes terreiros baianos.

A fita mostra ainda o biografado sendo recebido pelo Papa em Roma e inclui poemas nas vozes de atores como Alessandra Negrini, Ingra Guimarães e Camila Amado, além da narração de Othon Bastos.

Amante da música, talvez por influência de sua mãe, a fadista portuguesa Zulmira Miranda, cuja história está registrada na Casa do Fado e da guitarra portuguesa, Agenor fez uma incursão como cantor no mundo da música. Há alguns anos foram recuperadas algumas de suas antigas gravações e hoje circula nas mãos de seus amigos e admiradores cds onde ele canta fados, canções italianas e músicas clássicas.

Amante da poesia e teve dois livros publicados ainda em vida, "Poemas Infantis", em 1999, e "Oferenda - como a flor que se oculta entre as folhas", em 1998, pela Editora Sete Letras, traduzido na Espanha e editado pela Algorán Poesia, em 2001.

Seus poemas foram muito bem recebidos por serem, além de belos, expressão de um grande conhecimento também nesta arte. Tinha muitos amigos e admiradores, muitos alunos, e para todos estes deixou ainda o livro "Caderno de Português", em 2000, escrito logo após uma intervenção cirúrgica bastante séria.

Faleceu em 2004, vitimado principalmente pelo agravamento de um simples caso infeccioso, uma vez que não conseguiu ser tratado a tempo em condições necessárias. Deixou muitos amigos e filhos em todas as partes do Brasil e no exterior, todos saudosos e consternados, principalmente por não terem podido ajudá-lo e intervir para que pudesse completar com "saúde e paz", como gostava de dizer, os seus almejados 100 anos de existência, que foi lembrado e comemorado por toda parte, com devoção, no dia 8 de setembro de 2007.

Dentre as muitas homenagens que recebeu está a Medalha Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro.

Sobre ele há uma primorosa biografia: "Um vento sagrado", editado pela Editora Mauad e de autoria de Muniz Sodré e Luis Filipe de Lima.

Assista ao filme:

PARTE I

PARTE II

sexta-feira, dezembro 05, 2008

DANÇA DAS CABAÇAS - EXU NO BRASIL

Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.

Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.

Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda.

Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos, como o Babalawô Adejimi Aderotimi Adefolurin, Toy Vodunnon Francelino de Shapanan, Iyalorixá Sandra Medeiros Epega e Reginaldo Prandi. Este último, infelizmente, apesar de sua condição de estudioso do assunto, comete o deslize imperdoável de chamar Exu de "diabo bom".

O filme, em resumo, é um documentário poético que investiga a divindade africana Exu no imaginário popular brasileiro. Filmado originalmente em vídeo digital, Dança das Cabaças foi financiado com recursos do FunCultura (Fundo Municipal de Cultura) e propõe recuperação de uma identidade cultural menosprezada e esquecida pelo pensamento contemporâneo.



quinta-feira, outubro 30, 2008

TESTE: VOCÊ É UM PUXA-SACO UMBANDISTA?

Fazem alguns meses que estou acompanhando algumas muitas listas de discussões e diante de algumas manifestações com a nítida intenão de afagar o ego de uns e outros por ai, em especial partindo de alguns "médiuns" apagados, que ficam "rasgando seda", bajulando alguns "líderes" na intenção de conseguirem seu "lugar ao sol", resolvi publicar este teste para que cada um verifique o seu nível de "puxa-saquismo":

1) Caso constate que entre a prática e a teoria por parte de seu Babalorixá/Escritor/Mestre existem grandes contradições, o que você faz:

A) Ignora e continua sendo o puxa-saco oficial

B) Ignora, continua sendo o puxa-saco oficial e chama de "cegos" e "oportunistas" aqueles que não conseguem entender a grandiosidade da obra do seu ídolo

C) Busca explicações para tais contradições diretamente da fonte e, caso não as consiga ou seja convenientes, rompe com aquele sistema

2) Se o seu Babalorixá/Escritor/Mestre começa a fazer tudo que antes condenava, você:

A) Ignora, já que é um idiota que não consegue enxergar um palmo diante do seu nariz;

B) Ignora, compra uma capa vermelha/preta, uma cartola e um terno preto para a próxima gira de "exu"

C) É coerente e fiel ao que aprendeu por anos e se afasta

3) Chega ao seu conhecimento que o seu Babalorixá/Escritor/Mestre renegou ao próprio "Pai-de-Santé", deturpou os conceitos que ele deixou e, por várias vezes, ameaçou outras pessoas com "força de pemba" e de "tronqueira". Você:

A) Acha o máximo, afinal de contas um "poderoso mago" não pode levar desaforo para casa

B) Acha o máximo e oferece ajuda com aquele kiumba que se passa por Exu de Lei que sempre se manifesta em você

C) Se afasta, já que isto não é uma atitude condizente para alguém que se diz "formador de opinião" e "sacerdote"

4) O seu Babalorixá/Escritor/Mestre lança um livro cheio de erros conceituais e científicos, escrito supostamente por uma entidade astralizada, que são apontados por autoridades no assunto:

A) Você ignora o fato e escreve um blog contanto uma historinha futurística sem sentido onde diz que a humanidade ainda não estava preparada para os conceitos superiores exposados naquela obra

B) Ajuda a tirar a obra de circulação a pedido do escritor, já que a humanidade ainda não está preparada para os conceitos superiores exposados na mesma

C) Usa do seu senso crítico e começa a questionar outras coisas escritas pela tal "entidade astralizada"

5) Você sempre foi um ferrenho crítico de determinado Babalorixá/Escritor/Mestre umbandista, mas assim que o sujeito se destaca e começa a ser alvo de outros "puxa-sacos", acena para você com um cargo na instituição ou alguma outra honraria. Você:

A) Antes do sujeito desligar o telefone já está dentro do avião indo ao seu encontro. Afinal de contas não é sempre que uma pessoa tão "importante" o convida para fazer parte do séquito de puxa-sacos oficiais

B) Manda um e-mail para todas as listas de discussões, em tom de falsa humildade, agradecendo profundamente o convite, do qual não se acha merecedor, mas já que a "espiritualidade" o escolheu para tão nobre tarefa, a aceita com certa reserva. Obviamente, envia este e-mail da lna house do aeroporto, 10 minutos antes do check-in do vôo que o levará ao encontro do seu nome "mestre".

C) Mantem a coerência, declina do convite e expõe seus motivos para isto.

6) No que pese seu Babalorixá/Escritor/Mestre pregar sempre a paz mundial, a convivência pacífica, a convergência, seus discípulos vivem atacando desafetos, opositores e aqueles que não mais fazem parte de seus pares, os taxando de "traidores", "enganadores", etc. Você:

A) Faz coro nos ataques. Afinal, todo bom puxa-saco deve estar sempre em evidência para o seu senhor

B) Faz coro nos ataques, é incentivado a atacar mais e, na hora do processo judicial está disposto a ficar no banco dos réus sozinho, protegendo seu mestre e os covardes de seus discípulos

C) Cobra coerência entre o discurso e as atitudes, não somente do seu mestre mas como de seus discípulos

7) Um importante médium da sua casa, com livros publicados, tido como sucessor do seu Babalorixá/Escritor/Mestre, depois de anos como uma figura importante, é execrado publicamente, desacatado e tem seu terreiro fechado pelo "mestre" durante a sessão. Você:

A) Trata logo de pular para o lado do "mestre", apontar o dedo na cara do infiel e ajuda a trancar os cadeados do Terreiro

B) Incentiva aos presentes a procurarem tochas, ancinhos, pedaços de pau e se juntarem à caça do infiel

C) Condena de forma veemente tal atitude, cobra explicações e não as tendo, se afasta

8) Chega ao seu conhecimento que discípulos do seu Babalorixá/Escritor/Mestre, INVADIRAM um Terreiro de um velho sacerdote no interior de São Paulo, desrespeitando não somente o ambiente, mas também aos presentes, escorando câmeras filmadoras nos ombros de uma senhora de quase setenta anos de idade. Você:

A) Acha normal e não considera "invasão", já que os discípulos do seu mestre estão embuidos de sua autoridade e podem entrar onde e fazer o que quiserem

B) Fica revoltado porque não o chamaram a participar de tal coisa, já que também adoraria escorar uma "betamax" nos ombros de uma anciã

C) Condena tal coisa de forma veemente e, por não acreditar que haja explicação ou justificativa para tal ato, se afastaPois bem, caro leitor.

Você pode estar pensando que as situações acima expostas são absurdas, meramente fruto de uma mente fértil, mas cada uma destas coisas aconteceu (e algumas ainda acontecem).

Caso você tenha marcado qualquer letra, exceto a "C", pode mandar o seu e-mail para que possamos remeter o seu diploma de "puxa-saco umbandista", sem custo algum.

Por outro lado, caso tenha marcado "C" em todas as questões, mas continua cantando loas e aplaudindo determinadas pessoas que agem desta forma, então você é um hipócrita. Não merece o diploma, mas leva como prêmio de consolação se manter ao lado dos seus pares.

Um beócio afirmou que eu critico pelo "prazer de ser do contra".

Nada mais equivocado e falso por parte deste outro "puxa-saco".

Quem acompanha este blog, já teve a oportunidade de ler sobre a minha profunda tristeza e decepção com uns e outros por ai, visto o alto nível de respeito que tinha por eles.

Infelizmente, a minha coerência e senso critíco são por demais aguçados para que eu, como muitos por ai estão a fazer, simplesmente ignore tanta contradição diante de meus olhos e, mesmo assim, continue "batendo cabeça".

quarta-feira, outubro 29, 2008

CHUTA QUE É MACUMBA: 15 MINUTOS DE FAMA ÀS CUSTAS DA FÉ DE MILHÕES

Existem em nosso país uma infinidade de figuras folclóricas, notórias por suas frases de efeito, atitudes e opiniões polêmicas ou, simplesmente, por terem participado de algum reality show, conseguido seus quinze minutos de fama e, como em um passe de mágica, passaram a ser vips, transitando pelo mundo glamouroso da televisão, assim como, em especial, das revistas masculinas. O mais inexplicável, contudo, é que este "curriculum" as tranformou, do dia para noite, em formadoras de opiniões.

No Brasil, estar na mídia, em especial na televisão, é sinônimo de que a pessoa é "formadora de opinião", mesmo se o único talento (se é que podemos chamar assim) é ter um corpo bonito com curvas que despertem o desejo dos homens (e de muitas mulheres também) e se exponha como veio ao mundo, como "carne fresca", nas capas da revista Playboy.

Obviamente, este não é o caso do conhecidíssimo Padre Quevedo, visto que nada tem em comum com alguma "celebridade" participante do "Big Brother" ou atributos para posar para a "G Magazine" ou ser contratado pela produtora de filmes pornográficos "Brasileirinhas".

O sacerdote católico, que muitos histéricos espíritas/espiritualistas juram ser a reencarnação do inquisidor Torquemada, projetou-se nacionalmente dizendo-se cético (?!?), parapsicólogo e cientista. Há anos vem desmascarando aqueles que chama de "chalatães" e evocando o art. 282 do Código Penal, exigindo que o Ministério Público tome providências contra as pessoas que ele enfrenta por crime de charlatanismo.

É famoso o desafio que Padre Quevedo faz para quem algum espírito ou qualquer outra força sobrenatural dobre o seu dedo indicador direito, colocando a ausência de resultado como evidência de que não há poder extra-físico algum.

Em uma oportunidade que tive em debater com o o dito sacerdote, ao ser alvo deste ridículo desafio, revidei pedindo à ele que rogasse à algum dos santos católicos, que fazem milagres, curam as pessoas, etc, ou até mesmo Deus, (os mesmos argumentos que ele utiliza em relação aos nosso Guias e Mentores espirituais) que fizesse o mesmo com o meu dedo indicador.

Não é novidade de que ele saiu pela tangente e evocou o "respeito" à Igreja Romana e seus santos, que de acordo como o pseudo-cético tem "comprovação científica" dos "milagres" que ali ocorrem.

O meu objetivo com este artigo, porém, é outro.

Gostaria que o leitor assistisse, na íntegra, o vídeo abaixo:




Esta matéria foi ao ar no dia 21/07/2005, sendo que a imprensa deu ampla cobertura ao fato que institutos religiosos, como o ICAPRA, resolveram tomar medidas judiciais contra o Padre Quevedo, a apresentadora Luciana Gimenez e do diretor da Rede Tv! Marcelo Nascimento, por desrespeito religioso.

A bem da verdade, devo confessar que só fui tomar conhecimento deste episódio recentemente, ao ler a matéria "Preconceito Religioso: Santa Ignorância" veiculada na Revista Espiritual de Umbanda, já que não sou dado a assistir ao programa "Superpop".

De toda forma, resolvi comentar o assunto, apesar de passados três anos, para chamar a atenção para um detalhe que, ao que parece, ninguém reparou.

Já se tornou "lugar comum" dentro das religiões de matriz africana alguns religiosos se exporem aos holofotes da mídia, mesmo que seja para envergonhar toda a comunidade ligada àquele setor filo-religioso, a pretexto de "divulgarem a religião".

Neste caso em específico, o dito "pai de santo" convidou a equipe de televisão e o Padre Quevedo ao seu Terreiro, fez um ritual idiota diante das câmeras e, como não podia deixar de ser, foi ironizado, achincalhado, teve a sua crença humilhada pelo Quevedo e não esboçou a mínima reação.

O pior, contudo, não foi a cara de parvo que o dito "pai-de-santo" fez ao ouvir as sandices de Quevedo e sim ter se dado ao trabalho de levar a tal oferenda, submissamente, para que o mesmo a chutasse.

Entendeu onde quero chegar, leitor?

No que pese a clara, óbvia intenção do programa "Superpop" em desmerecer as religiões de raiz africana, o maior culpado desta palhaçada foi o tal "pai-de-santo", visto que além de convidar o "lobo" para dentro de sua própria casa, ainda levou, como se fosse um "motoboy" entregando uma pizza, a oferenda para ser alvo do vilipendio.

Em minha modesta opinião, se realmente alguém foi processado por este lamentável episódio, o dito "pai-de-santo" deveria ser igualmente responsabilizado já que participou ativa e submissamente dos fatos. Foi ele quem disponibilizou sua casa e a oferenda chutada, de livre e espontânea vontade, e vem a comunidade umbandista se revoltar somente contra os atos do Padre Quevedo?

Esta na hora da comunidade umbandista, e candomblecista, tomar uma posição séria contra este tipo de situação, onde ditos "babalorixás" e "yalorixás" vão à midia servirem de palhaços e permitir o vilipêndio às nossas tradições e fundamentos.

Talvez seja o momento de nossas federações, conselhos, associações, etc, com toda esta parafernália demagoga, tomar posições e providências sérias, incluso judiciais, para que episódios como estes não se repitam.

Afinal de contas, representatividade é muito mais do que discursos demagógicos nas listas de discussões, festas de "exus" à rigor e outras posturas inócuas e sem resultados práticos que estamos presenciando nos últimos dois anos.

Acorda, Povo de Umbanda...

sexta-feira, maio 30, 2008

Bate-bola, jogo rápido... um gíro por estas "umbandas" do Brasil

Donos de terreiros querem isenção de IPTU, água e luz

Rede Matriz Africana reclama que existem mais de 5 mil terreiros sem assistência do governo.

Os proprietários de terreiros (Umbanda, Candomblé e Quimbanda) em Teresina vão iniciar uma luta junto a Prefeitura para conseguiram a isenção no pagamento de água, luz e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbana).

Um dos organizadores da Rede Matriz Africana no Piauí, Antônio da Cruz dos Santos Silva, informou que a entidade está fazendo o mapeamento de terreiros no Piauí. Segundo ele, o projeto de isenção já está sendo elaborado para ser apresentado na Câmara Municipal.

“O nosso projeto é com base na lei que existe em Salvador (Ba) em que os terreiros têm de graça luz, água e IPTU”, afirmou Antônio da Cruz.

Segundo ele, no centenário da Umbanda, os terreiros estão organizando uma série de atividades até novembro. No próximo dia 19 de julho, no terreiro de Eufrazina de Iansã serão expedidos documentos para a população carente.

De acordo com Antônio Cruz, no Piauí existem mais de cinco mil terreiros. O mapeamento está sendo feito com o apoio do professor da Universidade Federal de Salvador. A Rede Matriz Africana vai realizar também em parceria com a Coordenação de Igualdade Racial seminário sobre intolerância religiosa, racismo e preconceito.

COMENTÁRIO: Gostaria de saber por que "cargas d'água" os donos de Terreiros de Umbanda e Candomblé do Piauí acreditam que todos os demais cidadãos devem pagar para que ele tenham água e luz. Se a moda pega, partindo-se do princípio constitucional de que todos aão iguais perante a Lei, o povo piauiense terá de arcar com tais custo de todos os demais templos religiosos de qualquer outra religião.

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1ª Mostra Cultural Umbandista comemora os 100 anos da religião

Em comemoração aos 100 anos de nascimento da umbanda, o Umbanda Fest realiza a partir de amanhã a 1.ª Mostra Cultural Umbandista, no Museu Histórico Municipal de Bauru. Um dos objetivos do evento é quebrar preconceitos levando à população a história desta religião, nascida no Brasil em 1908.

Na exposição que ficará aberta gratuitamente ao público até o dia 31 deste mês estarão expostos painéis fotográficos retratando a história da umbanda, instrumentos litúrgicos, exposições dos orixás e das linhas de trabalho da umbanda. O material é acompanhado por textos explicativos que permitirão aos leigos conhecer e entender a religião.

Segundo Ricardo Barreira, presidente da Umbanda Fest, empresa organizadora do evento, esta será a primeira mostra cultural umbandista realizada no Brasil em comemoração à data. “Já teve algumas mostras fora de Bauru de religiões afro-brasileiras que envolviam umbanda, candomblé, catimbó e outras. Mas especificamente de umbanda, comemorando os 100 anos da religião, esta é a primeira”, revela.

Barreira explica que a umbanda surgiu do sincretismo, incorporando elementos do kardecismo (espiritismo), catolicismo e o culto aos orixás herdado da tradição milenar africana. “Ela acopla dentro dela influência kardecista, influência européia, o catolicismo, e influência africana, o culto aos orixás. A umbanda é multicultural e tem influência destas três vertentes”, confirma.

Para Barreira, o preconceito existente com a religião se deve à falta de conhecimento, daí a importância de conhecer a história da umbanda através da mostra cultural. “Muita gente ainda associa a umbanda com práticas de maldade, feitiçaria, macumba, e a umbanda não faz isso de forma alguma”, afirma.

“Eu acho que o maior preconceito em relação a umbanda, que existe hoje, é por desconhecimento. Esta também é uma das intenções de se fazer uma mostra como essa. Porque nós acreditamos que a pessoa conhecendo alguns aspectos básicos da umbanda vai entender que ela tem mensagem de paz, evolução espiritual e caridade. Estes são os fundamentos da umbanda”, completa.

Barreira lembra que a mostra organizada pela Umbanda Fest é itinerante e será levada para outros lugares na própria cidade, ou mesmo para outros municípios da região. O evento também vai lançar uma camiseta com o logo oficial referente aos 100 anos da religião. Ela será comercializada a R$ 15,00 e a renda será destinada à Umbanda Fest.

O presidente da Umbanda Fest ressalta que a umbanda é uma religião genuinamente brasileira fundada por um médium, no Rio de Janeiro. “A umbanda, ao contrário do que muitos pensam, é uma religião genuinamente brasileira. Ela foi fundada no Estado do Rio de Janeiro, em 1908, pelo médium Zélio Fernandino de Moraes, através da entidade espiritual chamada Caboclo das Sete Encruzilhadas. De lá para cá, se espalhou por 12 países e pelo Brasil inteiro”, detalha.

Serviço: O Museu Histórico Municipal de Bauru está localizado na rua Antônio Alves, 13-31. Outras informações sobre a 1.ª Mostra Cultural Umbandista podem ser obtidas pelos telefones (14) 9784-0128 e (14) 3227-5252, ou pelo site www.umbandafest.com.br. O evento tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Buffet Mantovani e Jornal da Cidade.

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