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segunda-feira, maio 18, 2009

EDUCAÇÃO RELIGIOSA UMBANDISTA

Saindo um pouco da temática "hipocrisia de líderes umbandistas", quero comentar sobre educação religiosa umbandista.

Sempre estou lendo emails de dirigentes de Templos pedindo informações, apostilas e a disponibilização de técnicas pedagógicas para o ensino da religião de Umbanda às crianças, sendo verdade que os escritores umbandistas não se preocuparam muito em desenvolver uma espécie de "catecismo umbandista" para elas, preocupando-se mais em doutrinar os adultos
.

De toda forma, há algumas exceções, como é o caso da coleção "Atividades de Orixás", criada por Yonar Peixoto e Emmanuel Peixoto. O material é baseado na visão teológica de Rubens Saraceni e pode ser encomendado pelo blog
http://umbandainfantil.blogspot.com/.

Outra publicação disponível é "Umbanda e as Crianças", de autoria de Doris C. Pires, da editora Madras, que mostra de forma bem didática conceitos básicos da religião, como breve biografia de Zélio de Moraes, quem são os Guias e Orixás, o significado da cor branca, dentre outras informações.

Uma outra obra lançada com o intuito de falar sobre Umbanda com as nossas crianças, é "Cartilha de Umbanda - Somente para Crianças" do Pai Joãozinho das Sete Pedreiras,
também editado pela Madras.

Sou da opinião que a formação religiosa de nossas crianças desde a mais tenra idade, nos levará a ter uma nova geração de umbandistas mais interessados, de verdade, com a dignificação da nossa religião do que com seus egos inflados como vemos hoje
.

domingo, abril 19, 2009

ESTAS UMBANDAS DE TODOS NÓS

A Umbanda é diversa.

Isto todo mundo já está careca de saber.

Mas diversidade não quer dizer que tenhamos de aceitar tudo como "Umbanda", que devemos fazer matanças em nossos Terreiros ou "virar" no Catimbó somente porque aquele sacerdote, que é nosso amigo, visitará nossa Casa e assim faz em seus rituais. Se ele não se isenta de fazer seus sacrifícios quando o visito, porque deve ser o contrário?

Em minha Casa não se faz matanças, discordo da prática, não acredito ser espiritualmente saudável e, mais do que isto, do meu ponto de vista, julgo desnecessário. Esta é a forma como vejo a questão, não necessariamente é a mais certa ou errado. Só é diferente.

Não usamos cartolas, smokings, ternos, cocares, arco-e-flecha, capas vermelhas e pretas, tridentes e outros "acessórios" para caracterizar nenhuma Entidade. Assim como no caso da matança, julgamos isto completamente desnecessário.

A Criança não será mais alegre e pura se usar uma vestidinho cor-de-rosa ou calças curtas; o Caboclo não será mais forte caso não use imensos cocares que se arrastam, muitas vezes, aos pés do médium ou toca o teto devido ao tamanho das penas; o Exu não será mais "Legbara" se estiver usando um imenso tridente.

Apesar de adotarmos celebrações e até mesmo acreditarmos que não há mal que as Entidades manifestantes usem de certos elementos materiais, inclusive fumo, bebidas e, eventualmente, comida (frutas, farofa, etc), não acreditamos que isto deva ser uma constante, sendo que tais coisas são reservadas para ocasiões e trabalhos especiais.

Não acreditamos estar de posse de nenhuma verdade absoluta, longe disto. Mas primamos por seguir de forma coerente os ensinamentos deixados por Matta e Silva e que absorvemos durante a nossa trajetória iniciática. Não concordamos com algumas práticas, doutrinas e conceitos em outros ritos, mas isto não quer dizer que achamos aquela Umbanda pior do que a que praticamos.

Por outro lado, também não concordamos com a postura hipócrita, verdadeiro preconceito às avessas, que vem sendo propagada no meio umbandista. No que pese que a maioria dos adeptos da religião mantêm uma raiz africanista em seus ritos, nós que acreditamos e praticamos de forma diversa à esta não podemos condená-los, mas também não podemos ser condenados.

A tal "tolerância" deve ser via de mão dupla, caso contrário passa a ser apenas mais um discurso do tipo "faz o que eu mando e não olhe o que faço" e "minha Umbanda é melhor porque tenho o àsé africano puro".

A lógica é simples: quem quer respeito deve, antes de tudo, respeitar.

O que temos vistos hoje em dia é um discurso hipócrita de que tudo é "Umbanda", que todos devem ser respeitados, mas na prática os ataques continuam, não somente daqueles que, contraditoriamente, pregam respeito, tolerância, diversidade, convergência, mas não param de atacar o trabalho de seus desafetos. Se querem ser tolerante, devem ser plenos, não podendo deixar arestas ou exceções.

O respeito, diferente do que muitos querem fazer crer, não está atrelado à concordância ou a prática, mesmo que eventual, daquilo que não acreditamos ser o correto em termos de ritualismo ou mediunidade. Esta sim relacionado ao reconhecimento de que cada um é livre para adoras à Deus (ou à deuses) da forma que bem entender e achar correto, não havendo supremacia de um sobre o outro.

Mas o que temos visto no movimento umbandista atual não é muito diferente da forma que os evangélicos agem quando atacam a religião alheia e ao receberem o revide acusam seus agressores de intolerante e preconceituosos. Os umbandistas ligados à raizes africanistas clamam pelo seu direito à matança, roupas vistosas, etc, mas não perdem a chance de atacar quem assim não procede.

Somos umbandistas e acreditamos que todos os demais são nossos Irmãos em Oxalá.

Mas isto não quer dizer que temos de aceitar tudo e não podemos criticar ou debater de forma saudável, dentro do campo das idéias. Infelizmente, dentro do movimento umbandista o principal "argumento" que se usa é o ataque pessoal, sendo raros os debates que se mantêm no campo exclusivo das idéias. A regra geral no meio é "se não consigo refutar o argumento, então ataco o argumentador". Isto é patético e lamentável.


Que todos os Povos e Ritos de Umbanda se unam pelo bem da religião, possibilitando que a Senhora da Luz Velada passe a ser a Senhora da Luz Brilhante.

Mas que cada um mantenha sua própria identidade
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Ilustração:
Connie Larsen

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

UMBANDA DO MERCOSUL

A notícia foi publicada no jornal "Diário de Los Andes" em 30/10/2008 e somente ontem chegou ao meu conhecimento, através de um nosso correspondente na Argentina. Acredito que tenha passado despercebida para a comunidade umbandista brasileira, visto que não vi nenhum tipo de comentário sobre o assunto em nenhuma lista de discussão ou comunidade virtual.

O períodico informa que Carina del Carmen Baroni foi condenada à prisão perpétua pelo assassinato de suas filhas gêmeas, de apenas cinco meses de idade, em 2003, naquilo que o jornal identifica como "ritual de umbanda". O duplo homicídio qualificado teria ocorrido na casa da acusada onde funcionaria um "templo de umbanda", que a mesma mantinha junto com o seu marido, identificado como um "pai umbanda" e que morreu meses depois.

As crianças teriam morrido sufocadas, tendo suas vias respiratórias sido obstruídas através de asfixia mecânica.

Não é novidade que a Umbanda, assim como o Candomblé, estão migrando para os países portenhos, em especial Argentina, Uruguai e Paraguai, lugares onde não houve escravidão e, consequentemente, as religiões de matrizes africanas não se desenvolveram.

O fenômeno da religiões afrodescendente entre "los hermanos" é recente, talvez não tenha vinte anos, se muito. Alguns adeptos da religião migraram para estes paises e por lá estabeleceram seus "ilês", com uma grande receptividade por parte das populações locais.

E como podemos ver nos vídeos abaixo, já virou uma bagunça fetichista à exemplo do que vem acontecendo por aqui. As "giras", em especial aquelas que dizem ser de "exu", mais parecem um baile de carnaval combinado com concurso de fantasias.






O que preocupa, na verdade, não é a confusão doutrinária, os bailes de carnaval travestidos de "giras" e toda a parafernália fetichista e mistificadora que vemos por lá, e sim que a Umbanda esteja tendo Seu Nome e Tradições ligados à crimes brutais como o que aconteceu na região de La Plata.

Apesar da "moda" (por que não dizer "ordem") do momento seja a "diversidade", a "convergência" e a "tolerância", deixando para Rivas Neto e seus asceclas o poder de julgarem o que é ou não digno de ser criticado dentro da Umbada, pelas imagens podemos perceber que A Senhora da Luz Velada passou longe destes lugares.

Por lá, ao que parece, não existe nenhum tipo de instituição, mesmo que nos moldes de nossas deficientes federações, conselhos e associações, para esclarecerr a opinião pública sobre as bases da religião, como por exemplo, que não existe sacrifícios humanos em nosso rituais
.

Não existem, enfim, lideranças - nem mesmo do tipo oportunista como a maioria aqui no Brasil - para combater a desinformação que a imprensa e, claro, as Igrejas Católica e Evangélicas, fazem questão de disponibilizar naqueles países.

Enfim, como se não bastasse termos de nos preocupar com esta verdadeira balbúrdia que os "líderes" brasileiros insistem em chamar de Umbanda, temos que nos atentar sobre o que acontece nos paises vizinhos e, não deve demorar muito, veremos "exus" e "pomba-gíras" dançando tango em algum baile que eles dirão que é uma "gíra".

E vamos descendo ladeira, Umbanda... porque para baixo todo santo (inclusive o que fala espanhol) ajuda.

domingo, janeiro 25, 2009

IGREJAS, TERREIROS E CRIANÇAS

No excelente filme "Religulous", o comediante Bill Maher entrevista o Reverendo Jeremiah Cummings, líder do Ministério Amazing Life World Outreach.

Em determinada parte da entrevista, o Reverendo (que exige ser chamado de "doutor", apesar de não ter nenhum curso superior) afirma que Teddy Pendergrass havia sido ordenado "pastor" aos dez anos de idade.

Bill Maher, então, pergunta:

"O que me diz de uma religião e a sua seriedade, quando se pode ser um pastor aos 10 anos de idade?".

Obviamente, a resposta é o silêncio do tal Reverendo.

No vídeo a seguir, vemos uma criança, com não mais do que 3 ou 4 anos de idade, "pregando" em uma Igreja evangélica americana, enquanto a congregação, exultante, aplaude e manifesta a sua concordância com o triste espetáculo ao gritos de "obrigado, Jesus", "Aleluia", "Obrigado meu Deus".

Infelizmente, na Umbanda, é comum vermos "ogãs mirins" tocando atabaques nas sessões de atendimento ao público.

Levando-se em consideração a responsabilidade que se deve ter para "bater o couro", e o nível de carga energética a que os Ogãs estão sujeitos, é de lamentar que este tipo de coisa ainda aconteça e, tal e qual nesta igreja evangélica, as pessoas ainda achem "bonitinho" uma criança, sem preparo algum, em uma posição tão delicada.

Talvez fosse o caso de perguntar:

"O que me diz de um Terreiro e a sua seriedade, quando se pode ser Ogã aos 10 anos de idade?".

Certamente, teremos o silêncio como resposta.


quarta-feira, setembro 10, 2008

Deputado evangélico Edino Fonseca acusa umbandistas de sacrificar crianças



Antes de mais nada, peço desculpas aos leitores pela ausência de atualizações diárias. Mas a vida está muito corrida, muito trabalho e compromissos, por isto do afastamento.

Mesmo com o tempo curto, não poderia deixar de postar aqui o debate entre o Deputado Estadual do Rio de Janeiro Átila Nunes, que assim como o pai, é um grande defensor da Umbanda e demais Cultos de matriz africana, com o Deputado Estadual Edino Fonseca, evangélico, que era um dos acusados de envolvimento no esquema de fraudes do auxílio-educação pago a servidores da ALERJ (foi absolvido em plenário daquela Casa legislativa), que acusou a Umbanda de sacrificar crianças.

Vamos aguardar para ver se os "orgão de cúpula" da Umbanda terão uma reação mais efetiva contra esta calúnia à nossa religião, ou se o máximo que farão será, como sempre, manifestos indignados e inflamados via lista de discussão.

O CONUB, CONSUB, FTU, CFU, PDU e todos os demais "us" que pululam no meio umbandista deveriam tomar atitudes mais contundentes e enérgicas do que palavras vazias em seus sites.

De toda forma, disponibilizo o e-mail do Deputado Edino Fonseca, para que os umbandistas manifestem a sua indignação contra a sandice que ele falou sobre a Umbanda: edinofonseca@alerj.rj.gov.br

Ao Deputado Átila Nunes, os meus respeitos e admiração pelo trabalho. (atilanunes@alerj.rj.gov.br )